Arbusto · Rosaceae
Amora-silvestre
Rubus fruticosus
Dá-lhe sol pleno e algum espaço para se espalhar, e a amoreira-silvestre vai recompensar-te com baldes de fruta durante anos.
Sol pleno
A cada 3–7 dias
até -29°C
0,9–3 m

Visão geral
As amoreiras-silvestres são um dos frutos mais simpáticos que um principiante pode experimentar, por isso não te preocupes. A planta é uma silva da família das rosáceas, que lança longas varas arqueadas que enraízam onde quer que toquem o solo. Planta uma e, se lhe deres liberdade, ela vai tentar alegremente reclamar um canto do jardim só para si.
O que faz uma amoreira-silvestre funcionar é a forma como as suas varas vivem ao longo de duas estações, e assim que se percebe isso, é genuinamente simples. Uma vara passa o primeiro ano como uma vara do primeiro ano, frondosa, depois frutifica no ano seguinte como vara do segundo ano antes de se extinguir. Aprende esse ritmo e a poda deixa de parecer um jogo de adivinhas, enquanto a colheita continua a chegar.
Estas são plantas resistentes e tolerantes ao frio, que dão muito por muito pouco esforço, e é exatamente por isso que são ideais para quem está a começar. Oferece-lhes sol, solo decente e uma limpeza anual, e vais estar a colher amoras quentes às mãos-cheias em pleno verão. A única coisa a planear é o espaço, já que uma plantação satisfeita se espalha rapidamente.
Cuidados
A versão resumida: dá-lhe sol pleno, solo profundo e bem drenado, e uma rega semanal generosa, mas sem encharcar. Retira as varas velhas que já deram fruto uma vez por ano e deixa à planta bastante espaço para se espalhar, e vais correr bem.
Luz
As amoreiras-silvestres frutificam melhor em sol pleno, por isso procura seis ou mais horas por dia. Toleram alguma sombra à tarde, mas quanto mais sol lhes deres, mais doces e pesadas serão as tuas amoras.
Rega
Mantém o solo uniformemente húmido mas nunca encharcado, e a planta vai recompensar-te. Isso equivale a 2,5 a 5 cm de água por semana, com um pouco mais durante a floração e o enchimento do fruto, já que um período seco nessa altura pode deixar-te com amoras pequenas e a esfarelar.
Solo
Planta-as em franco profundo e bem drenado, com bastante matéria orgânica misturada. Um pH entre 5,5 e 7,0 mantém-nas satisfeitas, e uma boa drenagem significa muito menos preocupação com doenças da raiz e da vara.
Temperatura
As amoreiras-silvestres são verdadeiras resistentes, aguentando invernos até -20 °C e verões até 35 °C. Sentem-se em casa nas zonas de rusticidade 5 a 9, por isso a maioria dos jardineiros pode cultivá-las sem qualquer proteção especial.
Humidade
Uma humidade exterior normal de 40% a 70% serve-lhes perfeitamente bem. O ar em movimento importa mais do que o número no medidor, já que o ar parado e húmido em torno de varas apinhadas é o que dá à ferrugem e ao cancro a sua oportunidade.
Adubação
Aduba uma vez no início da primavera, quando o novo crescimento desperta, usando um fertilizante equilibrado 10-10-10 ou um fertilizante completo rico em azoto. Essa única adubação sazonal costuma ser suficiente para as varas até à frutificação.
Poda
As varas são bienais, por isso a poda segue simplesmente o seu ritmo de dois anos. Corta as varas gastas que já deram fruto rente ao solo depois da colheita, poda a ponta das varas jovens no verão para estimular ramos laterais frutíferos, e desbasta a plantação até restarem apenas algumas varas fortes.
Mudança de vaso
As amoreiras-silvestres estão mais felizes no solo do que num vaso, por isso o replantio raramente é necessário. Se cultivares uma em vaso, muda-a para um maior quando as raízes começarem a enrolar-se ou o crescimento abrandar e o solo secar depressa.
Tamanho e espaçamento
As varas atingem 90 cm a 3 m de altura e espalham-se numa largura semelhante. Dá a cada planta esse espaço para se arquear e emitir rebentos, tanto para manter o ar a circular como para evitar que a plantação se apoie nas vizinhas.
Quando plantar
As amoreiras-silvestres gostam de ser plantadas ainda em repouso. Planta varas de raiz nua ou em vaso no final do inverno até ao início da primavera, assim que as geadas fortes abrandarem, procura as flores no final da primavera, e colhe as amoras maduras ao longo do calor de julho e agosto.
Hemisfério norte
Hemisfério sul
Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.
- Plantar: Plantar as canas de raiz nua ou em vaso, em dormência, do final do inverno ao início da primavera, depois de passar o perigo de geada forte.
- Colher: Floresce no final da primavera; as bagas amadurecem de meados a finais do verão (normalmente julho a agosto).
Rusticidade
Temperatura: até -29°C
Resolução de problemas
A maioria dos contratempos da amora-silvestre surge nas varas ou nos frutos, e um passeio tranquilo pela plantação apanha-os cedo, por isso não há motivo para preocupação. Encontra o que corresponde abaixo e age antes que um fungo ou um ácaro se instale.
Pó laranja vivo ao longo da face inferior das folhas
Tenta não te sentires desanimado se vires isto, porque é ferrugem-alaranjada, um fungo que já se espalhou por toda a planta em vez de ficar à superfície. Infelizmente, assim que aparecem esses esporos laranja, uma vara já não recupera, e continua a espalhar o problema. A solução mais gentil para o resto da tua plantação é retirar essa planta por completo, raízes incluídas, e mantê-la bem longe do composto.
Solução:
- Arranca e destrói as plantas infetadas por completo, incluindo as raízes
- Não compostes material infetado
Marcas escuras e rachadas numa vara com definhamento acima delas
Quando uma vara apresenta marcas rachadas e o crescimento acima dela murcha, a causa costuma ser o cancro da vara e a antracnose, fungos que se infiltram numa ferida e sufocam a vara por dentro. Parece pior do que é, por isso basta podar bem abaixo da marca e abrir a plantação para que o ar possa circular. Lembra-te apenas de cortar num dia seco, já que uma ferida fresca com tempo húmido é exatamente a porta de entrada que o fungo procura.
Solução:
- Poda e destrói as varas afetadas abaixo da lesão
- Desbasta as varas para melhorar a circulação de ar
Amoras pequenas e tortas com pequenas saliências vermelhas duras que nunca amolecem
Se algumas das pequenas bagas incham enquanto outras ficam duras e vermelhas, a causa mais comum é a polinização deficiente, embora um ácaro-da-amora-vermelha ou um vírus possam deixar o mesmo fruto disforme. A boa notícia é que tem solução, por isso planta algumas flores por perto para atrair mais abelhas, e recorre a óleo hortícola se os ácaros forem os culpados. Se suspeitares de um vírus, o caminho mais gentil para o resto da plantação é arrancar essa planta e recomeçar do zero.
Solução:
- Incentiva a atividade dos polinizadores perto da plantação
- Aplica óleo hortícola para controlar os ácaros
Toxicidade
Podes descansar tranquilo aqui, porque não há veneno com que te preocupares. As amoras, as folhas e as varas são seguras para pessoas, animais de estimação e gado, e o fruto é uma verdadeira festa para todos eles. O único perigo real é físico, já que a maioria das amoreiras-silvestres tem espinhos afiados que podem arranhar a pele e prender-se ao pelo.
Segura para
Pessoas · Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves
Gatos Nenhuma
Podes ficar descansado com um gato curioso por perto, porque nada na planta o vai envenenar. A única coisa a que vale a pena estar atento são os espinhos, que podem arranhar uma pata ou um focinho curioso.
Cães Nenhuma
Um cão é bem-vindo às amoras maduras, e muitos deles adoram o sabor. Uma dentada generosa e gulosa pode causar uma barriga solta, por isso ajuda dar porções pequenas para que todos possam desfrutar.
Cavalos Segura
Os cavalos podem pastar as folhas e os frutos sem qualquer problema. O que é preciso ter cuidado são as varas afiadas, já que podem ferir um focinho macio.
Coelhos Segura
Tanto as folhas como os frutos são totalmente seguros, e os coelhos adoram mordiscar a folhagem. Com as amoras, no entanto, vai com calma, porque esse açúcar é muito para um corpo tão pequeno.
Gado Segura
Bovinos, cabras e ovelhas podem pastar as silvas à vontade, e uma cabra vai limpar alegremente uma moita inteira. Nada disso lhes vai fazer mal.
Aves Segura
As aves selvagens adoram amoras maduras e espalham as sementes por todo o lado enquanto se alimentam. Não há nada no fruto que as preocupe.
Pessoas Segura
As amoras são uma iguaria muito apreciada, deliciosas frescas ou cozinhadas, e as folhas jovens há muito que servem para fazer um chá reconfortante. Basta teres atenção aos espinhos enquanto colhes e vais ficar bem.
O principal perigo é físico e não químico: a maioria das amoreiras-silvestres selvagens e cultivadas tem espinhos afiados ao longo das varas que podem arranhar a pele ou ferir animais de estimação, embora existam cultivares sem espinhos, como a 'Navaho' e a 'Apache', mais seguras de manusear.
Variedades
Há centenas de amoras-silvestres por aí, divididas sobretudo em tipos eretos e rastejantes, por isso há muito por onde escolher. Vale a pena conhecer estas três, incluindo um par criado para deixar os espinhos para trás.
Navaho
Uma cultivar sem espinhos e de porte ereto, criada pela Universidade do Arkansas e pelo USDA, esta recompensa-te com amoras doces e firmes em varas que podes segurar sem um único arranhão.
Marionberry
Esta amora-silvestre rastejante surgiu na Oregon State University através do cruzamento entre a Chehalem e a Olallie, e mantém-se uma favorita muito estimada em todo o noroeste do Pacífico.
Apache
Outra cultivar ereta e sem espinhos, fácil de cultivar, que conquista corações com os seus frutos muito grandes e a sua forte resistência a doenças.
Plantas companheiras
As amoreiras-silvestres dão-se melhor longe das suas próprias parentes e da família das solanáceas, já que ambas trocam doenças a que as silvas são propensas.
Manter longe de
Framboesa e outras Rubus: Plantar perto de outras silvas propaga doenças comuns, como a ferrugem-alaranjada e vírus.
Tomate, batata e outras solanáceas: Partilham a suscetibilidade à verticiliose, por isso evita plantar amoras-silvestres onde cresceram recentemente culturas solanáceas.
Como propagar
As amoreiras-silvestres são um prazer de multiplicar, e uma única planta dá-te várias formas fáceis de o fazer. A alporquia e a divisão quase não exigem experiência, enquanto as estacas pedem apenas um pouco de paciência.
MergulhiaFácil
Final do verão · As raízes formam-se em 6 a 8 semanas; transplanta na primavera seguinte
Os tipos rastejantes fazem a maior parte do trabalho por ti aqui. No final do verão, dobra a ponta de uma vara até tocar o solo nu e prende-a com cuidado, e as raízes vão fixar-se em cerca de 6 a 8 semanas. Deixa a planta jovem ligada à planta-mãe durante o inverno, e depois retira-a na primavera seguinte, quando estiver pronta.
DivisãoFácil
Final do inverno até ao início da primavera, em dormência · Uma estação de crescimento
Uma touceira já estabelecida envia gentilmente rebentos enraizados à volta da sua base. Desenterra alguns desses, ou divide toda a touceira, no final do inverno até ao início da primavera enquanto a planta está em dormência, e volta a plantá-los de imediato. Dá a cada parte uma estação de crescimento para se firmar antes de esperares uma colheita a sério.
Estacas de cauleModerada
Inverno para estacas de raiz ou verão para estacas de madeira macia · Várias semanas a alguns meses
As estacas pedem um pouco mais de paciência do que as outras duas, mas estão bem ao teu alcance. Tira estacas de raiz no inverno ou estacas de madeira macia no verão, e deixa o enraizamento seguir o seu ritmo, entre várias semanas e alguns meses. As estacas de raiz são a forma habitual de os viveiros multiplicarem as variedades eretas.
Mitos
As amoras-silvestres e as framboesas são o mesmo fruto, já que ambas são silvas.
É fácil confundir, já que ambas pertencem ao género Rubus, mas o fruto dá a resposta. Uma amora-silvestre colhida mantém o seu miolo branco, o pequeno tampo conhecido como recetáculo, enquanto uma framboesa se solta e deixa esse miolo na planta, e é exatamente por isso que uma framboesa parece oca.
Todas as amoras-silvestres têm espinhos.
Os espinhos são comuns, sim, mas já não são garantidos. Muitas cultivares mais recentes, como a Navaho e a Apache, são totalmente sem espinhos e produzem tão bem como as outras, por isso podes cultivar e colher amoras-silvestres sem nunca te ferires.