Hortaliça · Brassicaceae
Couve
Brassica oleracea (Capitata Group)
Oferece à couve humidade constante, solo rico e ar fresco, e ela agradece-te com uma cabeça pesada e bem cerrada.
Sol pleno
A cada 3–7 dias
5–25°C
60–100 dias

Visão geral
A couve é um vegetal de estação fria cultivado pela cabeça densa que forma a partir de camada sobre camada de folhas enroladas, e é muito mais fácil para principiantes do que a sua fama sugere. Pertence à família das brássicas, ao lado do brócolo, da couve-galega e das couves-de-bruxelas, e encontra-se em versões lisas e verdes, vermelho-profundo, ou enrugadas como a couve-lombarda. Por ser uma bienal cultivada como anual, concentra tudo na cabeça durante o primeiro ano, e tu colhe-la muito antes de a planta sequer pensar em florir.
É uma planta que prefere temperaturas mais frescas e aguenta bem uma geada ligeira, e é por isso que se adapta tão bem tanto como cultura de primavera como de outono. Mantém-se bastante compacta, com apenas 30 a 45 cm de altura, por isso até um canteiro apertado tem espaço para ela. O que ela realmente quer é solo rico e água constante, e vais perceber que quase todos os problemas da couve regressam a uma falha num desses dois pontos.
A couve pede alguma paciência, já que uma cabeça precisa de 60 a 100 dias para ficar firme, mas a espera é tranquila. Atrai também o seu quinhão habitual de lagartas e algumas doenças teimosas, mas nada disso te deve preocupar. Fica sempre um passo à frente, mantém a humidade constante, e a estação termina com cabeças sólidas que se conservam durante semanas e só ficam mais doces depois do frio do outono.
Cuidados
A versão resumida: dá à couve sol pleno e ar fresco, solo rico mantido uniformemente húmido com rega regular todas as semanas, uma adubação na plantação e outra algumas semanas depois, e colhe as cabeças assim que estiverem firmes ao toque.
Luz
A couve adora sol pleno, cerca de seis horas ou mais por dia, para formar uma cabeça compacta e densa. Consegue crescer também em sombra parcial, embora a cabeça fique mais solta e um pouco mais lenta a formar-se, por isso não há problema em reservar esses cantos mais sombrios para os períodos mais quentes, quando um pouco de alívio ajuda mesmo.
Rega
Mantém o solo uniformemente húmido, com cerca de 2,5 a 4 cm de água por semana, encharcando até pelo menos 15 cm de profundidade e regando de manhã. A humidade constante e uniforme é o verdadeiro segredo, porque assim que uma cabeça fica firme, uma rega abundante e súbita depois de um período seco é o que a faz rachar.
Solo
Planta a couve num solo areno-argiloso, fértil e bem drenado, bem trabalhado com matéria orgânica, para que se mantenha húmido sem encharcar. Procura um pH entre 6,0 e 7,0, já que essa gama ligeiramente ácida a neutra também ajuda discretamente a evitar a hérnia-da-couve.
Temperatura
A couve é uma cultura de estação fria que cresce melhor entre 5°C e 25°C. Uma geada ligeira não a incomoda, e o frio do outono até adoça a cabeça, mas o calor a sério do verão tende a levá-la a subir a flor em vez de formar folhas bem cerradas.
Humidade
A humidade normal do exterior é perfeitamente adequada à couve, por isso não há nenhum número a perseguir. Uma boa circulação de ar faz muito mais bem do que qualquer leitura de humidade, já que as folhas deixadas amontoadas e húmidas são as que atraem as doenças que estragam uma cabeça.
Adubação
Incorpora um fertilizante equilibrado no canteiro na plantação, guiado por uma análise ao solo, e depois faz uma adubação de cobertura com azoto cerca de 3 a 4 semanas após o transplante para acompanhar a planta durante a formação da cabeça. A couve é uma planta com necessidades elevadas de adubo, e esse reforço a meio da estação é o que enche a cabeça com suavidade.
Poda
A couve não precisa de poda propriamente dita, o que é uma preocupação a menos. Retira as folhas exteriores amareladas, danificadas ou mastigadas por pragas assim que aparecerem, e corta a cabeça com uma faca afiada na colheita. Deixa as folhas exteriores no caule e podes conseguir, como bónus, uma segunda produção de pequenas mini-cabeças.
Tamanho e espaçamento
As plantas mantêm-se arrumadas e compactas, com 30 a 45 cm de altura e 30 a 61 cm de largura. Dá a cada uma esse mesmo espaço, para que as cabeças cresçam bem e o ar circule, mantendo as doenças afastadas.
Quando plantar
A couve funciona com tempo fresco, não com calor, o que torna a altura da sementeira flexível assim que a conheces. Começa as sementes em interior no final do inverno e transplanta as mudas algumas semanas antes da última geada para uma colheita no início do verão, ou planta novamente em meados ou no final do verão para cabeças que terminam no outono, ainda mais doces por causa do frio.
Hemisfério norte
Hemisfério sul
Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.
- Semear: 6 a 8 semanas antes da última geada da primavera
- Plantar: Planta as mudas já endurecidas 2 a 4 semanas antes da última geada da primavera; para uma colheita de outono, transplanta em meados ou no final do verão, cerca de 6 a 8 semanas antes da primeira geada do outono
- Colher: Colhe quando as cabeças estiverem firmes e densas, normalmente no início do verão para plantações de primavera e em meados ou no final do outono para plantações de outono; o sabor melhora depois de uma geada ligeira de outono
Rusticidade
Temperatura: até -46°C
Resolução de problemas
Quase todas as preocupações com a couve aparecem nas folhas ou dentro da cabeça, e um olhar calmo costuma revelar se está por trás disso uma praga mastigadora, uma doença ou uma rega em falta. Não te preocupes, encontra abaixo o que corresponde ao que vês, e age cedo, enquanto a cabeça ainda pode recuperar.
Murchidão em dias quentes, raízes inchadas e folhas amareladas
Este é o caso da hérnia-da-couve, uma doença do solo que prospera em terrenos ácidos e transforma as raízes em massas inúteis e deformadas. Não há como salvar uma planta depois de infetada, por isso retira as afetadas e destrói-as em vez de as juntares ao composto. Corrige o pH do canteiro com cal, aproximando-o de 6,8 a 7,2, compra mudas saudáveis e mantém as brássicas fora desse terreno durante vários anos.
Solução:
- Remove e destrói as plantas infetadas; não as ponhas no composto
- Corrige o solo com cal, aproximando-o de um pH de 6,8 a 7,2, nos canteiros afetados
Manchas amarelas em forma de V a espalhar-se para dentro a partir das margens das folhas
Essas cunhas amarelas com nervuras escurecidas são a podridão negra, uma doença bacteriana que chega através de sementes e mudas infetadas. Arranca e destrói qualquer planta que a apresente, e evita mexer no canteiro enquanto as folhas estão molhadas para não a espalhares pela fila. Começa com material certificado e livre de doenças, rega junto à base e roda as brássicas num ciclo de 2 a 3 anos.
Solução:
- Remove e destrói as plantas infetadas
- Evita trabalhar entre plantas molhadas para limitar a propagação
Folhas mastigadas e esfarrapadas, salpicadas de excrementos escuros e lagartas verdes
Os visitantes aqui são lagartas da couve, normalmente a lagarta-da-couve importada, a lagarta-medideira que arqueia as costas ao andar, ou a pequena larva da traça-do-dorso-de-diamante. Apanha-as à mão assim que as vires e recorre ao Bacillus thuringiensis (Bt) enquanto as larvas ainda são pequenas, passando ao spinosade só se a pressão se mantiver forte. Uma manta agrícola colocada no transplante mantém borboletas e traças afastadas desde o início, o que te poupa a maior parte do trabalho.
Solução:
- Apanha as lagartas à mão assim que as detetares
- Aplica Bacillus thuringiensis (Bt) de forma consistente enquanto as larvas são pequenas
- Usa spinosade conforme o rótulo se a pressão for forte
Uma cabeça densa e madura que rachou
A rachadura surge quando um período de seca termina com chuva forte ou uma rega abundante, e uma cabeça densa absorve água mais depressa do que a casca consegue esticar. Não é uma doença, por isso procura-a depois de um aguaceiro em cabeças que já estão firmes. Colhe uma cabeça rachada de imediato e aproveita-a, e reduz a absorção de água nas restantes dando a cada planta um quarto de volta ou cortando um lado da zona radicular com uma pá.
Solução:
- Colhe as cabeças rachadas de imediato e usa-as prontamente
- Roda as plantas um quarto de volta ou corta um lado da zona radicular com uma pá para abrandar a absorção de água nas cabeças maduras restantes
Folhas encarquilhadas e enrugadas cobertas de insetos cinza-esverdeados e cerosos
Estes são pulgões-da-couve, cinza-esverdeados e cobertos por uma cera esbranquiçada, e amontoam-se no verso das folhas e nas dobras da cabeça. Remove as colónias com um jato forte de água e segue com sabão inseticida ou óleo hortícola aplicado diretamente nos aglomerados. Verifica as mudas antes de as plantares, deixa espaço para joaninhas e outros aliados, e remove os restos da cultura depois da colheita.
Solução:
- Remove com um jato forte de água
- Aplica sabão inseticida ou óleo hortícola, garantindo o contacto com as colónias
Toxicidade
A couve está entre as plantas mais gentis que podes ter em casa, por isso podes relaxar. Não tem qualquer toxina, e animais de estimação, gado e pessoas podem comê-la à vontade. A única coisa a ter em conta é a quantidade, já que uma porção generosa de brássica crua pode deixar qualquer animal com alguns gases.
Segura para
Pessoas · Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves
Gatos Nenhuma
A couve não contém nada que possa fazer mal a um gato. Uma dentada ocasional numa folha cozinhada é perfeitamente inofensiva, embora a maioria dos gatos simplesmente a ignore.
Cães Nenhuma
É seguro partilhar em pequenas quantidades, e alguns cães até gostam. Um cão que devore muita couve crua pode ficar com alguns gases ou fezes moles, mas isso é apenas a digestão a trabalhar, não envenenamento.
Cavalos Segura
Não existe aqui qualquer risco tóxico. Grandes quantidades de qualquer brássica podem deixar um cavalo com gases, por isso mantém a couve como um mimo ocasional e não como um alimento diário.
Coelhos Segura
Os coelhos podem comer couve, e as folhas são um bom verde para eles. Introduz-a devagar e em pequenos pedaços, já que uma quantidade repentina pode perturbar um estômago sensível.
Gado Segura
Vacas, cabras e ovelhas pastam brássicas sem sofrer qualquer mal. A couve e as suas aparas são um alimento comum, sendo melhor equilibrá-las com outra forragem para que nunca sejam a dieta completa.
Aves Segura
As galinhas e outras aves bicam alegremente uma cabeça de couve pendurada, e muitos criadores usam-na para manter um bando ocupado num dia calmo. Nada nela lhes faz mal.
Pessoas Segura
A couve é um ingrediente básico da cozinha, boa crua, cozinhada ou fermentada, e segura para todos. Só um consumo crónico e muito elevado de brássicas cruas levanta alguma preocupação relacionada com bociogénios.
Não é necessário nenhum cuidado especial. Grandes quantidades de brássicas cruas podem causar alguns gases ligeiros em animais e pessoas, e as brássicas contêm compostos bociogénicos que só importam com um consumo crónico e muito elevado; trata-se de uma nota alimentar, não de envenenamento.
Variedades
A couve existe em muito mais formas do que a simples bola verde que a maioria de nós imagina à primeira, e isso faz parte da graça. Vale a pena conhecer algumas delas pelo sabor, pela altura de colheita ou pela paciência com que esperam no horto.
Early Jersey Wakefield
A Early Jersey Wakefield é uma variedade antiga e precoce muito apreciada, valorizada pela sua cabeça pontiaguda e cónica e pelo sabor doce e suave.
Stonehead
A Stonehead é um híbrido precoce que forma cabeças redondas, muito densas e compactas, e resiste bem a rachar se não conseguires colher mesmo a tempo.
Ruby Ball
A Ruby Ball é uma couve roxa com cabeças redondas e firmes e um sabor ligeiramente picante, e espera pacientemente no horto sem perder qualidade.
Savoy King
A Savoy King é uma couve-lombarda de folhas muito enrugadas e verde-azuladas, que amaciam e ficam mais suaves depois de cozinhadas.
Plantas companheiras
Plantar perto de
Endro: Erva aromática que atrai joaninhas e vespas parasitas que predam as pragas da couve
Salva: Erva aromática tradicionalmente plantada junto à couve para ajudar a afastar as traças da couve
Hortelã: Erva aromática que se diz afastar as pragas da couve; é melhor mantê-la contida devido às raízes invasoras
Cebola: As culturas da família da cebola crescem bem junto às da família da couve e podem ajudar a confundir as pragas
Beterraba: Cultura de raiz compatível, que partilha as mesmas condições de estação fria sem competir com as cabeças da couve
Manter longe de
Morango: Os guias de consociação de culturas apontam o morango como um vizinho incompatível para as culturas da família da couve
Tomate: As tabelas tradicionais de consociação aconselham a manter o tomate afastado das plantações de couve
Feijão-trepador: Os guias de consociação de culturas apontam o feijão-trepador como um mau companheiro para a família da couve
Como propagar
A couve começa a partir de semente, semeada em interior para uma colheita precoce ou um pouco mais tarde para uma de outono, e é só isso mesmo. Sem estacas nem clonagem para complicar, apenas uma saqueta de sementes e um começo suave ao abrigo.
SementeFácil
Semeia em interior 6 a 8 semanas antes da última geada da primavera, ou semeia diretamente/transplanta em meados ou no final do verão para uma colheita de outono · Germina em cerca de 4 a 10 dias; as mudas ficam prontas para o horto em 4 a 6 semanas
A couve nasce facilmente a partir de semente, por isso este é um bom ponto de partida. Começa em interior 6 a 8 semanas antes da última geada da primavera, ou semeia para uma colheita de outono em meados ou no final do verão, e a semente nasce em cerca de 4 a 10 dias. As plântulas ficam prontas para o horto em 4 a 6 semanas, mas primeiro endurece-as com calma. As plantas semeadas diretamente evitam o choque do transplante, mas podem demorar até três semanas mais a amadurecer, por isso ambos os caminhos funcionam bem.
Mitos
A geada estraga a colheita de couves, por isso todas as cabeças têm de ser colhidas antes de qualquer frio.
A couve é uma cultura resistente de estação fria que aguenta bem uma geada ligeira, e o frio do outono até adoça o sabor, por isso não há motivo para entrar em pânico. Só uma geada forte danifica uma cabeça madura, o que significa que podes deixar o canteiro em paz na primeira noite fria e ficar descansado.
Quando uma cabeça de couve racha, significa que há algo doente no solo.
A rachadura é um contratempo físico, não uma infeção, por isso não culpes o teu solo. Uma cabeça firme e madura absorve água depressa depois de uma rega irregular ou de chuva forte, e acaba por romper a própria casca. Não há qualquer agente patogénico envolvido, apenas a alternância entre seco e molhado.