Erva aromática · Caprifoliaceae
Valeriana
Valeriana officinalis
Dá à valeriana um local ensolarado e solo húmido, e ela responde com flores doces de verão e uma raiz calmante que os gatos mal conseguem deixar em paz.
Sol pleno
A cada 3–7 dias
até -34°C
0,9–1,5 m

Visão geral
Se estás a começar agora, a valeriana é uma planta gentil para aprender. Esta antiga favorita dos jardins de aldeia é apreciada há gerações, cultivada tanto pelas suas flores de verão docemente perfumadas como pela raiz útil escondida por baixo. Caules esguios erguem-se e abrem-se em cabeças macias e arredondadas, tingidas de rosa pálido e branco, ao longo do início e meados do verão, atraindo polinizadores e espalhando uma fragrância suave pela bordadura. É uma planta resistente e despreocupada que se instala em terreno fresco e húmido e pede muito pouco depois de criar raízes.
A raiz é a parte com verdadeira história. Seca e preparada em chá, as pessoas recorrem a ela há muitos séculos como um sedativo herbal calmante, que ajuda com o sono agitado e os nervos à flor da pele, e esse longo conforto é o motivo pelo qual um dia ganhou o nome de erva-cura-tudo. Essa mesma raiz carrega aromas que entusiasmam os gatos tal como a erva-gateira faz, por isso não te preocupes se o teu canteiro se tornar num ponto de encontro feliz para felinos, já que nada disso lhes faz mal.
Aqui está a única coisa a ter em conta, e não há nada a temer. A valeriana cresce depressa e é muito generosa com a sua semente, e também avança um pouco por rizoma subterrâneo, por isso em certas regiões já escapou para além do jardim e para o meio selvagem, o suficiente para constar nalgumas listas de invasoras. Nada disto é difícil de gerir: mantém-na num canto luminoso e húmido, corta as flores antes que amadureçam em semente, e vais ter uma planta arrumada e generosa que fica exatamente onde a colocaste.
Cuidados
A versão resumida: dá à valeriana sol pleno e rega constante em solo rico e fértil, e corta as flores murchas antes que produzam semente para que não se espalhe. É tolerante quanto ao tipo de solo e ri-se do frio, por isso as tuas únicas tarefas regulares são mesmo a rega e uma pequena limpeza.
Luz
A valeriana é mais feliz e floresce com mais generosidade em sol pleno, o que também ajuda os seus caules altos a manterem-se direitos e fortes. Tolera meia-sombra se for o que tens disponível, embora as plantas mais sombreadas tendam a esticar-se e a pender, por isso um local aberto e luminoso é o gesto mais gentil que lhe podes oferecer.
Rega
Tenta manter o solo uniformemente húmido, porque a valeriana adora terra rica e húmida e fica infeliz quando seca por completo. Uma rega a cada 3 a 7 dias funciona bem, um pouco mais frequente em tempo quente, e ela vai agradecer com um crescimento mais cheio. Consegue perdoar uma seca ocasional, por isso uma rega esquecida não é o fim do mundo, mas nunca dá o seu melhor se ficar com sede.
Solo
Instala-a em solo franco, rico, húmido e bem drenado sempre que possível, já que quanto mais fértil for a terra, mais feliz ela cresce. É despreocupada o suficiente para se dar bem em argila, franco ou areia, e gosta de um pH do solo entre 6,0 e 7,5, o que cobre a maioria dos solos de jardim comuns, por isso não há necessidade de complicar.
Temperatura
O frio realmente não incomoda esta planta, que atravessa invernos tão baixos quanto -35°C sem problemas e aguenta o calor de verão até cerca de 30°C. Brilha em condições frescas e amenas, por isso não é de estranhar que verões longos e escaldantes lhe sejam um pouco mais difíceis.
Humidade
A humidade normal do exterior, entre 40% e 70%, é tudo o que a valeriana pede. Como perene resistente de jardim, aceita simplesmente o ar tal como ele vem, por isso é uma coisa que podes esquecer com toda a tranquilidade.
Adubação
Uma adubação ligeira na primavera, mesmo quando o novo crescimento desperta, é tudo o que precisa, quer uses um adubo equilibrado quer um pouco de composto incorporado no solo. Uma adubação por ano já chega, e exagerar só te dá caules moles e caídos em vez de mais flores, por isso uma mão leve vence aqui.
Poda
Corta as cabeças de flor murchas assim que começam a passar, e poupas-te à grande produção de plântulas que a valeriana gosta de espalhar. Apara os caules depois de terminar a floração, e depois recolhe as folhas gastas à medida que toda a planta recolhe até ao solo para o inverno.
Mudança de vaso
Esta não é bem uma planta para viver num vaso, mas touceiras já instaladas adoram ser divididas a cada 2 a 3 anos, o que as mantém fortes e floridas. Quando notares uma coroa apertada, menos flores, ou raízes a enrolarem-se num contentor, levanta-a com cuidado e divide a coroa em pedaços.
Tamanho e espaçamento
Bem cultivada, a valeriana atinge cerca de 90 a 150 cm de altura, por isso merece um lugar mais atrás na bordadura. Deixa a cada planta 60 a 120 cm de espaço livre para que o ar e a luz circulem à volta daquelas cabeças de flor altas e arejadas.
Quando plantar
A valeriana gosta dos períodos mais frescos do ano, e o seu calendário é fácil de seguir. Semeia no interior do final do inverno até ao início da primavera, muda as plantas jovens para o exterior assim que o perigo de geada forte tiver passado, e conta com flores perfumadas ao longo do início e meados do verão. Se quiseres a raiz para o seu chá calmante, desenterra-a no outono do segundo ano, quando concentra o máximo de propriedades.
Hemisfério norte
Hemisfério sul
Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.
- Semear: Final do inverno até ao início da primavera, 6 a 8 semanas antes da última geada
- Plantar: Primavera, depois de passado o perigo de geada forte
- Colher: Cabeças de flor perfumadas em rosa-esbranquiçado no início a meados do verão (junho a julho); colhe as raízes no outono do segundo ano para uso medicinal
Rusticidade
Temperatura: até -34°C
Resolução de problemas
Não vais ter muitos problemas com a valeriana, e os poucos que surgem têm mais a ver com a forma como se aguenta em pé e o quanto se espalha do que com qualquer praga ou doença. Encontra abaixo o sintoma da tua planta, e um pequeno ajuste feito a tempo evita que a situação te escape das mãos.
Plântulas a nascer por todo o jardim
A valeriana é uma planta muito dada a autossemear-se, e também avança pouco a pouco por rizomas subterrâneos, por isso uma única planta pode tornar-se numa pequena multidão em pouco tempo. Fica atento a pequenas plântulas perto da planta-mãe e nos canteiros, valas e cantos abandonados nas proximidades. A solução é simples: retira as flores antes que produzam semente, levanta as plântulas voluntárias enquanto ainda saem facilmente, e desenterra quaisquer rizomas que se tenham espalhado longe demais.
Solução:
- Corta as flores antes de produzirem semente
- Remove as plântulas voluntárias enquanto ainda são jovens
- Desenterra e deita fora os rizomas que se espalharam
Caules altos que pendem e se inclinam
Se os caules estão a espalhar-se e a inclinar-se, a razão habitual é simplesmente falta de sol. Na sombra, ou em solo demasiado rico, a valeriana cresce mole e frouxa e não consegue sustentar bem a sua própria altura, mas isto é fácil de corrigir. Muda-a para um local mais soalheiro, vai com calma nas adubações com azoto, e coloca uma ou duas estacas de apoio para os caules mais altos, caso ainda precisem de algum suporte.
Solução:
- Coloca-a em sol pleno
- Fornece estacas ou suporte para os caules altos
- Evita o excesso de azoto
Toxicidade
Se partilhas a tua casa com animais, aqui podes descansar, porque a valeriana é uma companhia inofensiva e não tóxica para eles. A sua raiz deixa os gatos agitados tal como a erva-gateira faria, embora isso seja apenas uma brincadeira e nunca um envenenamento, e essa mesma raiz é usada com confiança como uma erva calmante e suave, tanto para pessoas como para animais de estimação.
Segura para
Pessoas · Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves
Gatos Nenhuma
Muitos gatos rendem-se à raiz tal como fariam com a erva-gateira, rebolando, esfregando-se e ficando delicadamente parvos ao lado dela. É uma brincadeira inofensiva e não qualquer tipo de envenenamento, por isso deixa-os divertir-se e simplesmente arruma tudo depois de a agitação passar.
Cães Nenhuma
Os cães estão perfeitamente seguros junto dela. Não há nada na planta que os perturbe, e a raiz é mesmo oferecida como uma erva calmante para ajudar a acalmar animais nervosos e ansiosos.
Cavalos Segura
Os cavalos não têm nada com que se preocupar aqui, já que uma dentada nas folhas não os envenena.
Coelhos Segura
Os coelhos podem mastigar as folhas com toda a segurança, embora, como com qualquer verde desconhecido, seja mais prudente começar apenas com um pouco.
Gado Segura
O gado que pasta valeriana não sofre qualquer mal, já que se comporta como uma forragem suave e comum, e não como uma infestante venenosa.
Aves Segura
As aves também estão seguras perto dela, já que nenhuma parte da planta é tóxica caso bicem as folhas ou as cabeças de semente já maduras.
Pessoas Segura
As pessoas recorrem à valeriana como sedativo herbal há muitíssimo tempo, tomando a raiz seca como um auxiliar suave para o sono e o sossego. A planta em si não é tóxica, embora quem a use como remédio deva manter-se em quantidades sensatas.
A raiz atua como um atrativo semelhante à erva-gateira: muitos gatos ficam excitados, brincalhões ou eufóricos perto dela. Trata-se de uma resposta comportamental benigna, não de toxicidade. Guarda a raiz seca longe dos gatos se não quiseres que a mexam.
Variedades
Não precisas de te perder numa longa lista de variedades com nome próprio aqui, já que a valeriana é quase sempre cultivada como a simples espécie selvagem, deixando apenas uma forma para conheceres.
Valeriana officinalis (espécie)
Esta é a vulgar valeriana medicinal de jardim, erguendo cabeças macias e arredondadas de flores perfumadas em rosa pálido e branco sobre caules altos, com as raízes aromáticas e calmantes por baixo que deram o nome à planta.
Como propagar
Multiplicar valeriana é uma tarefa simples e sem riscos, e podes escolher entre criar uma safra nova a partir de semente ou dividir com cuidado uma touceira que já tenhas para duplicar uma planta de que gostas.
SementeFácil
Semeia no interior do final do inverno até ao início da primavera, ou semeia diretamente na primavera; autossemeia-se com facilidade · Germina em cerca de 2 a 3 semanas; instala-se e floresce dentro da primeira ou segunda estação
A semente é o caminho gentil e acessível para principiantes. Semeia-a no interior do final do inverno até ao início da primavera, ou deixa-a cair diretamente no solo assim que a primavera chegar, e deixa a semente à superfície, já que um pouco de luz a ajuda a despertar. Podes esperar rebentos em cerca de 2 a 3 semanas, e as plantas jovens vão firmar-se e florescer logo na primeira ou segunda estação. Deixa algumas flores amadurecerem e a valeriana vai autossemear-se de bom grado, muitas vezes até mais do que gostarias.
DivisãoFácil
Primavera ou início do outono · As divisões restabelecem-se em poucas semanas até uma única estação de crescimento
Se já tens uma valeriana de que gostas, dividi-la é a forma mais rápida de multiplicá-la. Espera pela primavera ou início do outono, retira com cuidado uma touceira já instalada do solo, divide a coroa em alguns pedaços, e volta a colocá-los em solo húmido e fértil. Cada novo pedaço deve enraizar e arrancar dentro de poucas semanas até uma única estação de crescimento.
Mitos
Como a valeriana deixa os gatos tão eufóricos quanto a erva-gateira, deve estar a fazer-lhes mal.
Essa exibição eufórica pode parecer um pouco alarmante, mas é simplesmente o mesmo fascínio inocente que os gatos sentem pela erva-gateira, provocado pelos compostos aromáticos da planta e não por nada venenoso. A valeriana é considerada não tóxica, e é até dada como um remédio suave e calmante a animais ansiosos. A excitação semelhante à da erva-gateira é apenas brincadeira, nunca envenenamento.