Hortaliça · Fabaceae

Feijão-escarlate

Phaseolus coccineus

Um local soalheiro, algo alto para trepar e água que nunca falta são tudo o que esta trepadeira tolerante pede para produzir até à primeira geada.

Luz

Sol pleno

Rega

A cada 3–⁠7 dias

Calor

10–⁠25°C

Colheita

65–⁠75 dias

Tóxica para gatos e cães
Feijão-escarlate

Visão geral

Se esta for a tua primeira trepadeira hortícola, o feijão-escarlate é um bom sítio para começar. Cresce depressa e enrola-se sozinho, sendo cultivado tanto pelas suas flores vistosas como pelas vagens longas e tenras, e pertence à família das leguminosas. No clima ameno das zonas 7 a 11, as raízes carnudas sobrevivem ao inverno e a planta regressa como vivaz, embora não haja mal nenhum em tratá-la simplesmente como anual, como faz a maioria dos jardineiros. Dá-lhe um suporte alto onde se apoiar e ela trepará 1,8 a 3 m antes do fim da estação.

Do início do verão até à primeira geada, a trepadeira continua a produzir flores em tons de escarlate, branco ou numa bonita mistura de rosa e branco, e as abelhas e os beija-flores encontram-nas rapidamente. Cada flor fecundada transforma-se numa vagem verde, melhor colhida ainda jovem e tenra. Se algumas te escaparem e ficarem duras, não te preocupes, pois as sementes maduras lá dentro descascam-se em bons feijões para cozinhar frescos ou secar para mais tarde.

O feijão-escarlate é generoso com quem está a começar e perdoa facilmente um arranque instável. Retira o seu próprio azoto do ar, por isso precisa de muito pouca adubação, e assim que lhe dás algo a que se agarrar, trepa por conta própria. O que realmente lhe importa são verões frescos e humidade constante, porque um período de calor é a única coisa que faz as flores cair antes de formarem vagens.

Cuidados

A versão resumida: planta o feijão-escarlate a pleno sol com um suporte alto para trepar, mantém o solo fértil e bem drenado uniformemente húmido, com cerca de 2,5 cm de água por semana, e não exageres na adubação, já que a planta fixa o seu próprio azoto.

Luz

O feijão-escarlate está mais feliz a pleno sol, sem tolerância nenhuma para a sombra. Toda essa luz direta é o que alimenta o crescimento rápido e a longa sucessão de flores, por isso escolhe o canto mais luminoso e soalheiro que tiveres, e a planta agradecer-te-á.

Rega

Tenta dar-lhe cerca de 2,5 cm de água por semana e mantém o solo uniformemente húmido, sobretudo enquanto está em flor e a encher as vagens. Os solos arenosos drenam depressa e vão precisar de regas um pouco mais frequentes. Essa humidade constante é também a tua melhor aliada para manter as flores quando o tempo aquece.

Solo

Dá-lhe um solo fértil, franco e bem drenado, com um pH à volta de 6,0 a 7,0. Um pouco de composto incorporado antes de semear dá-lhe um arranque confortável, e as raízes profundas da trepadeira tratam do resto.

Temperatura

Instala-se melhor quando os dias andam entre os 10°C e os 25°C, por isso um verão fresco é mesmo o tempo que lhe convém. Quando o calor sobe acima disso, as flores tendem a cair antes de formarem vagens, por isso não te desanimes se um período de calor fizer parar a colheita.

Humidade

O ar comum do exterior, com uma humidade à volta dos 40% a 70%, é tudo o que este feijão pede. Não há nada para medir ou com que te preocupares aqui, basta deixar um pouco de espaço entre plantas para o ar fresco circular pelas folhas.

Adubação

Não exageres na adubação, porque esta planta produz o seu próprio azoto. Um adubo suave 5-10-10 incorporado na plantação é tudo o que precisa, e demasiado azoto só faz crescer folhagem à custa dos feijões que procuras.

Poda

Há muito pouca poda a fazer, o que é mais uma razão para quem está a começar se dar bem com esta planta. Quando a trepadeira atinge o topo do suporte, basta beliscar a ponta em crescimento para a incentivar a ramificar e a formar mais vagens, e continua a retirar as vagens já colhidas para manter a produção.

Mudança de vaso

O feijão-escarlate não é bem uma planta para vasos. O melhor que podes fazer é semeá-lo diretamente na horta, junto à base de um suporte alto, em vez de tentares criá-lo num recipiente.

Tamanho e espaçamento

Conta que a trepadeira atinja 1,8 a 3 m de altura, mantendo-se relativamente estreita na base, com uma expansão de apenas 30 a 60 cm. Coloca cada planta junto a um suporte forte e alto e deixa um pouco de espaço para o ar chegar às folhas.

Quando plantar

Não há pressa nem truque quanto à altura certa: basta esperar que passe a geada. Depois de passar a última geada da primavera e o solo aquecer até aos 10°C a 16°C, semeia diretamente na horta, e podes contar com a colheita de vagens jovens e tenras cerca de dois meses depois, até à primeira geada do outono.

Hemisfério norte

Sementeira mai
Floração jun–set
Colheita jul–out

Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.

  • Semear: Opcional: 2 a 3 semanas antes da última geada da primavera, em vasos biodegradáveis para evitar perturbar as raízes.
  • Plantar: Depois da última geada da primavera, quando o solo estiver pelo menos a 10 a 16°C.
  • Colher: Floresce do início a meados do verão até à geada; colhe as vagens jovens (10 a 15 cm) cerca de 65 a 75 dias após a sementeira.

Rusticidade

Temperatura: até -18°C

Resolução de problemas

Quase tudo o que pode correr mal com o feijão-escarlate aparece num de três sítios: nas flores, nas vagens ou nas folhas. A boa notícia é que estes sinais são fáceis de reconhecer, e detetá-los cedo costuma ser suficiente para salvares a colheita. Percorre os problemas abaixo, encontra o que corresponde à tua situação e age enquanto ainda faz diferença.

Revés

As flores caem antes de formarem vagens com o calor

Se as flores continuarem a abrir e a cair sem deixarem vagens, trata-se de queda de flores, e uma onda de calor é quase sempre a causa. Quando as temperaturas diurnas ultrapassam os 27°C a 32°C, o pólen deixa de funcionar e as flores caem antes de vingarem. Mantém as raízes frescas e regularmente regadas, cria uma sombra ligeira sobre as plantas à tarde quando faz muito calor, e não te preocupes, porque a formação de vagens volta por si assim que o tempo arrefece.

Solução:

  • Mantém o solo uniformemente húmido e aplica cobertura morta para moderar a temperatura junto às raízes
  • Proporciona uma sombra ligeira à tarde durante ondas de calor
  • Espera por tempo mais fresco, quando a formação de vagens normalmente retoma
Revés

As folhas ficam rendilhadas ou enrolam-se de forma deformada

Folhas roídas até ficarem rendilhadas, com larvas amarelas e roliças na página inferior, indicam normalmente o escaravelho-mexicano-do-feijão, enquanto rebentos jovens enrolados e cheios de pequenos insetos moles apontam para afídeos. Retira à mão os escaravelhos, as suas larvas e os agrupamentos de ovos alaranjados, remove os afídeos com um jato firme de água, e só recorre a sabão inseticida se a situação piorar mesmo. Fica atento desde cedo, cobre as plantas jovens com manta agrícola, e dá as boas-vindas às joaninhas, que discretamente fazem grande parte deste trabalho por ti.

Solução:

  • Retira à mão os escaravelhos, as larvas e os agrupamentos de ovos
  • Remove os afídeos com um jato forte de água
  • Aplica sabão inseticida em infestações fortes
Estético

As vagens ficam duras e fibrosas em vez de tenras

Quando as vagens ficam na planta durante demasiado tempo, tornam-se demasiado maduras, desenvolvendo as fibras e os fiapos que as fazem partir em vez de dobrar. A solução simples é colhê-las ainda jovens, com 10 a 15 cm, e espreitar as plantas a cada 2 a 3 dias para nenhuma ultrapassar essa fase tenra. Mesmo as que te escaparem não se perdem, pois podes descascá-las para obter feijões frescos ou secos.

Solução:

  • Colhe as vagens jovens, com 10 a 15 cm
  • Colhe a cada 2 a 3 dias para apanhares as vagens no auge da tenrura

Toxicidade

Podes ficar descansado quanto a isto. As vagens e os feijões cozinhados são um alimento saudável, e a planta viva não representa perigo para animais de estimação nem para o gado. A única coisa a vigiar são os feijões maduros crus, que contêm uma lectina natural chamada fito-hemaglutinina que pode perturbar o estômago, por isso cozinha bem as sementes secas e guarda-as onde um gato ou cão curioso não as possa engolir cruas.

Tóxica para

Gatos · Cães

Segura para

Pessoas · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves

Gatos Cuidado

Os gatos não constam da lista de tóxicos aqui, e a maioria passa ao lado de um pé de feijão-escarlate sem lhe ligar. A única coisa a vigiar são os feijões maduros crus, que contêm uma lectina capaz de causar vómitos ou diarreia num gato que engula alguns, por isso mantém as sementes secas bem fora do alcance das patas.

Cães Cuidado

O feijão-escarlate não é conhecido como tóxico para cães, mas um cão que engula feijões secos crus pode ficar com o estômago perturbado por causa dessa mesma lectina. As vagens e os feijões cozinhados caem-lhe bem, por isso só precisas de guardar as sementes cruas e maduras fora do alcance.

Cavalos Segura

Um cavalo a pastar perto não tem nada a temer desta planta. Tal como com qualquer leguminosa, é melhor não oferecer grandes quantidades de feijões secos crus, mas a planta em crescimento em si não representa uma ameaça real.

Coelhos Segura

Os coelhos podem mordiscar as folhas sem problema e sem sofrerem qualquer mal. Mantém-nos apenas afastados das sementes maduras cruas, que contêm a mesma lectina problemática, e deixa-os desfrutar da folhagem e das vagens jovens.

Gado Segura

Bovinos, cabras e ovelhas não correm perigo com a planta em crescimento. A única coisa a evitar é uma quantidade de feijões secos crus, que ficam muito melhor cozinhados do que servidos crus.

Aves Segura

As aves do quintal e as capoeiras dão-se bem junto ao feijão-escarlate. Evita atirar-lhes feijões secos crus às mãos-cheias, já que a semente crua é pesada para o intestino, mas as vagens e a folhagem não lhes causam problema nenhum.

Pessoas Segura

Para quem cozinha, as vagens e os feijões são um verdadeiro deleite e totalmente seguros depois de cozinhados. Os feijões maduros crus são a única exceção, pois contêm fito-hemaglutinina, por isso cozinha sempre bem as sementes secas antes de chegarem à mesa.

As sementes maduras (secas) cruas ou mal cozinhadas contêm fito-hemaglutinina, uma lectina que pode causar náuseas, vómitos e diarreia se ingerida em quantidade; cozinha bem as sementes. As vagens jovens, cozinhadas, são seguras.

Números de emergência

Portugal

CIAV (INEM): 800 250 250

Brasil

Disque-Intoxicação: 0800 722 6001

Variedades

Há apenas algumas variedades de feijão-escarlate a conhecer, distinguidas sobretudo pela cor das flores e por seres cultivado para a mesa, para a beleza ou para ambos. Vale a pena conheceres algumas variedades preferidas antes de semear.

Scarlet Emperor

Uma variedade antiga e muito apreciada, de flores escarlates, que fica pronta a colher em cerca de 75 dias e continua a dar longas vagens verdes em fartas vagas.

Painted Lady

Um tipo ornamental encantador, cultivado tanto pelas suas flores bicolores vermelhas e brancas como pelos feijões que produz.

De flor branca (p. ex. 'Czar' / 'Albus')

Uma escolha de duplo propósito, com flores brancas e sementes brancas e grandes, apreciada tanto como vagem fresca como feijão para descascar.

Plantas companheiras

O feijão-escarlate brilha na plantação das Três Irmãs, trepando pelo milho como suporte e devolvendo azoto tanto a este como à abóbora que se espalha por baixo.

Plantar perto de

milho: Na plantação das Três Irmãs, os caules do milho dão um suporte natural aos feijões trepadores, enquanto os feijões fixam azoto para o milho.

abóbora: Faz parte das Três Irmãs; a abóbora rastejante ensombra o solo e afasta pragas enquanto os feijões trepam pelo milho e fixam azoto.

Como propagar

Começar o feijão-escarlate dificilmente poderia ser mais fácil. As sementes vão diretamente para a terra e nascem sozinhas, sem necessidade de as demolhar, estratificar no frio ou complicar.

SementeFácil

Semeia diretamente no exterior depois da última geada da primavera, quando o solo atingir pelo menos 10 a 16°C. · Germina em 7 a 14 dias; começa a florir cerca de dois meses após a sementeira.

Enterra as sementes a 2,5 a 4 cm de profundidade, mesmo junto à base de um suporte alto, depois de passar a geada e o solo aquecer até aos 10°C a 16°C. Vão nascer em 7 a 14 dias e começar a florir cerca de dois meses depois, por isso não há realmente necessidade de as antecipar, embora possas semear em interior 2 a 3 semanas antes se quiseres ganhar avanço na estação. Em zonas mais amenas, podes até desenterrar as raízes tuberosas e carnudas no outono e guardá-las durante o inverno para uma colheita mais precoce no ano seguinte.

Mitos

Mito

O feijão-escarlate é tóxico, por isso não é seguro para comer.

Realidade

As vagens jovens cozinhadas são uma hortícola do dia a dia que inúmeros jardineiros cultivam e comem sem qualquer preocupação. O único risco real está nas sementes maduras secas cruas ou mal cozinhadas, que contêm fito-hemaglutinina e podem causar mal-estar estomacal. Cozinha bem os feijões secos e ficam completamente seguros para comer.

Mito

O feijão-escarlate só produz bem com muita adubação azotada.

Realidade

Tal como as outras leguminosas, o feijão-escarlate recolhe o seu próprio azoto diretamente do ar graças às bactérias Rhizobium que vivem nas suas raízes, por isso precisa de muito pouca ajuda da tua parte. Se o adubares em excesso, só vais fazer crescer uma selva de folhas em vez de feijões, pois toda essa exuberância acontece à custa das vagens.

Fontes