O que há de especial no evónimo-alado resume-se a três características que não encontra juntas em nenhum outro arbusto. Fica de um escarlate brilhante no outono. Desenvolve estranhas asas de cortiça ao longo dos caules. E sobrevive a condições que matariam a maioria das plantas do seu jardim.
Certa vez, em outubro, conduzia por um bairro e vi uma sebe de evónimos-alados no auge da cor. O vermelho era tão vivo que parecia falso. Parei o carro para ver mais de perto. Foi aí que reparei nos caules pela primeira vez. Mesmo com as folhas ainda presentes, viam-se umas estranhas cristas de cortiça ao longo de cada ramo. Mais tarde, nesse inverno, passei pela mesma sebe. Esses caules texturados davam às plantas despidas um aspeto robusto que a maioria dos arbustos sem folha não tem.
A cor outonal do evónimo-alado deve-se a um pigmento chamado antocianina. Os dias mais curtos no outono param a produção de clorofila. A planta produz antocianina em vez disso. A exposição solar direta intensifica este processo. É por isso que o seu evónimo-alado numa zona aberta fica de um carmesim intenso, enquanto um à sombra permanece num rosa apagado. A cor rivaliza com a dos bordos vermelhos, mas vem num arbusto compacto que cabe no seu jardim.
As características únicas do evónimo-alado vão além das folhas. As asas de cortiça nos caules distinguem-no de qualquer outro arbusto que possa ver. Cada ramo desenvolve 2 a 4 cristas planas de cortiça ao longo do seu comprimento. Isto dá aos caules uma forma quadrada ou alada quando se faz um corte transversal. Nenhum outro arbusto comum na América do Norte partilha esta característica. Pode identificá-la em qualquer altura do ano, mesmo no inverno.
A planta também suporta condições difíceis. Na sua área de origem, na China, Coreia e Japão, cresce desde o nível do mar até 2.700 metros (8.900 pés), segundo dados do USDA Forest Service. Tolera invernos gelados, verões quentes, seca e solos pobres. Esta resistência explica por que a vê em tantos jardins. Também explica por que se propaga tão bem para áreas selvagens.
Testei o truque das asas de cortiça numa primavera enquanto ajudava um amigo a limpar mato. Encontrámos um arbusto desconhecido no bosque e não tínhamos a certeza do que era. Bastou olhar para os caules para ver as cristas planas de cortiça. Isso disse-nos logo que era um evónimo-alado. O evónimo-europeu parece semelhante à distância, mas tem caules lisos e redondos sem cortiça. O evónimo-europeu fica amarelo no outono, não vermelho. Se encontrar um arbusto e não tiver a certeza do que é, verifique primeiro os caules. Asas de cortiça significam evónimo-alado, sempre.
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