Hortaliça · Solanaceae

Tomate

Solanum lycopersicum

Dá-lhe sol pleno, rega constante e ar a circular, e o teu tomateiro vai retribuir todo o verão.

Luz

Sol pleno

Rega

A cada 3–⁠7 dias

Calor

21–⁠29°C

Colheita

50–⁠90 dias

Tóxica para gatos, cães, cavalos e mais · Fruto maduro seguro
Tomate

Visão geral

Poucas coisas sabem tanto a verão como um tomate maduro cultivado por ti. Pertence à família das solanáceas e tem raízes nos Andes, onde já era cultivado muito antes de viajar pelo resto do mundo. Hoje adapta-se a quase qualquer sítio como anual de estação quente, tão à vontade num canteiro como num vaso numa varanda soalheira, por isso tens espaço para começar aos poucos.

Vais ver que há muito por onde escolher. Algumas plantas mantêm-se baixas e compactas e trazem toda a colheita ao longo de uma ou duas semanas. Outras esticam-se, alastram e continuam a dar fruto até à geada. Às baixas chamamos determinadas e às altas indeterminadas, e assim que souberes qual tens, a poda e a tutoragem passam a fazer todo o sentido.

E aqui vem a parte tranquilizadora: o tomate é meigo com quem está a começar, e um pouco de cuidado rende muito. Dá-lhe rega constante, bom sol e espaço para respirar, e o fruto vem farto e doce. Falha nisso e o mais provável é veres apenas cascas rachadas e caules despidos, coisas fáceis de corrigir da próxima vez.

Cuidados

A versão resumida: dá-lhes sol pleno, com um pouco de sombra à tarde se os teus verões forem mesmo escaldantes. Mantém a terra uniformemente húmida, com cerca de 2,5 cm de água por semana, planta-os em solo rico e fértil, e deixa a cada planta um pouco de espaço para respirar.

Luz

Dá aos teus tomateiros 8 ou mais horas de sol direto por dia e eles vão agradecer-te. Um pouco de sombra à tarde é bem-vinda onde os verões apertam, mas sombra a sério deixa-te com plantas altas e esguias e muito pouco para colher.

Rega

Procura humidade constante e uniforme em vez de uma inundação seguida de seca, e as tuas plantas vão sentir-se bem tratadas. Na prática, isso são cerca de 2,5 cm de água por semana, com mais numa fase de calor ou num vaso. É esta rega suave e regular que impede as cascas de rachar.

Solo

Instala-os em terra rica e bem drenada, com uma boa dose de composto misturada. Um pH de 6,0 a 6,8, a puxar um pouco para o ácido, é onde ficam mais felizes, e um solo solto e esfarelado deixa aquelas raízes fundas espalharem-se.

Temperatura

As tuas plantas sentem-se melhor entre os 21°C e os 29°C. O vingamento do fruto faz uma pausa quando as noites ficam quentes ou os dias aquecem demais, e até uma geada ligeira acaba com a planta, por isso ficar de olho no tempo compensa.

Humidade

A humidade normal ao ar livre serve-lhes lindamente, por isso não há valor nenhum com que te preocupares aqui. O que conta mesmo é o bom arejamento, já que folhas amontoadas e húmidas são o começo da maioria dos problemas do tomate.

Adubação

Dá uma adubação equilibrada na altura da plantação e volta a alimentar assim que o primeiro fruto vingar. Vai com calma no azoto, ou acabas com uma planta grande e folhuda e pouco para apanhar.

Poda

Nas variedades altas indeterminadas, belisca com jeito os rebentos laterais para que um ou dois caules principais sustentem a planta. Deixa as determinadas compactas como estão, já que podá-las só te custa fruto.

Mudança de vaso

Passa as plântulas para vasos mais espaçosos antes de irem para fora, para que as raízes nunca comecem a enrolar-se. Depois de a planta estar no seu canteiro definitivo ou num vaso grande, pode ficar ali descansada o resto da época.

Proteção no inverno

Trata o teu tomateiro como uma anual e mantens tudo simples. No fundo é uma perene sensível, mas a primeira geada dá cabo dela, por isso a maioria dos jardineiros simplesmente volta a plantar na primavera sem preocupações.

Tamanho e espaçamento

Consoante a variedade, as plantas chegam a qualquer coisa entre os 60 cm e os 3 m de altura. Dá a cada uma 45 a 90 cm de espaço para o ar poder circular e a doença ter mais dificuldade em instalar-se.

Quando plantar

O tomate é amante do calor de fio a pavio, e a geada é a única coisa que mesmo não suporta, por isso o calendário é teu amigo. Começa as sementes dentro de casa no fim do inverno, leva as plantas para fora assim que o frio passar, e vais estar a colher fruto do meio do verão até essa primeira geada dar a época por encerrada.

Hemisfério norte

Semear mar–abr
Plantar mai
Colher jul–out

Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.

  • Semear: 5–8 semanas antes da última geada (começar as sementes dentro de casa antes da última geada)
  • Plantar: da última geada até 2 semanas depois (após a geada, solo a ~16°C)
  • Colher: julho–outubro (do meio do verão até à primeira geada)

Rusticidade

Temperatura: até -1°C

Resolução de problemas

A maioria dos problemas do tomate dá sinal cedo, quase sempre no fruto ou nas folhas de baixo, e isso joga a teu favor. Depois de aprenderes a notar esses primeiros sinais, podes agir com calma enquanto ainda faz diferença. Encontra em baixo o que corresponde ao teu caso e vai tratá-lo com jeito.

Grave

Manchas acinzentadas e oleosas seguidas de um colapso súbito

O míldio é o problema em que se age sem esperar, já que corre com o tempo fresco e húmido e pode deitar uma planta abaixo em poucos dias. Arranca a planta inteira, fecha-a num saco e manda-a para o lixo. Por favor, não a ponhas na compostagem, porque isso levaria a doença direita para a horta do ano que vem.

Solução:

  • Arranca e ensaca as plantas de imediato
  • Não compostes
  • Fungicida preventivo nas vizinhas
Grave

Folhas de baixo a amarelecer e a pender enquanto toda a planta enfraquece

Quando um fungo do solo como a murchidão de fusário ou de verticílio entope o caule por dentro, infelizmente não há como recuperar a planta, mas a culpa não é tua e é coisa fácil de evitar da próxima vez. Arranca a planta e, na primavera, recomeça num vaso com substrato limpo ou escolhe variedades criadas para não ligar a isto.

Solução:

  • Sem cura; retirar a planta
  • Cultiva em vasos com substrato novo
Revés

Uma mancha escura e coriácea a formar-se por baixo do fruto

Fica descansado, porque a podridão apical é um percalço de rega e não um sinal de que o teu solo te falhou. Uma planta que passa sede e depois é inundada não consegue levar o cálcio até ao fruto, e por isso a base cede. Acerta um ritmo de rega regular, chega uma camada de palha à base para segurar a humidade, e retira com cuidado qualquer fruto que já mostre a marca.

Solução:

  • Mantém a humidade uniforme no solo
  • Cobre a zona das raízes com palha
  • Retira o fruto afetado
Revés

Manchas castanhas em forma de alvo a subir desde as folhas de baixo

Aquelas marcas em forma de alvo são a alternariose, um fungo que desperta com tempo quente e encharcado e se instala a partir da base da planta. Podes ficar-lhe à frente: corta as folhas manchadas, dá um pouco de espaço à planta para o ar circular, e tenta manter a folhagem seca quando regas.

Solução:

  • Retira as folhas de baixo infetadas
  • Melhora a circulação de ar
  • Aplica fungicida se for grave
Revés

Muitos pontinhos cinzentos rodeados de castanho mais escuro

Quando o tempo húmido se instala, a septoriose pode salpicar as folhas de baixo, e parece pior do que é. Assim que notares as marcas, arranca essas folhas, estende uma camada de palha para a chuva não fazer saltar os esporos de volta para cima, e deita a água ao nível do solo em vez de por cima.

Solução:

  • Retira as folhas infetadas
  • Melhora a circulação de ar
  • Fungicida se for grave
Revés

Ramos inteiros nus de manhã, com pequenos grãos escuros por baixo

Não te assustes se um ramo aparecer nu com migalhas escuras por baixo, porque uma só lagarta-do-tomateiro faz isso numa noite. A boa notícia é que são fáceis de resolver: vai lá ao entardecer e apanha as roliças lagartas verdes com os dedos. Se uma trouxer pequenos casulos brancos, deixa-a ficar, que as vespas prestáveis já estão a tratar dela por ti.

Solução:

  • Apanha as lagartas à mão
  • Deixa as que tiverem casulos brancos de vespa
  • Pulveriza Bt se a praga for forte
Revés

Flores a amarelecer e a cair antes de formarem qualquer fruto

Se as flores não param de cair, o calor costuma ser o culpado, não nada que tenhas feito mal. Assim que as noites se aguentam acima dos 21°C ou os dias passam dos 29°C, a planta pura e simplesmente faz uma pausa no fruto. Mantém-na regada e tem paciência, que ela recomeça mal o tempo abrandar.

Solução:

  • Mantém as plantas regadas
  • Aguarda temperaturas favoráveis
Estético

Cascas rachadas a rodear ou a abrir em leque sobre o fruto

Uma casca rachada só quer dizer que o fruto bebeu muito depois de um período seco e cresceu mais depressa do que a casca conseguiu acompanhar. Não há aqui nada com que te preocupar, e a solução é simples: rega num ritmo regular e estende alguma palha para suavizar os altos e baixos. Se vem aí um aguaceiro, podes muito bem colher o fruto um pouco mais cedo.

Solução:

  • Colhe o fruto antes de estar totalmente maduro
  • Mantém a rega uniforme
Estético

Fruto de aspeto repuxado e cicatrizado na parte de baixo

Este aspeto irregular e cicatrizado tem um nome simpático, catfacing, e vem de um período de frio enquanto as flores se formavam. Fica descansado, que o fruto sabe muito bem e é perfeitamente bom para comer. Para o ano, espera que o solo aqueça e que passem as últimas noites frias antes de pores as plantas cá fora.

Solução:

  • Sem cura para o fruto já formado; retirar os afetados
Estético

Amarelecimento a surgir nas folhas mais baixas e mais velhas

Um punhado de folhas amarelas mesmo lá em baixo raramente é motivo de aflição, é só a planta a largar o crescimento velho enquanto se entrega ao fruto. Ainda assim, fica atento: se o amarelo começar a subir ou a planta toda parecer desbotada, dá-lhe uma adubação equilibrada e espreita à procura de manchas ou murchidão.

Solução:

  • Aplica adubo equilibrado se houver carência
  • Retira o tecido doente

Toxicidade

O fruto maduro é uma delícia, mas o resto da planta é melhor deixar em paz. As folhas, os caules e os tomates verdes por amadurecer têm um composto natural chamado solanina que pode dar mal-estar de barriga. Para que fiquem todos bem, basta manteres as partes verdes fora do alcance dos animais de estimação, do gado e dos mais pequenos e curiosos.

Tóxica para

Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves

Segura para

Pessoas — fruto maduro

Gatos Moderada

Um gato que mordisque pode babar-se, sentir-se enjoado e ficar apático. Se comer uma boa quantidade, podes ainda notar as pupilas dilatadas e o coração a bater mais devagar.

Cães Moderada

Depois de um cão roer as folhas ou os caules, fica atento a baba, falta de apetite, barriga enjoada e alguma fraqueza.

Cavalos Moderada

Comer as partes verdes costuma deixar o cavalo com o estômago azedo, o ânimo em baixo e alguma fraqueza.

Coelhos Tóxico

A solanina fica nas folhas e nos caules, por isso essas partes simplesmente não são seguras para um coelho. Umas dentadas no fruto maduro dão um bom miminho de vez em quando.

Gado Moderada

O gado, as cabras e as ovelhas que pastam a folhagem podem apanhar mal-estar de barriga e problemas do sistema nervoso por causa da solanina que ela contém.

Aves Cuidado

Como as partes verdes carregam a toxina, fica-te pelo fruto maduro e só como uma dentada ocasional. Uma galinha do quintal pode debicar um tomate maduro sem problema.

Pessoas Fruto maduro seguro

Os tomates maduros são um adorado favorito da cozinha e perfeitamente seguros no teu prato. Só é preciso manter as crianças longe das folhas e de qualquer fruto verde.

O fruto maduro não é tóxico; mantém os animais longe das folhas, dos caules e do fruto verde

Números de emergência

Portugal

CIAV (INEM): 800 250 250

Brasil

Disque-Intoxicação: 0800 722 6001

Variedades

Há milhares de tomates por esse mundo, mas só um punhado aparece na maioria das hortas. Estes são os poucos e amigáveis que vale a pena conhecer pelo nome.

Early Girl

Uma trepadeira ligeira que te recompensa com tomates de fatiar prontos em cerca de 60 dias, bem antes de a maioria arrancar.

San Marzano

O adorado tomate para molho, cujo fruto comprido e com poucas sementes se reduz num molho profundo e encorpado.

Roma

Um tipo arbustivo e arrumadinho, apreciado para conserva e molho, que amadurece quase todo o fruto ao mesmo tempo, num curto período.

Celebrity

Uma escolha de confiança e descomplicada, que ignora a maior parte das doenças que incomodam os outros tomates.

Tipos beefsteak

Trepadeiras altas que carregam as fatias maiores e de sabor mais intenso, embora o seu fruto pesado seja mais dado a rachar.

Tipos cereja

Fruto doce do tamanho de uma dentada, enfiado em longos cachos que não param de vir toda a época, com nomes simpáticos como Sungold e Sweet 100.

Plantas companheiras

O tomate dá-se melhor ao lado de ervas aromáticas e flores que afastam as pragas, e pior junto dos seus primos solanáceos, que trocam as mesmas doenças entre si.

Plantar perto de

Manjericão: Estudos mostram que o manjericão pode reduzir os tripes no tomate e que a cultura intercalar pode favorecer o seu crescimento

Cravo-francês: Trava a população de mosca-branca das estufas através do limoneno libertado no ar quando plantado no início da época

Chagas: Planta não hospedeira que demonstrou reduzir o número de moscas-brancas no tomate

Manter longe de

Milho: A mesma lagarta ataca as espigas do milho e os frutos do tomateiro, pelo que a praga se multiplica em ambas as culturas; além disso, ambos são muito exigentes e competem pelos nutrientes

Batata: Mesma família das solanáceas; partilha a alternariose e o míldio, por isso evita plantar junto ou em sequência

Pimento: Parente solanáceo que partilha as doenças do tomate; evita a plantação lado a lado e na rotação

Beringela: Parente solanáceo que partilha com o tomate doenças e pragas do solo

Nogueira-preta: As raízes libertam juglona; o tomate é muito sensível, o que causa amarelecimento, murchidão e morte junto à copa

Como propagar

O tomate é uma das plantas mais fáceis de multiplicar, por isso não tenhas receio de experimentar, quer abras um pacote de sementes novo, quer tires cópias gratuitas de uma planta que já adoras.

SementeFácil

Dentro de casa 5-8 semanas antes da última geada · Germina em 5-10 dias a 24-29°C

Começar de semente é o caminho que a maioria dos jardineiros segue, e é um caminho lindo para aprender. Semeia dentro de casa 5 a 8 semanas antes da tua última geada, mantém o tabuleiro aconchegado a uns 24°C a 29°C, e vais ver pequenos rebentos a despontar em 5 a 10 dias. Quando chegar o dia da mudança, planta-os bem fundo e enterra parte do caule, porque cada porção enterrada lança raízes novinhas para ti.

Estacas de cauleFácil

Durante o crescimento ativo · Enraíza em 1-2 semanas em água ou solo húmido

Aqui vai um truque deliciosamente tolerante: o tomate copia-se a si mesmo quase sem esforço da tua parte. Parte um rebento ladrão saudável de uma planta em crescimento, mete-o num copo de água ou num vaso de terra húmida, e em uma ou duas semanas enraíza numa planta nova inteira, a cara chapada da que lhe deu origem.

Mitos

Mito

Espalhar cascas de ovo ou cálcio extra na terra cura a podridão apical.

Realidade

Ajuda saber que a questão está em como a planta transporta o cálcio, não em haver ou não o suficiente na terra. As cascas de ovo demoram demasiado a decompor-se para fazerem alguma diferença, e uma pulverização nas folhas nunca chega ao sítio de que o fruto precisa. Regar num horário calmo e regular é o que de facto resolve a situação.

Mito

Um pouco de sal de Epsom na cova de plantação dá plantas maiores e uma colheita mais farta.

Realidade

A não ser que a tua terra por acaso tenha pouco magnésio, o que raramente acontece, simplesmente não faz nada. Exagerar até pode fazer avançar a podridão apical, ao empurrar para o lado o cálcio com que o fruto está a contar.

Mito

Regar com sol lá fora queima a folhagem, já que cada gota funciona como uma pequena lente.

Realidade

Podes regar sem receio, porque as gotas secam muito antes de alguma vez conseguirem queimar uma folha. Folhas queimadas ou manchadas vêm de doenças, pragas ou do tempo, e nunca da luz do sol a atravessar uma gota de água.

Mito

Os cravos-de-defunto afastam todas as pragas da horta.

Realidade

A sua ajuda é real mas limitada. Os cravos-francês travam as moscas-brancas e podem aliviar um pouco a pressão dos tripes, mas não varrem as pragas todas, e muitos conselhos sobre plantas companheiras assentam mais na velha sabedoria de horta do que em ensaios cuidadosos.

Mito

Tirar até ao último rebento ladrão garante uma colheita maior de tomate.

Realidade

Nas variedades altas e trepadoras, aparar traz fruto mais cedo e maior, mas também te pode deixar uma colheita menor no total, além de um pouco mais de escaldão. Nas variedades baixas e arbustivas, o melhor que podes fazer é deixar os rebentos ficar.

Mito

Adubar com mais azoto traduz-se em mais fruto.

Realidade

Carrega no azoto e crias uma planta grande e folhuda que quase não dá fruto, e o pouco que dá racha mais depressa. Uma adubação suave e equilibrada vai servir-te muito melhor.

Fontes