Erva aromática · Lamiaceae

Alecrim

Salvia rosmarinus

Coloca-o a pleno sol e em terra granulosa e de secagem rápida, rega-o de vez em quando, e esta despreocupada erva mediterrânica recompensa-te durante anos.

Luz

Sol pleno

Rega

A cada 7–⁠14 dias

Rusticidade

até -18°C

Tamanho adulto

0,6–⁠1,8 m

Segura para animais
Alecrim

Visão geral

Se já receaste que as ervas aromáticas sejam exigentes, o alecrim é um lugar bonito para começar. Esta perene lenhosa vem das encostas quentes e secas do Mediterrâneo, e traz consigo esses hábitos descontraídos. Pertence à família da hortelã, mas, ao contrário dos primos sedentos, prefere de longe manter-se magra e soalheira a rica e húmida.

Dá-lhe uma boa casa e o alecrim instala-se como uma perene que regressa ano após ano, formando devagar caules lenhosos vestidos de folhas estreitas em forma de agulha. Pequenas flores azuis, e de vez em quando cor-de-rosa ou brancas, abrem do fim do inverno até à primavera. Nas zonas 7 a 11 pode viver lá fora todo o ano, e se os teus invernos forem mais frios, um vaso que recolhes para dentro mantém-no contente.

Aqui está a parte reconfortante: o alecrim perdoa muito mais do que castiga. O erro mais comum é simplesmente amá-lo com água a mais, por isso, se tens tendência para o mimo, esta é a planta que ensina uma mão mais suave. Mantém a terra magra, rega só depois de ela ter secado, e vais descobrir que há muito pouco que possa correr mal.

Cuidados

A versão resumida: dá ao alecrim todo o sol que ele conseguir apanhar e terra que drene depressa, e depois rega só depois de ela ter secado bem a fundo. Alimenta-o pouco ou nada, deixa espaço para o ar circular à sua volta e mantém-no do lado seco ao longo do ano.

Luz

O alecrim adora pleno sol, e quanto mais apanha mais contente parece, idealmente 6 a 8 horas por dia. Aguenta-se em meia-sombra, mas o crescimento fica ralo e esguio e o sabor esvai-se sem alarido. Em interior, basta pô-lo na janela mais luminosa que tiveres e ele vai agradecer-te.

Rega

A rega é o único ponto em que um jardineiro dedicado pode falhar, por isso vai com calma aqui. Deixa a metade de cima da terra secar antes de regares outra vez, o que costuma acontecer por volta de cada 7 a 14 dias, e rega ainda menos depois de a planta estar instalada. Na dúvida, esperar é quase sempre a opção segura e tolerante.

Solo

O alecrim é mais feliz em terra leve, arenosa e de secagem rápida. Encara os terrenos pobres e pedregosos com naturalidade e pede muito pouco, mas a argila pesada retém água a mais, por isso mistura alguma areia grossa ou areia se a tua terra ficar molhada. Um pH de 6,5 a 7,0, perto do neutro, assenta-lhe na perfeição.

Temperatura

O alecrim lida com uma grande amplitude de temperatura, de cerca de -12°C a 30°C, embora quanto frio aguenta dependa da cultivar. Uma geada forte pode ser demais para os tipos sensíveis, por isso em zonas frias escolhe uma cultivar resistente ou recolhe os vasos para dentro no inverno, e não terás nada a recear.

Humidade

Vinda de terras secas, o alecrim contenta-se com humidade baixa, à volta de 30% a 50%. É o ar húmido e parado que convida o oídio, por isso uma brisa suave faz muito mais bem do que qualquer nebulização ou humidade que sintas a tentação de acrescentar.

Adubação

O alecrim é uma planta de pouca fome que até sabe melhor quando se mantém um pouco esfomeada. Uma dose suave de adubo equilibrado ou composto na primavera é tudo o que precisa para o ano. Dá-lhe muito mais e trocas a sua fragrância adorável por um crescimento mole e aguado, por isso menos é de facto mais gentil aqui.

Poda

Apara ligeiramente depois de florir e corta raminhos ao longo da estação, e a planta mantém-se cheia e bem feita sem qualquer trabalho. Basta seguir uma regra suave: evita cortar até à madeira velha e sem folhas, que rebenta devagar e pode não voltar, por isso fica-te pelo crescimento verde e folhado.

Mudança de vaso

Muda um alecrim de vaso para um tamanho acima cada 1 a 2 anos, ou mais cedo se as raízes começarem a enrolar no vaso, a água atravessar de rompante, ou o crescimento novo estagnar. Uma mistura granulosa e de secagem rápida e um vaso com furos de drenagem a sério vão manter as raízes confortáveis e secas.

Tamanho e espaçamento

24–71 in (60–180 cm) de altura

Quando plantar

O alecrim segue o seu próprio ritmo lento, e isso está perfeitamente bem. A semente começada em interior no fim do inverno pode ser imprevisível, por isso muitos jardineiros acham mais fácil plantar exemplares jovens depois de passarem as geadas da primavera. Nos climas amenos podes colher raminhos o ano inteiro, e aquelas pequenas flores azuis abrem do fim do inverno até à primavera.

Hemisfério norte

Sementeira fev–mar
Plantação abr–mai
Floração fev–abr
Colheita jan–dez

Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.

  • Semear: 10 a 12 semanas antes da última geada da primavera (a germinação é lenta e irregular)
  • Plantar: depois de passar o risco de geada, na primavera
  • Colher: Pequenas flores azuis (ocasionalmente rosadas ou brancas) do final do inverno à primavera; os raminhos folhosos podem ser colhidos durante todo o ano em climas amenos.

Rusticidade

Temperatura: até -18°C

Resolução de problemas

Quase toda a preocupação com o alecrim se resume a uma de duas coisas: água a mais nas raízes, ou ar a menos à volta das folhas. A boa notícia é que os primeiros sinais são fáceis de ler, e apanhá-los cedo costuma significar uma solução simples. Encontra em baixo o sintoma da tua planta e intervém com calma enquanto ainda faz diferença.

Grave

Uma planta a murchar e a amarelecer mesmo com a terra encharcada

Quando o alecrim verga em terra encharcada, o problema não é a sede: isto é podridão radicular por excesso de água ou má drenagem. Se escavares com cuidado, vais encontrar raízes moles, castanhas e com cheiro azedo. Alivia na rega, muda a planta para uma mistura granulosa e de secagem rápida, e tira alguns raminhos saudáveis para enraizar como reserva reconfortante, caso esta planta não consiga aguentar.

Solução:

  • Suspende a rega e deixa a terra secar
  • Muda para uma mistura granulosa de secagem rápida e apara as raízes apodrecidas
  • Tira estacas saudáveis do caule como reserva, se a planta estiver a definhar
Revés

Teias finas e um aspeto cansado e salpicado nas folhas

Teias ténues e um salpicado pálido costumam significar aranhiço vermelho, que incomoda mais as plantas de interior e as que estão em stress no ar seco do inverno. Vira uma folha ao contrário e talvez apanhes os minúsculos ácaros a mexer-se por entre os fios. Lava bem a folhagem, aplica a seguir sabão inseticida ou óleo horticultural e dá mais ar à planta, e ela vai recuperar.

Solução:

  • Lava a folhagem com um jato de água forte
  • Aplica sabão inseticida ou óleo horticultural
  • Aumenta o arejamento e reduz o stress da planta
Revés

Caules castanhos e quebradiços a perder as folhas depois de um inverno rigoroso

A madeira nua, que estala depois de uma onda de frio, é queima pelo frio, e atinge com mais força as cultivares sensíveis em zonas limítrofes. Para distinguir o vivo do morto, raspa a casca: verde por baixo é sinal de vida, seco e castanho quer dizer que o caule se perdeu. Corta os caules mortos até ao tecido vivo na primavera e deixa a planta lançar crescimento novo a partir de tudo o que sobreviveu.

Solução:

  • Corta a madeira morta até ao tecido vivo na primavera
  • Deixa a planta rebentar de novo a partir dos caules saudáveis
Estético

Uma película branca e poeirenta a assentar sobre as folhas

Essa camada pulverulenta é oídio, um fungo que aparece quando o ar à volta da planta fica parado. Costuma visitar o alecrim cultivado dentro de casa e apertado, no ar abafado do inverno, por isso não há motivo para alarme. Abre o espaço entre as plantas, deixa a humidade descer e retira as folhas mais cobertas, e ela recupera.

Solução:

  • Melhora a circulação de ar e o espaçamento
  • Reduz a humidade e evita regar por cima da folhagem
  • Retira e deita fora a folhagem afetada

Toxicidade

Se partilhas a casa com animais ou crianças pequenas, podes descansar com o alecrim: é não tóxico em toda a linha. A ASPCA classifica-o como seguro para gatos, cães e cavalos, e a mesmíssima erva de cozinha fica bem no teu próprio prato. A única coisa a guardar é o óleo essencial concentrado, um produto à parte que não se destina a ser comido.

Segura para

Pessoas · Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves

Gatos Nenhuma

O alecrim é suave e seguro para os gatos, e a ASPCA inclui-o entre as suas plantas não tóxicas. Uma trinca curiosa não faz mal nenhum, embora a maioria dos gatos não seja grande apreciadora do aroma forte.

Cães Nenhuma

Os cães podem mastigar as folhas sem problema, e a erva aparece até nalgumas rações como conservante natural. Só uma porção muito grande é que poderia provocar um mal-estar de barriga ligeiro e passageiro.

Cavalos Segura

Os cavalos podem pastar alecrim em total segurança. A folhagem aromática não é das suas preferidas, por isso raramente vão além de uma prova.

Coelhos Segura

Um pouco de alecrim fresco é bom para os coelhos como parte de uma dieta variada. O feno e as folhas verdes devem continuar a ser o grosso das refeições, com a erva como um pequeno extra.

Gado Segura

Cabras, ovelhas e bovinos podem ramonear alecrim sem qualquer prejuízo. As folhas de aroma intenso costumam impedir que a maioria do gado coma muito dele, de qualquer modo.

Aves Segura

A erva não representa perigo para as galinhas do quintal nem para as aves de estimação. Um raminho na capoeira é bastante inofensivo, ainda que costume passar despercebido.

Pessoas Segura

O alecrim é um favorito da cozinha, seguro para cozinhar e apreciar, tanto por adultos como por crianças. A única coisa a manter à parte é o óleo essencial concentrado, um produto diferente que não se come.

O óleo essencial de alecrim, muito concentrado, é um produto à parte que pode irritar a pele ou ser prejudicial se ingerido em quantidade, mas a erva de cozinha e a planta viva são não tóxicas.

Variedades

O alecrim aparece em várias formas, desde tapetes baixos que pendem por uma borda até arbustos altos e eretos. Vale a pena conhecer algumas cultivares quando escolhes uma para um jardim frio ou para a cozinha.

Arp

Uma das cultivares mais resistentes ao frio que há, capaz de aguentar invernos que fariam recuar a maioria dos alecrins.

Hill Hardy

Uma seleção ereta e tolerante ao frio, que continua a vingar em jardins nortenhos limítrofes onde muito alecrim desistiria.

Tuscan Blue

Um exemplar forte e ereto, de flores azuis intensas, apreciado tanto para a cozinha como para aparar em sebes baixas e arrumadas.

Prostratus

Um tipo rasteiro e pendente, que se derrama com suavidade por muros e vasos, embora aguente o frio pior do que as formas eretas.

Como propagar

Estacas de cauleFácil

Da primavera ao verão, a partir de crescimento tenro ou semilenhoso · 4 a 8 semanas para enraizar

As estacas são a forma mais fácil de multiplicar o alecrim, e são aquilo em que a maioria dos jardineiros confia de bom grado. Na primavera ou no verão, corta pedaços de 8 a 15 cm de crescimento tenro ou semilenhoso, tira as folhas de baixo e assenta-os numa mistura granulosa e bem drenada, onde enraízam com calma em 4 a 8 semanas.

SementeExigente

Em interior, 10 a 12 semanas antes da última geada · Várias semanas para germinar e depois uma estação inteira para se estabelecer

A sementeira pede paciência, por isso não fiques desanimado se for lenta. Semeia em interior 10 a 12 semanas antes da última geada e conta com uma germinação irregular e sem pressa e uma taxa de vingamento modesta, com semanas até germinar e uma estação inteira antes de as plantas se estabelecerem a sério. É simplesmente por isso que a maioria dos cultivadores prefere as estacas.

Mitos

Mito

O alecrim precisa de regas frequentes para se manter saudável.

Realidade

Depois de se instalar, o alecrim ignora os períodos secos e pede apenas um pouco de água de vez em quando. Perdem-se muito mais plantas por terra encharcada do que por uma rega esquecida, por isso uma mão suave e comedida é exatamente o instinto certo.

Mito

A planta de alecrim é tóxica para os animais de estimação porque o óleo de alecrim pode ser prejudicial.

Realidade

Podes deixar essa preocupação de lado. A ASPCA classifica a planta viva e a erva culinária como não tóxicas para gatos, cães e cavalos. Só o óleo essencial concentrado, que é um produto à parte, traz algum risco de irritação, e não é isso que um animal encontra no jardim ou no prato.

Fontes