Hortaliça · Polygonaceae
Ruibarbo
Rheum rhabarbarum
Dá ao ruibarbo um lugar uma vez e ele recompensa-te durante anos, enviando talos vermelhos e ácidos a cada primavera, enquanto essas grandes folhas não pedem mais do que um pouco de espaço.
Sol pleno
A cada 5–10 dias
365–730 dias
até -40°C

Visão geral
O ruibarbo é uma das culturas mais amigáveis que podes plantar, e perdoa os pequenos erros que todo o jardineiro novato comete. Os seus talos ácidos, vermelhos e verdes, cozinham-se em tartes, crumbles e compotas, e é exatamente por isso que ganhou o antigo nome caseiro de planta-das-tartes. Pertence à família das poligonáceas e ri-se do frio que acabaria com a maioria dos vegetais, aguentando invernos até -40°C.
A principal coisa que o ruibarbo pede é um pouco de paciência, e isso é fácil de dar. Instala uma touceira no solo e ela torna-se numa planta perene de vida longa, lançando talos novos a cada primavera durante uma década ou mais antes de precisar de ser dividida. Deixa-a descansar nesse primeiro ano e colhe apenas um pouco no segundo, e a partir do terceiro ano ela devolve-te mais do que consegues usar.
Na verdade há apenas uma regra a ter em mente, e é fácil de seguir: come os talos e deixa as folhas. Essas grandes folhas contêm ácido oxálico e são tóxicas tanto para pessoas como para animais, por isso corta-as e deita-as fora. Habitua-te a este único hábito e vais descobrir que o ruibarbo é praticamente o mais tolerante que a jardinagem oferece.
Cuidados
A versão resumida: dá ao ruibarbo sol pleno, solo profundo e fértil, e humidade constante, com cerca de 2,5 cm de água por semana, e ele instala-se facilmente. Alimenta-o no início da primavera, assim que a touceira acorda, cobre-o com uma camada de cobertura morta para manter o fresco, e levanta e divide a touceira a cada poucos anos para que os talos continuem a crescer fortes.
Luz
O ruibarbo dá o seu melhor com sol pleno, embora se aguente com meia-sombra onde os verões são quentes. Quanto mais luz absorve, mais grossos e generosos ficam os talos, por isso escolhe um local claro e aberto sempre que possível.
Rega
Procura manter o solo uniformemente húmido mas nunca encharcado, o que corresponde a cerca de 2,5 cm de água por semana. Rega mais profundamente durante períodos quentes e secos, e coloca uma camada espessa de cobertura morta orgânica sobre o canteiro para reter essa humidade e manter a touceira agradavelmente fresca.
Solo
Planta o ruibarbo num solo franco profundo, fértil e bem drenado, enriquecido com matéria orgânica, e ele vai agradecer-te. Um pH entre 6,0 e 6,8 convém-lhe bem, e a boa drenagem é a única coisa que ele verdadeiramente não perdoa, já que uma touceira deixada em solo húmido apodrece.
Temperatura
O frio não é motivo de preocupação aqui: o ruibarbo aguenta tudo entre -40°C e 30°C. Na verdade, depende de um verdadeiro frio de inverno para descansar e regressar forte a cada primavera, por isso tende a definhar em locais onde os verões se mantêm quentes.
Humidade
A humidade exterior comum, entre 40% e 60%, é tudo o que o ruibarbo precisa, por isso não há nada para medir ou com que te preocupar. O que mais importa é o ar circular livremente à volta dessas grandes folhas, porque a folhagem apinhada e húmida é o que convida à mancha foliar.
Adubação
Aduba o ruibarbo uma vez no início da primavera, mesmo quando a touceira sai do repouso, usando um fertilizante equilibrado ou estrume bem compostado. É uma planta exigente, por isso um solo rico aliado a essa adubação anual de primavera é o que mantém os talos grossos e vale a pena colher.
Poda
Assim que surgir um talo floral central, corta-o junto à base, ou a planta vai gastar as suas forças a produzir sementes em vez de talos. Retira também quaisquer folhas mortas, amareladas ou danificadas pela geada, e deita sempre essas folhas tóxicas no lixo em vez de as ofereceres a animais.
Mudança de vaso
O ruibarbo vive feliz no solo, mas a touceira precisa de ser dividida a cada 5 a 10 anos para se manter cheia de vida. Talos finos e fracos, ou uma touceira que está a morrer ao centro, são a sua forma de te pedir para a levantares, dividires e replantares os pedaços mais fortes.
Tamanho e espaçamento
Uma planta instalada cresce 60 a 120 cm de altura e espalha-se numa largura semelhante, por isso deixa a cada touceira 90 a 120 cm de espaço livre. Essas folhas largas precisam de espaço para o ar circular e para a planta se esticar e preencher o local.
Quando plantar
O ruibarbo guia-se pelo frio, por isso não há pressa. Planta as touceiras dormentes no início da primavera, assim que o solo se torne trabalhável, e deixa a planta ter esse primeiro ano só para si, enquanto as raízes se instalam. Os talos surgem da primavera até ao início do verão, e a partir do terceiro ano já podes colher à vontade.
Hemisfério norte
Hemisfério sul
Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.
- Semear: começa a semente dentro de casa 8 a 10 semanas antes da última geada da primavera (plantas cultivadas a partir de semente são lentas e variáveis)
- Plantar: planta as touceiras dormentes no exterior no início da primavera, assim que o solo possa ser trabalhado (a plantação de outono também resulta em zonas de clima ameno)
- Colher: colhe os talos da primavera até ao início do verão; não colhas no primeiro ano, colhe apenas alguns talos no segundo ano, e colhe totalmente a partir do terceiro ano
Rusticidade
Temperatura: até -40°C
Resolução de problemas
O ruibarbo é uma planta robusta e tolerante, e a maioria dos seus problemas remonta a uma touceira demasiado apinhada ou a um solo que se mantém húmido demais, por vezes agravado por um período de calor intenso no verão. Aprende a ler o que os talos e as folhas te estão a dizer e podes agir cedo, enquanto a solução ainda é simples. Encontra abaixo o sintoma correspondente e age antes que a planta perca vigor.
Uma touceira mole e a escurecer, e uma planta a ceder
Quando a touceira fica mole, castanha e pastosa e a planta inteira se abate, isso é podridão da touceira, normalmente causada por raízes encharcadas num solo que drena devagar demais, e por vezes por um fungo do solo como a Phytophthora. Uma touceira apodrecida não tem salvação, por isso desenterra-a e livra-te dela, por mais difícil que pareça. Replanta divisões saudáveis num local elevado e bem drenado, e evita que a cobertura morta se acumule mesmo junto à touceira.
Solução:
- Remove e destrói as touceiras afetadas
- Melhora a drenagem e replanta divisões saudáveis num local elevado e bem drenado
Um talo floral alto a erguer-se do meio da planta
Esse talo alto coroado por flores cremosas é o espigamento, a planta a tentar produzir sementes quando o verão aquece ou a touceira envelhece e fica apinhada. Retira energia aos talos que queres, por isso corta-o junto à base assim que reparares nele, sem qualquer problema. Mantém a planta regada e coberta com cobertura morta, e divide touceiras velhas e gastas para evitar isto no próximo ano.
Solução:
- Corta o talo floral junto à base assim que o vires
- Mantém as plantas regularmente regadas e cobertas com cobertura morta
Talos a crescer finos, curtos e débeis
Talos fracos e finos resultam quase sempre de uma touceira demasiado apinhada que já não cabe no seu espaço, agravada por solo pobre e colheita em excesso. Levanta e divide a touceira no início da primavera, replanta os pedaços mais fortes, e aduba com composto ou um fertilizante rico em azoto. Depois modera a colheita durante uma estação e dá à planta espaço para recuperar.
Solução:
- Divide a touceira no início da primavera e replanta pedaços vigorosos
- Aduba a cobertura com composto ou um fertilizante rico em azoto
- Reduz ou interrompe a colheita durante uma estação para deixar a planta recuperar
Manchas ou buracos roídos nas grandes folhas
Manchas arredondadas, de castanho a púrpura, nas folhas apontam para uma mancha foliar fúngica, como a Ascochyta ou a Ramularia, enquanto buracos irregulares são obra de lesmas ou do gorgulho-do-ruibarbo. Retira as folhas mais afetadas e destrói-as, abre espaço na plantação para o ar circular, e rega junto à base em vez de por cima. Apanha à mão qualquer besouro que encontres e continua atento às lesmas, e a planta recupera sem dificuldade.
Solução:
- Remove e destrói as folhas gravemente afetadas
- Melhora a circulação de ar e evita regar por cima
- Apanha os besouros à mão e controla as lesmas
Toxicidade
O ruibarbo traça uma linha clara entre o que é seguro e o que não é, e vale a pena conhecê-la bem. Os talos cozinhados são realmente um bom alimento, mas as grandes folhas contêm ácido oxálico e glicósidos de antraquinona que são tóxicos para pessoas, gatos, cães, cavalos e gado. Corta as folhas, deita-as fora onde nenhum animal lhes possa aceder, e nunca ofereças aparas a um animal de estimação ou de pasto.
Tóxica para
Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves
Segura para
Pessoas
Gatos Moderada
Se um gato mordiscar uma folha, geralmente começa por babar-se e esfregar a boca com a pata, antes de vomitar e ficar quieto e cansado. Uma dentada maior é a verdadeira preocupação, já que os oxalatos podem provocar tremores e sobrecarregar os rins.
Cães Moderada
Um cão que mastigue a folhagem tende a babar-se, a ficar com o estômago perturbado, a perder o apetite e a querer apenas descansar. Se comer o suficiente, esses mesmos cristais podem provocar tremores e prejudicar os rins.
Cavalos Moderada
As folhas irritam a boca de um cavalo e provocam salivação intensa, cãibras semelhantes a cólicas e fraqueza. Uma ingestão grande arrisca danos renais duradouros, por isso o mais sensato é manter os cavalos bem afastados da folhagem.
Coelhos Tóxico
O ácido oxálico nas folhas é verdadeiramente perigoso para coelhos, e nenhuma quantidade é considerada segura. Mantém todas as folhas e aparas completamente fora do alcance deles.
Gado Tóxico
Bovinos, ovelhas e cabras que pastem as folhas podem sofrer uma intoxicação grave por oxalatos, com salivação, dor abdominal, cambaleio e insuficiência renal. Nunca deites aparas de folhas num pasto ou recinto onde os animais as possam encontrar.
Aves Tóxico
Os mesmos compostos de ácido oxálico e antraquinona tornam as folhas inseguras tanto para aves de capoeira como para aves de estimação. Não deixes as galinhas do quintal ciscarem nas folhas que deitaste fora.
Pessoas Talos seguros
Os talos de ruibarbo cozinhados são um ingrediente muito apreciado na cozinha e seguros de saborear, mas as folhas não são. Contêm ácido oxálico, que provoca ardor na boca, náuseas e vómitos, por isso corta as folhas e deita-as fora.
Os TALOS (pecíolos) vermelhos ou verdes são seguros para comer depois de cozinhados, mas as grandes FOLHAS são tóxicas para animais de estimação e pessoas, e nunca devem ser comidas ou dadas a animais. Corta as folhas e deita-as fora; não deixes as aparas ao alcance de animais de estimação ou de pasto.
Números de emergência
Portugal
CIAV (INEM): 800 250 250
Brasil
Disque-Intoxicação: 0800 722 6001
Variedades
Apenas algumas variedades de ruibarbo aparecem na maioria dos jardins, e diferem sobretudo na cor, na doçura e na resistência ao longo do tempo. Estas são as que vale a pena conhecer antes de plantar.
Victoria
Victoria é uma antiga variedade tradicional e vigorosa, com talos verdes que ganham um tom rosado junto à base, e é a variedade que a maioria dos jardineiros cultiva a partir de semente.
Canada Red
Canada Red mantém a sua cor vermelha intensa ao longo de todo o talo e tende a ter um sabor mais doce e menos fibroso do que a maioria.
MacDonald
MacDonald oferece talos tenros e vermelhos vivos, além de uma sólida resistência à podridão das raízes, o que a torna a escolha ideal para solos mais pesados.
Glaskins Perpetual
Glaskins Perpetual contém menos ácido oxálico, o que permite continuar a colher até mais tarde na estação do que outras variedades permitem.
Como propagar
A forma fácil e fiável de obter mais ruibarbo é dividir uma touceira já estabelecida, algo perfeitamente ao alcance de quem está a começar. Também podes cultivá-lo a partir de semente, se não te importares de esperar um pouco e deixar que os resultados te surpreendam.
DivisãoFácil
Início da primavera, enquanto a touceira está dormente (o outono também é possível) · 1 a 2 anos antes de uma colheita ligeira, com colheita completa a partir do terceiro ano
A divisão é a forma mais segura e mais amigável para principiantes de obter mais ruibarbo. Levanta uma touceira dormente no início da primavera e corta-a em pedaços, cada um com um ou dois rebentos fortes e uma boa porção de raiz, e depois replanta-os com os rebentos à superfície do solo ou ligeiramente abaixo. Deixa cada pedaço novo crescer um ano ou dois antes de fazeres uma colheita ligeira, com colheita completa a partir do terceiro ano. E o melhor de tudo, cada divisão nasce idêntica à planta-mãe.
SementeModerada
Começa dentro de casa 8 a 10 semanas antes da última geada da primavera, e depois transplanta para o exterior · 2 a 3 anos até à colheita completa
Cultivar ruibarbo a partir de semente é possível, embora exija paciência e um pouco de sorte. Semeia dentro de casa 8 a 10 semanas antes da última geada da primavera, transfere as plântulas para o exterior, e conta com 2 a 3 anos até à colheita completa. Como as plântulas variam e não reproduzem fielmente uma variedade específica, guarda a sementeira para uma experiência divertida e recorre à divisão quando quiseres uma variedade conhecida.
Mitos
A planta do ruibarbo é venenosa por inteiro, e nenhuma parte dela é segura para comer.
Apenas as folhas são tóxicas, devido ao ácido oxálico e aos oxalatos de cálcio solúveis. Os talos cozinhados são um alimento seguro e do dia a dia, dos que enchem tartes e crumbles há gerações. Corta as folhas, deita-as no lixo, e desfruta dos talos com a consciência tranquila.
Os talos de ruibarbo tornam-se venenosos assim que a planta floresce ou depois de um período de calor.
Nem a floração nem um verão quente alteram os talos em nada. A toxina vive apenas nas folhas, nunca nos talos, por isso uma planta que tenha espigado continua perfeitamente boa para colher. Basta partir o talo floral e a colheita prossegue normalmente.