Árvore · Anacardiaceae
Cajueiro
Anacardium occidentale
Uma árvore tropical generosa, duas colheitas numa só estação, a maçã-de-caju e a castanha, desde que as raízes se mantenham quentes, ao sol e bem drenadas.
Sol pleno
A cada 7–14 dias
até -1°C
6–12 m

Visão geral
Trata-se de uma árvore tropical de crescimento rápido, parente da hera-venenosa e da mangueira, nativa das terras baixas quentes do Brasil e hoje plantada por todos os trópicos sem geada. Precisa de calor genuíno e não suporta o frio, por isso vive apenas nas zonas mais quentes, onde a geada nunca chega. Com espaço suficiente, transforma-se numa árvore ampla e espalhada que pode atingir 12 m, com uma copa igualmente larga.
O que pende dos ramos intriga muita gente à primeira vista. A parte carnuda vermelha ou amarela que todos veem é a maçã-de-caju, um caule inchado e não o verdadeiro fruto, enquanto a castanha em forma de rim pende por baixo, no exterior. Essa castanha é o verdadeiro prémio, mas a sua casca contém um óleo cáustico que precisa de ser eliminado pelo calor antes de o miolo ser seguro para comer.
Apesar do seu tamanho, um cajueiro já estabelecido pede muito pouco. Cresce bem em solo arenoso e pobre onde árvores mais exigentes se ressentem, e encara períodos de seca com facilidade depois dos primeiros anos. A única coisa que realmente não tolera são raízes encharcadas, por isso, desde o primeiro dia de plantação, a drenagem importa mais do que um solo rico.
Cuidados
A versão resumida: dá ao teu cajueiro sol pleno e um solo arenoso e profundo de drenagem rápida, rega-o regularmente apenas enquanto é jovem, mantém-no quente e longe da geada, e depois reduz a rega assim que amadurecer. A única coisa a evitar é deixar as raízes num solo encharcado, sendo tolerante a quase tudo o resto.
Luz
Os cajueiros querem sol pleno e produzem mal à sombra. Escolhe um local aberto e luminoso, sem nada a apertar a copa, e toda essa luz mantém as flores e as castanhas a surgir estação após estação.
Rega
Rega as árvores jovens com frequência para que se estabeleçam bem, depois reduz consideravelmente, porque um cajueiro adulto é muito tolerante à seca e não gosta de solo encharcado. Deixa a metade superior do solo secar entre regas, aproximadamente a cada 7 a 14 dias, e em caso de dúvida, opta por regar de menos e não de mais.
Solo
Planta num solo arenoso ou franco-arenoso, profundo e bem drenado, do tipo de solo pobre e de baixa fertilidade que dificulta a vida a outras árvores. Um pH entre 5,0 e 6,5 convém-lhe bem, e uma drenagem rápida conta muito mais do que um solo rico.
Temperatura
É uma verdadeira árvore tropical, mais feliz entre 10°C e 40°C, e facilmente morta pela geada. Cultiva-a apenas onde o frio nunca se faz sentir, em climas tropicais ou subtropicais sem geada.
Humidade
Os cajueiros gostam de um ar mais húmido, entre 50% e 80%, o que corresponde ao seu ambiente tropical. Mantém a copa aberta para que as folhas sequem depressa, já que é a humidade retida que convida as doenças a instalar-se.
Adubação
Aduba durante a estação de crescimento quente com um NPK equilibrado, contendo azoto, fósforo e potássio, além de um pouco de zinco se o teu solo for deficiente nesse elemento. Para uma árvore tão robusta, uma única adubação sazonal é suficiente.
Poda
Conduz uma árvore jovem a um único ramo condutor forte, depois desbasta os ramos mortos, doentes, cruzados e baixos. Uma copa aberta deixa o ar circular livremente, sendo a tua melhor defesa contra os problemas fúngicos que os cajueiros podem apanhar.
Mudança de vaso
Um cajueiro plantado em solo permanece no lugar a longo prazo, mas uma árvore em vaso precisa de um vaso maior a cada 2 a 3 anos. Fica atento a raízes a enrolarem-se no vaso, água a passar direto pelo substrato, ou crescimento que parece ter estagnado.
Tamanho e espaçamento
Um cajueiro comum cresce até se tornar uma árvore ampla, com 6 a 12 m de altura e quase tão larga, por isso conta dar-lhe bastante espaço. Coloca-o bem afastado de edifícios, caminhos e linhas elétricas, já que a copa pode alcançar até 10 m de diâmetro.
Quando plantar
O cajueiro vive segundo o ritmo dos trópicos, e não um calendário temperado. Começa as castanhas em sacos de viveiro alguns meses antes, transplanta as árvores jovens para o exterior assim que o solo estiver quente e a geada deixar de ser preocupação, e procura as flores na estação seca, seguidas de castanhas e maçãs-de-caju vários meses depois.
Hemisfério norte
Hemisfério sul
Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.
- Semear: Sementes semeadas em sacos de viveiro, 2 a 3 meses antes da transplantação, em climas quentes
- Plantar: Depois de passar todo o perigo de geada, quando o solo estiver quente; apenas em regiões tropicais e subtropicais sem geada
- Colher: Floresce na época seca; os cajus e as castanhas de caju colhem-se vários meses depois, normalmente no final da época seca
Rusticidade
Temperatura: até -1°C
Resolução de problemas
Quase todos os problemas do cajueiro surgem nos rebentos novos, flores ou raízes, e as condições húmidas costumam estar na origem. A boa notícia é que, detetados a tempo, a maioria resolve-se com um fungicida ou simplesmente uma melhor drenagem. Encontra o teu sintoma abaixo e age antes que se espalhe.
Manchas negras e afundadas nas folhas e rebentos, com ramos a morrer
O que estás a ver é antracnose, um fungo que se instala quando o tempo quente se mantém húmido e os rebentos novos ou os cachos de flores permanecem húmidos durante horas. Poda e destrói os rebentos infetados, abre a copa para melhorar a circulação de ar, e aplica um fungicida indicado à medida que a árvore rebenta e floresce. Um bom espaçamento e folhagem seca impedem a maior parte dos casos antes de sequer começarem, por isso não te desanimes se aparecer.
Solução:
- Poda e destrói os rebentos infetados
- Melhora a circulação de ar na copa
- Aplica um fungicida indicado durante os períodos de rebentação e floração mais suscetíveis
Folhas murchas e queimadas em solo húmido e encharcado
Um cajueiro que murcha e mal vinga frutos em solo pesado e encharcado sofre de podridão das raízes, e não de sede. As raízes descoloram, e o problema surge logo após uma rega intensa ou água estagnada. Melhora a drenagem, reduz a rega e, em solos pesados, planta sobre um monte elevado. Um cajueiro adulto lida bem com períodos de seca, por isso lembra-te de que o verdadeiro perigo são raízes mantidas demasiado húmidas.
Solução:
- Melhora a drenagem
- Reduz a rega
- Planta sobre montes elevados em solos pesados
Pó branco-acinzentado nas flores e nas castanhas novas e tenras
Uma película branca e pulverulenta sobre as panículas de flores e as castanhas jovens indica oídio, que adora o crescimento novo e tenro durante períodos de floração frescos e secos. Se ignorado, faz cair flores e castanhas pequenas e reduz a colheita. Aplica enxofre ou um fungicida indicado na floração, corta as panículas mais afetadas, e mantém a copa aberta.
Solução:
- Aplica enxofre ou um fungicida indicado na floração
- Remove as panículas gravemente afetadas
Toxicidade
Um caju torrado e descascado é o petisco seguro e familiar que já conheces, mas a castanha crua é outra história. A casca e a fina camada que envolve o miolo contêm um óleo cáustico chamado CNSL, rico no mesmo urushiol encontrado na hera-venenosa, que queima a pele e a boca assim que lhe toca. Mantém cascas cruas, invólucros, seiva e restos de poda bem afastados de crianças e animais de estimação, e manuseia-os apenas com luvas.
Tóxica para
Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves
Segura para
Pessoas
Gatos Cuidado
O miolo rico e gorduroso pode causar salivação, vómitos e fezes moles. Pior ainda, um gato que lamba ou morda uma casca crua pode queimar a boca com o óleo cáustico, por isso mantém ambos bem fora do alcance das patas.
Cães Cuidado
Algumas castanhas roubadas costumam causar vómitos e diarreia, e uma porção maior do miolo gorduroso pode desencadear uma dolorosa pancreatite. Mastigar uma casca crua acrescenta queimaduras de urushiol na boca e na pele.
Cavalos Cuidado
Os cavalos não devem estar perto de cascas cruas, seiva ou restos de poda, onde o mesmo urushiol que marca a pele humana pode causar bolhas nos lábios e na boca. Mantém as cascas caídas e os restos de poda afastados de qualquer paddock.
Coelhos Cuidado
Tanto o óleo cáustico da casca como a castanha pesada e gordurosa são inadequados para o sistema digestivo de um coelho. Não ofereças nenhum dos dois, e fica atento a fezes moles ou perda de apetite caso um coelho chegue a cascas caídas.
Gado Cuidado
Bovinos, cabras e ovelhas podem queimar a boca com o líquido da casca crua e perturbar o estômago com o miolo oleoso. Mantém o gado afastado da árvore com uma vedação, e recolhe os resíduos de casca após a colheita.
Aves Cuidado
As aves de quintal nunca devem ter acesso a cascas ou invólucros crus, já que o óleo irritante queima os tecidos moles. Uma migalha de miolo torrado sem tempero, de vez em quando, não faz mal, mas a gordura não lhes traz benefícios.
Pessoas Castanhas torradas seguras
Os cajus devidamente torrados e descascados são um petisco saudável e seguro. A castanha crua e a sua casca são outra história: o urushiol que contêm é o mesmo irritante da hera-venenosa e queima a pele e a boca, por isso ninguém deve manuseá-los ou comê-los sem processamento.
Usa luvas ao manusear cascas cruas, invólucros ou seiva; nunca deixes pessoas ou animais de estimação tocarem ou mastigarem castanhas não processadas. Torrar ao ar livre pode libertar fumos irritantes.
Números de emergência
Portugal
CIAV (INEM): 800 250 250
Brasil
Disque-Intoxicação: 0800 722 6001
Variedades
Os cajueiros dividem-se sobretudo pelo tamanho e pela rapidez com que começam a frutificar, e dois grandes tipos cobrem praticamente tudo o que é provável encontrares.
Cajueiro comum (médio/alto)
O cajueiro comum, médio ou alto, é a árvore tradicional de plantação, um gigante largo e espalhado que atinge 12 m ou mais e demora a começar a frutificar.
Cajueiro-anão precoce (por exemplo, os tipos anão precoce)
Os cajueiros-anões precoces, como os tipos anão precoce, são variedades compactas que florescem e frutificam ao fim de poucos anos e mantêm-se pequenos o suficiente para plantar mais próximos e colher com facilidade.
Como propagar
Podes cultivar um cajueiro a partir de uma castanha fresca ou clonar uma árvore de que já gostas, e o caminho que escolheres determina a rapidez com que frutifica e quão fiel é à planta-mãe.
SementeFácil
Semeia castanhas frescas e viáveis na estação quente · Germina em 2 a 3 semanas; frutifica ao fim de cerca de 3 anos
Semeia castanhas frescas e viáveis na estação quente, escolhendo as que afundam na água, e as plântulas nascem em 2 a 3 semanas. Planta-as diretamente no solo ou em sacos, porque a longa raiz pivotante detesta ser transplantada depois de se formar. As plântulas variam entre si, e uma árvore criada desta forma demora cerca de 3 anos a começar a frutificar, por isso um pouco de paciência compensa.
EnxertiaModerada
Sobre porta-enxerto de plântula vigorosa, em condições quentes · Frutifica em cerca de 2 a 3 anos
Enxertar um clone escolhido num porta-enxerto de plântula vigorosa, em tempo quente, dá-te árvores uniformes que produzem mais cedo. Um enxerto de madeira macia, de fenda ou de placa é a escolha habitual, e a árvore frutifica em cerca de 2 a 3 anos.
AlporquiaModerada
Estação de crescimento quente e húmida · Várias semanas para enraizar antes de separar
A alporquia durante a estação de crescimento quente e húmida cria um clone da planta-mãe. O caule envolvido precisa de várias semanas para enraizar antes de o separares, e é uma técnica muito menos usada do que a enxertia à escala comercial.
Mitos
Os cajus rotulados como crus nas lojas são realmente crus, por isso podes comer qualquer castanha diretamente da árvore.
Esses chamados cajus crus já foram cozidos a vapor ou tratados com calor e descascados antes de chegarem à prateleira. Uma castanha retirada diretamente da árvore ainda transporta o óleo cáustico da casca, o urushiol e o ácido anacárdico que queimam a pele e a boca. A conclusão: nenhum caju é seguro para comer ou manusear até ter sido torrado e processado.
A maçã-de-caju carnuda, vermelha ou amarela, é o fruto, e a castanha cresce dentro dela.
Essa maçã-de-caju carnuda e suculenta não é de todo o verdadeiro fruto, mas sim um caule inchado, um fruto acessório que a árvore desenvolve abaixo da flor. A conclusão: o verdadeiro fruto é a castanha em forma de rim que pende no exterior, por baixo da maçã, nunca dentro dela.