Hortaliça · Dioscoreaceae
Inhame
Dioscorea
Com calor, um tutor alto e um pouco de paciência, o inhame recompensa-te com tubérculos grandes e fáceis de guardar.
Sol pleno
A cada 5–7 dias
20–30°C
240–330 dias

Visão geral
Se nunca cultivaste inhame antes, estás em boa companhia com cozinheiros de África, Ásia e das Caraíbas que dependem desta trepadeira tropical volúvel há milhares de anos. Cultiva-se pelos tubérculos amiláceos que incham debaixo da terra, e pertence ao género Dioscorea, uma planta bem distinta da batata-doce que continua a pedir-lhe emprestado o nome. A maior parte dos inhames do mundo é cultivada na África Ocidental e Central, grande parte deles o inhame-branco-da-Guiné, por isso estás a juntar-te a uma tradição muito antiga e tolerante.
São plantas generosas e de bom tamanho, por isso não tenhas receio de lhes dar espaço. As ramas trepam até 2,1 m e alcançam ainda mais altura com um suporte forte, e é por isso que se coloca um tutor alto e resistente logo na plantação. Debaixo da terra os tubérculos podem crescer surpreendentemente grandes, e um inhame-alado passa por vezes dos 45 kg, embora os inhames que a maioria das pessoas cultiva para a cozinha fiquem muito mais pequenos e fáceis de manusear.
O que um inhame realmente te pede é calor e paciência. Funciona como uma cultura de estação quente ao longo de um período de 8 a 11 meses, por isso instala-se bem onde a geada não chega, ou com um avanço dentro de casa quando a tua estação é curta. Uma vez cozinhado, o tubérculo torna-se um alimento base reconfortante e nutritivo, mas lembra-te de que nunca deve ser comido cru.
Cuidados
A versão resumida: dá ao teu inhame sol pleno, solo quente e um tutor alto colocado logo na plantação, e ele cuida de si mesmo. Mantém esse solo profundo, solto e bem drenado sempre húmido durante toda a época, aduba-o mensalmente com bastante potássio, e reduz a rega aos poucos à medida que as ramas amarelecem perto da colheita.
Luz
O teu inhame estará mais feliz em sol pleno, que alimenta tanto a longa trepada como o desenvolvimento dos tubérculos por baixo. Aguenta um pouco de meia-sombra se for o que tens, embora o crescimento fique mais fraco e a colheita menor, por isso dá-lhe o local mais luminoso que conseguires.
Rega
Procura manter o solo sempre húmido durante toda a longa estação de crescimento, enquanto as ramas e os tubérculos se desenvolvem, o que normalmente significa regar a cada 5 a 7 dias. À medida que a folhagem começa a amarelecer perto da colheita, podes reduzir bastante a rega, e tenta não deixar o solo encharcado, pois é o solo ensopado que apodrece os tubérculos.
Solo
Dá às raízes uma terra franco-arenosa profunda, solta e bem drenada, com bastante matéria orgânica, para que os tubérculos se possam esticar sem bifurcar. Um pH ligeiramente ácido de 5,5 a 6,5 mantém-nos satisfeitos, e se o teu solo for pesado, camalhões ou socalcos suaves vão ajudar a água a escoar-se.
Temperatura
Lembra-te de que, no fundo, são plantas tropicais, mais confortáveis entre 20°C e 30°C. Não têm nenhuma paciência para a geada, por isso espera até o solo estar genuinamente quente por dentro antes de colocares os propágulos.
Humidade
Os inhames apreciam ar húmido, algures entre 60% e 90%, o que combina com as suas origens tropicais. Junta essa humidade a um espaçamento arejado e a um entutoramento arrumado, porque folhagem apertada e molhada é exatamente o que a antracnose adora.
Adubação
Aduba uma vez por mês ao longo da estação de crescimento com um fertilizante equilibrado rico em potássio, já que é o potássio que constrói tubérculos fortes e saudáveis. Pouco e com frequência ao longo da longa estação faz muito mais bem do que uma dose forte e única.
Poda
Felizmente, há muito pouca poda a fazer aqui. Guia as ramas volúveis por um tutor alto e resistente, ou estacas, colocados na plantação, e depois basta remover folhas mortas ou doentes e manter as ramas afastadas do chão.
Tamanho e espaçamento
No suporte, as ramas podem trepar entre 2 a 9 m, enquanto cada planta se alarga cerca de 60 a 120 cm na base. Dá-lhes esse espaço sem qualquer receio, porque uma boa circulação de ar deixa muito menos espaço para as doenças se instalarem.
Quando plantar
O inhame segue o seu próprio calendário tranquilo, construído em torno do calor e de um ciclo longo. Se os teus verões forem curtos, dá aos propágulos um avanço dentro de casa algumas semanas antes, e só os muda para o exterior depois de passar a geada e o solo estar quente. Cerca de 8 a 11 meses depois, quando as ramas amarelecerem e murcharem, os teus tubérculos estarão prontos para colher.
Hemisfério norte
Hemisfério sul
Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.
- Semear: Em climas frios, pré-germina os pedaços de tubérculo-semente (propágulos) em condições quentes e sombrias, cerca de 4 a 6 semanas antes de plantar no exterior.
- Plantar: Planta os propágulos no exterior depois de passar todo o risco de geada e com o solo quente (aproximadamente em meados ou no final da primavera); instala um tutor alto ou estacas na altura da plantação.
- Colher: Colhe os tubérculos 8 a 11 meses depois da plantação, quando as ramas amarelecem e murcham.
Rusticidade
Temperatura: até -7°C
Resolução de problemas
A maioria dos contratempos com inhames aparece num de dois lugares: nas folhas durante o tempo abafado e húmido, ou nos tubérculos quando os desenterras. A boa notícia é que detetar os problemas das folhas cedo e preparar bem o solo antes de plantar evita a maior parte. Encontra abaixo o sintoma da tua planta, age enquanto ainda faz diferença, e sabe que a maioria dos contratempos tem solução.
Manchas escuras e queimadas a avançar pelas folhas
Não entres em pânico se vires isto: é antracnose do inhame, a doença foliar mais grave do inhame-de-água, e instala-se quando o tempo quente e húmido encontra uma copa apertada e fechada. As manchas escuras costumam começar mais em baixo e subir, e podem passar para os caules se forem ignoradas. Remove as folhas mais afetadas, abre as ramas com espaçamento mais largo e um entutoramento organizado, e conta com variedades tolerantes e material de plantação limpo para levares a melhor.
Solução:
- Remove e destrói a folhagem muito infetada
- Melhora a circulação de ar com espaçamento e um entutoramento organizado
- Planta variedades tolerantes e aplica um fungicida adequado quando justificado
Tubérculos pequenos, bifurcados ou moles quando os desenterras
Se os tubérculos saírem deformados ou moles, a causa costuma ser solo húmido ou compactado, e por vezes nemátodos-das-galhas a roer as raízes em desenvolvimento. O solo pesado e encharcado apodrece a polpa, enquanto o solo pedregoso ou raso faz com que se bifurque e torça. Cultiva em camalhões profundos, soltos e bem drenados, colhe a cultura assim que as ramas murcharem, e deixa os tubérculos curar num local seco e arejado antes de os armazenares.
Solução:
- Colhe prontamente assim que as ramas murcharem e cura os tubérculos num local seco e arejado
- Deita fora os tubérculos apodrecidos
- Roda a cultura para fora do solo infestado e melhora a drenagem antes de replantar
Folhas roídas e pequenas pragas a juntarem-se na rama
Folhas desfiadas e esburacadas costumam apontar para escaravelhos que se alimentam das folhas, enquanto pequenos aglomerados pegajosos escondidos nas axilas das folhas são cochonilhas-algodão ou cochonilhas moles a sugar a seiva. Uma olhadela rápida à face inferior das folhas e às axilas dos caules diz-te qual dos visitantes tens. Lava com a mangueira ou apanha à mão os casos ligeiros, recorre a sabão inseticida nos mais persistentes, e mantém as plantas fortes e saudáveis para que consigam suportar o dano.
Solução:
- Apanha à mão ou lava com a mangueira as infestações ligeiras
- Trata surtos persistentes com sabão inseticida ou um inseticida adequado
- Incentiva os predadores naturais
Toxicidade
Não há nada com que te preocupares em relação ao inhame cozinhado, que é um alimento seguro e do dia a dia. O tubérculo cru é a parte a respeitar: a polpa crua contém saponinas amargas e cristais que irritam a pele, e espécies selvagens ou amargas contêm o alcaloide tóxico dioscorina. Cozinha sempre o inhame antes de chegar ao prato, mantém tubérculos crus e aparas fora do alcance de animais de estimação e crianças, e lava as mãos depois de manusear polpa crua cortada.
Tóxica para
Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves
Segura para
Pessoas
Gatos Cuidado
Uma dentada num tubérculo cru ou numa rama pode deixar um gato a babar-se e sem apetite por algum tempo, por isso é melhor mantê-lo afastado. Só vale a pena oferecer um pouco de inhame cozinhado.
Cães Cuidado
Se um cão mastigar o tubérculo cru ou as folhas, espera algum babar ligeiro e um estômago enjoado, já que a polpa crua contém saponinas amargas e cristais irritantes.
Cavalos Cuidado
Mantém o tubérculo cru e as ramas fora do alcance dos cavalos, pois uma dentada pode deixar um deles com um ligeiro mal-estar digestivo.
Coelhos Cuidado
O inhame cru é demasiado forte e rico em saponinas para o estômago sensível de um coelho, por isso mantém-te aos vegetais habituais e deixa os tubérculos e a folhagem bem longe da coelheira.
Gado Cuidado
Bovinos, cabras e ovelhas podem mordiscar a folhagem ou um tubérculo cru perdido, o que pode causar um mal-estar de estômago passageiro, mais ainda com os tipos selvagens e amargos.
Aves Cuidado
As aves de capoeira podem reagir a restos e cascas de tubérculo cru, por isso mantém as aparas fora do galinheiro e cozinha tudo o que decidires partilhar.
Pessoas Tubérculo cozido seguro
O inhame cozinhado é um alimento base nutritivo apreciado em todo o mundo. Nunca comas o tubérculo cru, lixivia e cozinha bem os tipos amargos ou selvagens, e lava as mãos depois de manusear polpa crua cortada, que pode irritar a pele.
Cozinha sempre o inhame antes de comer e nunca comas o tubérculo cru. Os inhames selvagens e amargos contêm dioscorina e podem precisar de demolha/lixiviação além de cozedura longa para serem seguros. Manusear tubérculos crus cortados pode irritar a pele.
Números de emergência
Portugal
CIAV (INEM): 800 250 250
Brasil
Disque-Intoxicação: 0800 722 6001
Variedades
O inhame é na verdade todo um género de espécies comestíveis, e não uma fileira arrumada de variedades de jardim, por isso os nomes abaixo são espécies que vais encontrar, e não variedades com nome. Estas são as principais que vale a pena conhecer para começares.
Dioscorea alata (inhame-de-água / alado / maior)
Este é o inhame mais cultivado em todo o mundo, fácil de reconhecer pelos seus caules quadrangulares e alados e pelos tubérculos muito grandes, que podem ir do branco ao roxo por dentro.
Dioscorea rotundata (inhame-branco-da-Guiné)
O alimento base que sustenta grande parte da África Ocidental e Central, precisamente a região que produz a grande maioria dos inhames do mundo.
Dioscorea esculenta (inhame-menor)
Uma pequena trepadeira espinhosa que produz tubérculos menores e tenros, com um sabor mais doce do que os inhames maiores.
Dioscorea bulbifera (batata-do-ar)
Cultivada sobretudo pelos bulbilhos aéreos que salpicam as suas ramas, embora muitas formas sejam amargas e tóxicas, e tenha-se tornado invasora por todo o sudeste dos Estados Unidos.
Como propagar
Eis a parte tranquilizadora: os inhames nascem dos próprios tubérculos, e não de sementes complicadas. Assim que tiveres material de plantação limpo e saudável, começar uma nova cultura é realmente muito simples.
Bolbos e cormosModerada
Primavera, depois de passar o risco de geada e com o solo quente · 3 a 6 semanas para germinar
Os inhames começam a partir de propágulos, que são simplesmente pedaços de tubérculo-semente ou pequenos tubérculos inteiros de cerca de 100 a 300 gramas, colocados em solo quente na primavera, depois de passar a geada. Se os pré-germinares primeiro num local quente e sombrio, arrancam mais depressa, e de qualquer forma demoram cerca de 3 a 6 semanas a germinar.
Bolbos e cormosModerada
Primavera · 3 a 6 semanas para germinar
Algumas espécies, como D. alata e D. bulbifera, também formam pequenos bulbilhos aéreos nas axilas das folhas. Recolhe-os e planta-os na primavera tal como pequenos tubérculos, e vão germinar dentro do mesmo prazo de 3 a 6 semanas.
Mitos
Inhame e batata-doce são apenas dois nomes para o mesmo vegetal.
É uma confusão fácil de fazer, mas um verdadeiro inhame é uma Dioscorea da família Dioscoreaceae e não tem qualquer relação com a batata-doce, que é a Ipomoea batatas, da família das campainhas. Aliás, a maior parte do que é vendido como "yam" nos supermercados dos Estados Unidos é na realidade batata-doce, por isso o rótulo não te ajuda nada.
Um tubérculo de inhame pode ser comido cru, tal como sai da terra, como uma cenoura.
Este é um ponto a levar a sério. O inhame cru contém saponinas amargas e cristais que irritam a pele, e espécies selvagens ou amargas guardam o alcaloide tóxico dioscorina, por isso os inhames têm sempre de ser cozinhados primeiro. Alguns tipos selvagens precisam mesmo de demolha e lixiviação antes de serem seguros para comer.