Hortaliça · Asteraceae
Salsifi
Tragopogon porrifolius
Não deixes o salsifi intimidar-te: dá-lhe solo solto e profundo, e uma estação fresca e paciente, e ele recompensa-te com uma raiz doce que lembra ligeiramente a ostra.
Sol pleno
A cada 4–7 dias
10–25°C
110–150 dias

Visão geral
Não te deixes intimidar pela fama do salsifi. Cultiva-se pela sua raiz principal longa e fina, de sabor suave que lembra ostras às pessoas, e é daí que vem a velha alcunha de planta-ostra. A planta pertence à família das margaridas e é prima próxima do dente-de-leão comum, por isso numa segunda estação lança as suas próprias flores roxas em forma de estrela. A maioria dos cultivadores limita-se a colher as raízes antes de chegar a essa fase, e fazer o mesmo não tem nada de difícil.
Eis a parte animadora: o salsifi pede muito mais paciência do que jeito para a jardinagem. Precisa de uma estação fresca e sem pressas de cerca de quatro a cinco meses, e a raiz só sai lisa e direita quando o solo por baixo é profundo e solto. Dedica o teu esforço a preparar bem esse canteiro e o resto trata praticamente de si mesmo, pois o salsifi ignora a maioria das pragas e quase nunca precisa de mimos.
Melhor ainda, a recompensa só chega tarde no ano, quando já te podes ter quase esquecido dela. Algumas geadas de outono adoçam as raízes, que ficam bem guardadas na terra durante todo o inverno, por isso podes arrancá-las frescas em qualquer dia em que o solo esteja suficientemente macio para cavar. Se numa primeira tentativa saírem uma ou duas raízes bifurcadas, não te preocupes, pois até essas são perfeitamente boas para comer.
Cuidados
A versão resumida: dá ao salsifi sol pleno e um canteiro profundo, solto e sem pedras, bem trabalhado antes de semear. Rega-o com cerca de 2,5 a 5 cm de água por semana para que as raízes cresçam direitas, semeia cedo para aproveitar uma estação fresca, e espera para arrancar até as primeiras geadas terem adoçado as raízes. Nada disto é complicado.
Luz
Dá ao salsifi um local com sol pleno sempre que possível, embora tolere alguma sombra parcial e ainda assim te dê uma boa colheita. Cada hora extra de sol que as folhas captam alimenta diretamente a raiz em crescimento.
Rega
Procura dar cerca de 2,5 a 5 cm de água por semana e tenta manter o solo uniformemente húmido durante toda a estação. É essa humidade constante que evita que as raízes bifurquem ou rachem, por isso faz o possível para não deixar o canteiro alternar entre completamente seco e encharcado.
Solo
Se houver uma coisa em que valha a pena esmerares-te, é o solo, pois é ele que realmente molda a colheita. O salsifi anseia por terra solta, profunda e sem pedras, rica em matéria orgânica, trabalhada a uma boa profundidade de 30 a 60 cm para que a raiz principal desça direita sem encontrar pedras. Um pH entre 6,0 e 7,5 mantém-no satisfeito.
Temperatura
É, na essência, uma raiz de estação fresca, mais feliz a crescer algures entre 10°C e 25°C. O frio não a incomoda minimamente, e uma geada tardia até faz um favor às raízes, adoçando o seu sabor.
Humidade
O ar exterior normal, com cerca de 40% a 70% de humidade, serve bem ao salsifi, por isso não é motivo de preocupação. O que mais importa é a circulação do ar, pois condições húmidas e paradas podem convidar a ferrugem branca a instalar-se nas folhas.
Adubação
Mistura algum composto ou um adubo equilibrado no canteiro antes de semear, e isso costuma bastar para o ano todo. Evita, no entanto, estrume fresco, pois tende a fazer as raízes bifurcar e criar raízes secundárias em forma de barba.
Poda
Felizmente, não há poda regular a manter. Nesse primeiro ano, tudo o que precisas de fazer é cortar qualquer haste floral assim que a vires, o que mantém a planta a enviar energia para a raiz em vez de a gastar em sementes.
Mudança de vaso
not_applicable
Tamanho e espaçamento
Depois de lançarem as hastes florais, as plantas atingem 30 a 122 cm de altura, com uma base estreita de apenas 15 a 30 cm. Deixa um pequeno espaço entre elas para que cada raiz tenha espaço para engrossar sem incomodar as vizinhas.
Quando plantar
O salsifi segue o seu próprio calendário lento, e isso não é problema. Semeia diretamente no local definitivo no início da primavera, assim que o solo se desfizer solto na tua mão, e deixa as raízes crescerem tranquilamente ao longo de uma estação fresca de quatro a cinco meses. Começa a arrancar no outono, depois de uma ou duas geadas as terem adoçado, e como as raízes se conservam bem debaixo da terra, não precisas de colher tudo de uma só vez.
Hemisfério norte
Hemisfério sul
Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.
- Plantar: Sementeira direta no início da primavera, assim que o solo puder ser trabalhado (cerca de 2 a 4 semanas antes da última geada); o salsifi precisa de uma estação de crescimento longa e fresca.
- Colher: Colhe as raízes no outono, depois das primeiras geadas, que as adoçam; as raízes podem passar o inverno na terra e ser arrancadas ao longo do inverno ou início da primavera enquanto o solo estiver trabalhável.
Rusticidade
Temperatura: até -29°C
Resolução de problemas
Podes ficar tranquilo: o salsifi raramente dá muitos problemas, e os poucos que surgem começam quase sempre debaixo da terra ou com o tempo. Raízes bifurcadas e subida precoce a flor são as queixas mais comuns, e ambas se resolvem ao nível do canteiro e da altura da sementeira. Encontra o teu sintoma abaixo, resolve a causa com calma, e a tua colheita vai correr bem.
Uma haste floral precoce e uma raiz lenhosa no primeiro ano
Por vezes o salsifi sobe a flor, ou seja, lança precocemente uma haste floral logo no primeiro ano, enquanto a raiz se torna lenhosa e difícil de apreciar. O calor, os períodos secos ou a sementeira tardia num solo já quente são os desencadeadores habituais. Semeia cedo para que a planta aproveite uma estação fresca e prolongada, corta as hastes florais assim que surgirem, e arranca as raízes ainda boas antes de endurecerem.
Solução:
- Remove as hastes florais assim que aparecem
- Colhe as raízes ainda aproveitáveis antes de se tornarem lenhosas
Raízes mordiscadas e pequenos túneis nos canteiros de inverno
Para um rato ou ratazana-do-campo esfomeado, as raízes deixadas na terra durante o inverno são uma refeição fácil, e deixam pequenos túneis ao longo das linhas e raízes ocas atrás de si. A solução mais simples é simplesmente arrancar e armazenar as raízes antes de a população de roedores aumentar. Se preferires deixá-las no canteiro, controla bem a cobertura de mulch e coloca alguns dispositivos de controlo de roedores nas margens.
Solução:
- Colhe e armazena as raízes antes da maior pressão de roedores no inverno
- Controla a cobertura de mulch e usa dispositivos de controlo de roedores à volta do canteiro
Raízes que bifurcam, racham ou criam raízes secundárias em forma de barba
Se as tuas raízes saírem bifurcadas, não te culpes, porque a causa é quase sempre o canteiro e não o jardineiro. Pedras, solo compactado, ou terra que não foi cavada suficientemente fundo desviam a raiz principal do seu caminho, e a rega irregular ou o estrume fresco só pioram a situação. Solta o solo a uma profundidade de 30 a 60 cm, retira as pedras, mantém a rega constante, e da próxima vez essas raízes vão descer longas e lisas.
Solução:
- Trabalha o solo em profundidade (30-60 cm) e remove as pedras antes de semear
- Mantém uma humidade constante de 2,5 a 5 cm de água por semana
- Melhora o solo com composto em vez de estrume fresco
Bolhas pálidas ou uma película branca e pulverulenta na folhagem
Quando as folhas ficam húmidas e apertadas, podem instalar-se a ferrugem branca e o oídio, surgindo como pequenas bolhas brancas ou uma poeira branco-acinzentada. Retira e deita fora as folhas afetadas, desbasta as plantas para que o ar circule entre elas, e tenta manter a folhagem seca. Mudar a cultura para um local novo todos os anos evita que o problema se instale.
Solução:
- Remove e elimina a folhagem afetada
- Melhora a circulação de ar e reduz a humidade sobre a folhagem
- Faz rotação da cultura para um canteiro novo
Pequenos aglomerados moles e manchas pegajosas nas folhas
Os afídeos por vezes instalam-se nas folhas e caules em pequenos aglomerados moles, deixando uma película pegajosa de melada enquanto se alimentam. Um jato firme de água da mangueira arrasta a maioria, e um pouco de sabão inseticida afasta uma colónia mais persistente. Verifica as plantas de vez em quando, e confia nos predadores naturais para ajudarem.
Solução:
- Remove com um jato forte de água
- Aplica sabão inseticida se necessário
Toxicidade
Aqui podes relaxar por completo, porque o salsifi é cultivado para ser comido e todas as suas partes são seguras. As raízes, os rebentos e as folhas jovens são todos bons para comer, e a planta é inofensiva junto de animais de estimação, gado e crianças. A única coisa a referir é a seiva branca e leitosa das raízes cortadas, que pode manchar as mãos mas não faz mal a ninguém.
Segura para
Pessoas · Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves
Gatos Nenhuma
O salsifi não consta na lista de plantas tóxicas da ASPCA, por isso um gato curioso que mastigue uma folha não tem nada com que se preocupar. A seiva leitosa pode deixar uma marca na pata, mas não faz mal nenhum.
Cães Nenhuma
Um cão que desenterre e roa as raízes não sofre qualquer mal, já que nenhuma parte do salsifi é venenosa. Como acontece com qualquer vegetal, uma quantidade muito grande pode soltar um pouco o estômago, mas a planta em si é totalmente segura.
Cavalos Segura
Os cavalos podem pastar o salsifi sem qualquer receio, pois a planta não contém nenhuma toxina que os possa incomodar.
Coelhos Segura
Os coelhos podem mordiscar as folhas tenras e as raízes à vontade, e muitos apreciam estas verduras frescas. Introduz apenas qualquer verdura nova na dieta deles de forma gradual, para que a digestão se mantenha estável.
Gado Segura
Vacas, cabras e ovelhas podem comer salsifi no campo sem qualquer efeito adverso, o que em parte explica por que se espalha por terrenos de pastagem. Simplesmente não há aqui toxina alguma com que te preocupares.
Aves Segura
As aves podem bicar as sementes e as folhas à vontade, já que a planta não representa qualquer perigo para elas. As galinhas do quintal também podem partilhar felizmente das aparas.
Pessoas Segura
O salsifi é uma cultura alimentar, e as suas raízes, rebentos e folhas jovens são todos bons no prato. O único incómodo menor é o látex branco e pegajoso das raízes cortadas, que se lava facilmente das mãos.
As raízes e os caules cortados libertam um látex branco e leitoso (típico da família das margaridas) que pode manchar as mãos; lava-as depois de manuseares a planta.
Variedades
Na maioria dos jardins só vais encontrar dois tipos de salsifi, o que torna a escolha simples. Dividem-se numa variedade de cozinha mais refinada e na espécie selvagem mais rústica, e estas duas são tudo o que precisas de saber.
Mammoth Sandwich Island
Esta é a favorita de raiz branca que vais encontrar com mais frequência, apreciada pelas suas raízes longas, lisas e uniformemente afiladas, e por aquele suave sabor a ostra pelo qual o salsifi é famoso.
Salsifi comum (roxo)
A forma selvagem original, que lança flores roxo-malva semelhantes às do dente-de-leão na sua segunda estação, sobre raízes com a mesma polpa branca.
Como propagar
Só há mesmo uma forma de começar o salsifi, e felizmente é a mais simples: semear diretamente no local definitivo. A longa raiz principal não gosta de ser levantada e mudada de sítio, por isso evitar o transplante é um favor para os dois.
SementeFácil
Sementeira direta no início da primavera, assim que o solo puder ser trabalhado · Germina em cerca de 8 a 10 dias; as raízes atingem o tamanho de colheita em cerca de 110 a 150 dias
Semeia o salsifi diretamente no canteiro definitivo no início da primavera, assim que a terra se tornar trabalhável, pois aquela longa raiz principal detesta ser perturbada. As plântulas costumam nascer em cerca de 8 a 10 dias, e as raízes engrossam depois ao longo de um período fresco e prolongado de cerca de 110 a 150 dias. Usa sempre semente nova a cada ano, pois a semente de salsifi perde depressa o vigor de uma estação para a outra.
Mitos
O salsifi e a escorcioneira são apenas dois nomes para a mesma planta.
Podem parecer semelhantes depois de cozinhados, mas são duas espécies distintas. O salsifi aqui descrito é o Tragopogon porrifolius, de raízes de pele clara e flores roxas, enquanto a escorcioneira é a Scorzonera hispanica, de raízes de pele escura e flores amarelas.
É preciso arrancar as raízes do salsifi antes da geada, ou estragam-se.
É precisamente o contrário. A geada adoça as raízes em vez de as estragar, por isso podes perfeitamente deixá-las onde crescem e ir arrancando-as ao longo do inverno ou até ao início da primavera, enquanto o solo se mantiver suficientemente macio para trabalhar.