Hortaliça · Fabaceae
Soja
Glycine max
Dá a esta leguminosa despretensiosa solo quente e sol, e ela enche as suas próprias vagens sem alarido.
Sol pleno
A cada 5–7 dias
15–35°C
75–100 dias

Visão geral
A soja é um membro da família das leguminosas que gosta de calor, e os jardineiros cultivam-na de duas formas: como edamame tenro e verde, colhido ainda na vagem, ou como grão seco, a base do tofu, do leite de soja e do óleo. O que a torna tão gentil para um principiante é que ela se alimenta sozinha. Pequenos nódulos radiculares associam-se a bactérias Rhizobium e retiram azoto diretamente do ar, e é por isso que a cultura pede tão pouco a ti ou ao teu solo. Os erros aqui costumam ser fáceis de corrigir, por isso não precisas de te sentir nervoso com a tua primeira plantação.
Não esperes nada complicado na sua forma. A soja cresce como um arbusto arrumado e ereto de 45 a 100 cm, com caules suavemente felpudos e vagens a inchar em pequenos cachos ao longo dos ramos. Recolhe as vagens ainda jovens e verde-vivas, e o jantar é edamame. Deixa-as mais tempo e secam mesmo na planta, até os grãos chocalharem soltos e se guardarem para cozinhar durante o inverno.
Há apenas uma regra a lembrar, e é fácil. Ao contrário do feijão-verde ou da ervilha de jardim, os grãos maduros de soja não são para mordiscar crus, porque contêm compostos naturais que atrapalham a digestão até o calor os desativar. Uma cozedura rápida é tudo o que é preciso, e depois cada grão está pronto para a mesa.
Cuidados
A versão resumida: a soja quer um local soalheiro e um solo quente e bem drenado, além de cerca de 2,5 cm de água por semana mantidos de forma constante enquanto floresce e enche as vagens. Dispensa a adubação pesada, porque esta leguminosa amigável fornece o seu próprio azoto.
Luz
Dá à soja um bom local soalheiro com oito ou mais horas de luz direta por dia e ela ficará contente. Em sombra mais profunda, as plantas tendem a esticar-se e a ficar ralas, e vais ver muito menos vagens pelo teu esforço.
Rega
Procura cerca de 2,5 cm de água por semana, e tenta mantê-la constante em vez de alternar entre excesso e falta, já que a planta depende mais de humidade estável enquanto floresce e enche as vagens. Tem apenas o cuidado de não deixar o canteiro encharcado, porque raízes ensopadas podem apodrecer.
Solo
A soja é fácil de agradar aqui: um solo franco bem drenado, solto com bastante matéria orgânica, é o ideal. Prefere um pH entre 6,0 e 6,8, a faixa suave, próxima do neutro, em que já assenta a maioria dos canteiros de jardim, por isso é bem provável que o teu solo já esteja quase lá.
Temperatura
Esta é, no fundo, uma planta que gosta de calor, confortável numa amplitude ampla de 15°C a 35°C. O solo frio atrasa a semente, por isso dá tempo ao terreno para aquecer e terás um início muito melhor.
Humidade
A humidade exterior normal, entre cerca de 40% e 70%, é suficiente, por isso não precisas de te preocupar com isso. O que importa mais é algum espaço para respirar, já que o ar fresco a circular entre as plantas evita que folhas húmidas e apertadas deem à ferrugem uma entrada fácil.
Adubação
Aqui podes ser poupado. Por ser uma leguminosa, a soja produz o seu próprio azoto nos nódulos radiculares, por isso um adubo de arranque com pouco azoto chega para a maioria dos solos, com um pouco de fósforo e potássio na plantação se o terreno for pobre. Se exageras no azoto, na verdade desligas esses nódulos úteis, por isso menos é mesmo mais.
Poda
Felizmente, não há absolutamente nada para podar. Basta arrancar as ervas daninhas cedo, enquanto as plantas ainda são pequenas, e trabalhar com cuidado à volta da base para não perturbares as raízes e os seus nódulos fixadores de azoto.
Tamanho e espaçamento
Já crescida, cada planta atinge 45 a 100 cm de altura e ocupa 30 a 60 cm de largura. Deixa um espaço confortável entre elas para o ar circular pelas fileiras, o que discretamente evita que as doenças se instalem.
Quando plantar
A soja gosta simplesmente de calor, e prefere esperar a nascer em solo frio e encharcado, por isso não há pressa nenhuma. Assim que a última geada tiver passado e o solo estiver estabilizado nos 16°C ou acima, semeia diretamente no canteiro. A partir daí, podes colher edamame no fim do verão, ou deixar as vagens secar na planta para guardar os grãos.
Hemisfério norte
Hemisfério sul
Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.
- Plantar: Semeia diretamente depois da última geada da primavera, quando o solo tiver aquecido a pelo menos 15 a 16°C; a soja germina mal em solo frio e húmido.
- Colher: Para edamame, colhe quando as vagens estiverem cheias e verdes-vivas e os grãos preencherem 80 a 90 por cento da vagem (por volta do estádio R6); para grão seco de soja, deixa na planta até as vagens e os grãos secarem e chocalharem.
Rusticidade
Temperatura: até -40°C
Resolução de problemas
Podes ficar tranquilo, porque a maioria dos problemas da soja anuncia-se nas folhas muito antes de se tornar grave, seja um besouro a mastigar, um afídeo pegajoso ou uma mancha ferrugenta. Um olhar rápido de vez em quando costuma bastar para apanhar as coisas ainda pequenas e fáceis de resolver. Encontra o teu sintoma abaixo e vais saber exatamente quando um pequeno empurrão ajuda.
Pequenas saliências cor de ferrugem sob as folhas e queda precoce de folhas
Pequenas saliências entre o acastanhado e o arruivado na face inferior das folhas, seguidas de amarelecimento e queda, são sinais de ferrugem-da-soja. Onde o clima a favorece, a doença pode espalhar-se rapidamente, por isso, se a ferrugem já for conhecida na tua região, vale a pena confirmar através do serviço local de diagnóstico agrícola. Apanhada cedo, um fungicida aprovado, aliado a limpar os restos infetados no fim da estação, evita que ela se adiante a ti.
Solução:
- Aplica um fungicida aprovado preventivamente ou à primeira deteção nas regiões onde a ferrugem ocorre
- Remove e destrói os restos gravemente infetados no fim da estação
Buracos irregulares e folhas rendilhadas e mastigadas
Dois besouros estão por trás da maior parte disto. Os besouros-das-folhas-do-feijão trazem um casaco avermelhado a acastanhado salpicado de pontos pretos, enquanto os escaravelhos-japoneses brilham num verde-bronze metálico. Numa plantação pequena, a solução calma é apanhá-los à mão para um frasco de água com detergente, e só recorrer a um inseticida aprovado se a mastigação ultrapassar cerca de 20 a 30 por cento das folhas durante o crescimento foliar, ou 10 a 15 por cento quando as vagens já estão a encher.
Solução:
- Apanha os besouros à mão para água com detergente em plantações pequenas
- Usa um inseticida aprovado apenas se a desfolha ultrapassar cerca de 20 a 30 por cento nas fases vegetativas ou 10 a 15 por cento durante o enchimento das vagens
Folhas pegajosas e aglomerados de pequenos insetos verdes
Esses pequenos aglomerados no crescimento novo e na face inferior das folhas são afídeos-da-soja, e a melada pegajosa que libertam costuma atrair formigas e uma camada de fumagina negra. A boa notícia é que, em número reduzido, costumam resolver-se sozinhos assim que as joaninhas chegam. Adia qualquer pulverização até a contagem se aproximar de 250 afídeos por planta e continuar a subir.
Solução:
- Tolera populações baixas, que os inimigos naturais costumam controlar
- Trata apenas quando as populações atingem limiares económicos (cerca de 250 afídeos por planta com contagem a subir)
Flores e vagens jovens a cair antes de formarem grão
Quando o tempo aquece e o solo seca durante a floração, a soja deixa cair as flores e as vagens minúsculas em vez de as manter. Isto é stress de calor e seca, e não uma doença, por isso não te preocupes achando que algo correu mal. Mantém o solo uniformemente húmido durante toda a floração e o enchimento das vagens, e uma camada de cobertura morta ajuda a manter tanto a temperatura como a humidade estáveis.
Solução:
- Mantém a humidade do solo constante durante a floração e o enchimento das vagens
- Cobre com cobertura morta para moderar a temperatura do solo e conservar água
Toxicidade
Nisto podes relaxar. A soja é, de fio a pavio, uma cultura alimentar e não um veneno, por isso um gato, cão, cavalo ou animal a pastar curioso não corre perigo nenhum perto dela, e a soja até aparece em muitas rações para animais de estimação. A única coisa a ter em conta pertence à cozinha, já que os grãos maduros precisam de uma boa cozedura antes de irem para a mesa.
Segura para
Pessoas · Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves
Gatos Nenhuma
Uma dentada numa folha de soja não representa perigo nenhum para um gato curioso, já que a ASPCA não classifica esta planta como tóxica para eles.
Cães Nenhuma
Os cães não sofrem qualquer mal com a soja, e esta é comum o suficiente para aparecer em algumas rações comerciais para animais de estimação.
Cavalos Segura
Pastar folhagem de soja não causa problema nenhum a um cavalo, e a farinha de soja é uma proteína familiar em muitas rações.
Coelhos Segura
Os coelhos lidam bem com as folhas, embora as vagens verdes e os grãos devam ser oferecidos com moderação, como parte de uma dieta variada.
Gado Segura
Vacas, cabras e ovelhas adaptam-se bem à soja, e os produtores cultivam-na amplamente para forragem e ração.
Aves Segura
As galinhas do quintal e outras aves podem comer soja, um ingrediente comum em muitas rações avícolas, embora os grãos maduros crus sejam melhor cozinhados primeiro.
Pessoas Segura
A soja é um alimento básico e segura para comer depois de cozinhada. Como os grãos maduros crus contêm inibidores de tripsina, ferve ou cozinha a vapor o edamame e os grãos secos antes de chegarem ao prato.
Esta é uma nota sobre a preparação dos alimentos, não um risco de envenenamento: os grãos de soja maduros e crus contêm inibidores de tripsina e lectinas e devem ser bem cozinhados antes de comer. O edamame é fervido ou cozinhado a vapor antes de ser consumido.
Variedades
A maioria dos jardineiros cultiva soja para edamame, e alguns nomes fiáveis aparecem uma e outra vez. Qualquer um dos abaixo é um ponto de partida simpático e seguro.
Midori Giant
Um edamame de grão grande muito apreciado, que recompensa com grãos grandes e doces e produções fiáveis e constantes.
Be Sweet
Um edamame precoce valorizado pelo seu sabor doce e pela facilidade em amadurecer mesmo onde a estação é curta.
Tohya
Um edamame arrumado e compacto, que se desenvolve bastante cedo e forma vagens com generosidade.
Envy
Um edamame de estação curta em que os jardineiros do norte confiam quando querem uma colheita precoce.
Plantas companheiras
A soja combina bem com o milho, que se alimenta do azoto que a leguminosa deixa no solo, mas amua ao lado de cebolas e alho, que travam o crescimento do feijão.
Plantar perto de
milho: O milho é um companheiro tradicional não competitivo que beneficia do azoto fixado pela leguminosa.
Manter longe de
cebola: Os alliums, como a cebola e o alho, podem inibir o crescimento do feijão e de outras leguminosas e não são recomendados perto da soja.
alho: Como outros aliáceos, o alho é referido como inibidor do crescimento das leguminosas e deve ficar fora do canteiro dos feijões.
Como propagar
Na prática, só há uma forma de começar a soja, e felizmente é a mais fácil: semear diretamente onde as plantas vão crescer.
SementeFácil
Semeia diretamente no fim da primavera, depois da última geada, quando o solo atingir pelo menos 15 a 16°C. · As plântulas normalmente emergem em 7 a 14 dias em solo quente.
A soja começa-se diretamente a partir da semente, e é um ponto de partida simpático. Espera até ao fim da primavera, depois de a última geada ter passado e o solo ter atingido pelo menos 16°C, e depois enterra cada semente a cerca de 2,5 a 4 cm de profundidade. Em solo quente, as plântulas despontam em 7 a 14 dias, e se a soja nunca cresceu na tua horta antes, revestir a semente com Rhizobium dá a esses nódulos fixadores de azoto um bom começo.
Mitos
É seguro comer soja crua diretamente da vagem, tal como se belisca ervilhas de jardim.
Não é bem assim, e é um engano fácil de fazer. Os grãos de soja maduros e crus contêm inibidores de tripsina e lectinas, por isso realmente precisam de ser cozinhados primeiro. Uma simples fervura ou vapor é como se prepara o edamame, e esse passo rápido deixa-o seguro e fácil de digerir.
A soja precisa de uma dose pesada de azoto para produzir bem, tal como muitos vegetais.
Felizmente, não. A soja associa-se a bactérias Rhizobium nas raízes e produz sozinha a maior parte do azoto de que precisa. O azoto extra é dinheiro deitado fora, e o excesso pode até desligar os próprios nódulos que fazem o trabalho.