Não, a ideia de que a magnólia é nativa da Europa é um mito. Não existe uma única espécie selvagem de magnólia nativa do continente. Todas as magnólias em Londres, Paris ou Roma foram levadas por pessoas de outros lugares. Parecem tão integradas nos parques europeus que muita gente pensa que pertencem lá. Mas não pertencem.
Quando visitei um jardim no sul de Inglaterra, contei mais de vinte tipos de magnólia a crescer no mesmo local. Pareciam perfeitamente enquadradas junto aos velhos muros de pedra. Mas cada etiqueta contava uma história diferente. Todas indicavam a origem da magnólia como sendo a América do Norte ou a Ásia. Estas árvores simplesmente adaptam-se tão bem ao clima ameno inglês que nunca se diria que são importadas.
Tive a mesma surpresa num jardim em França um ano depois. Filas de magnólias Saucer cor-de-rosa ladeavam um longo caminho como se estivessem ali desde sempre. Um guia disse-me que as mais antigas remontavam a cerca de 150 anos. Parece muito até descobrirmos que a espécie nem sequer é de França. É um híbrido criado pela primeira vez na década de 1820 a partir de árvores-mãe asiáticas e americanas.
Portanto, os locais onde as magnólias crescem naturalmente dividem-se em duas grandes regiões do mundo. A primeira é o leste da América do Norte, do Ontário até à Costa do Golfo e Caraíbas. A segunda é o leste e o sudeste asiático, abrangendo a China, o Japão e a Coreia. Não se encontram magnólias nativas na Europa nem em África. Esta lacuna intrigou os cientistas durante anos.
A história da origem da magnólia explica essa lacuna. Estas árvores remontam a mais de 95 milhões de anos, a uma época em que os continentes estavam unidos. As magnólias espalharam-se por essa terra ancestral. Depois, as placas tectónicas separaram-se e as glaciações atingiram a Europa com força. O frio dizimou as magnólias europeias. As árvores na América do Norte e na Ásia sobreviveram em zonas mais quentes. Os fósseis provam que as magnólias já cresceram na Europa. Mas essas espécies selvagens desapareceram há muito.
Caçadores de plantas trouxeram as magnólias de volta à Europa nos séculos XVII e XVIII. Charles Plumier atribuiu o nome Magnolia ao género em 1703, em homenagem a Pierre Magnol, um professor de botânica francês. Esta ligação francesa ajudou as árvores a ganhar admiradores rapidamente. No século XIX, as magnólias tinham-se tornado escolhas de topo para jardins em toda a Europa ocidental. Pode agradecer a esses primeiros coletores cada magnólia que vê nos parques europeus hoje.
Se tem um jardim na Europa e quer cultivar uma, escolha a espécie com cuidado. A magnólia Saucer desenvolve-se bem na maior parte da Europa ocidental e central. A magnólia-estrela suporta frios até menos 20 graus e é adequada para jardins mais a norte. A magnólia-do-sul funciona em zonas quentes perto da costa, mas não resiste a invernos rigorosos. Opte por espécies caducifólias em zonas mais frias e terá florações vigorosas todas as primaveras sem preocupações.
O sucesso da magnólia na Europa mostra como estas árvores ancestrais são resistentes. Atravessaram oceanos nos porões de veleiros. Enraizaram-se em solo novo e prosperaram longe de casa. A sua magnólia europeia pode não ser nativa. Mas carrega uma história de sobrevivência que se estende por milhões de anos.
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