Alguns vegetais não gostam de composto quando se coloca em demasia. Culturas de raiz, plantas de fruto e ervas aromáticas mediterrânicas crescem pior em solo carregado com composto fresco. Estas plantas desenvolvem-se melhor em condições mais pobres onde os níveis de azoto se mantêm baixos.
Aprendi isto da pior maneira com as minhas cenouras há dois verões. Espalhei uma camada espessa de composto fresco em todos os canteiros elevados pensando que mais é sempre melhor. As cenouras saíram bifurcadas, atarracadas e peludas, com raízes laterais a disparar em todas as direções. As minhas pastinagas fizeram o mesmo. O alecrim no mesmo canteiro rico cresceu alto e espigado com caules fracos. Quase não tinha aroma nas folhas. Essa colheita ensinou-me que nem todas as culturas querem o tratamento completo.
A ciência aqui é simples. O composto fresco contém muito azoto que impulsiona o crescimento foliar acima de tudo. Os vegetais de raiz bifurcam-se e ramificam as suas raízes em vez de desenvolverem uma raiz principal limpa. Os tomateiros podem ficar "só folha, sem fruto" quando o azoto se mantém demasiado alto. Ervas como alecrim e tomilho evoluíram em solos pobres e pedregosos. Produzem os melhores sabores sob stress ligeiro. Composto rico fá-las crescer depressa mas com sabor insípido.
Eis as plantas que não gostam de composto em grandes doses. Cenouras e pastinagas bifurcam-se em solo rico com pedaços de matéria orgânica. Beterrabas e nabos ficam lenhosos quando o azoto provoca crescimento irregular. Tomateiros e pimenteiros desenvolvem demasiadas folhas e produzem menos frutos. Alecrim, tomilho, oregãos e salva crescem fracos e perdem o sabor. Feijões e ervilhas fixam o seu próprio azoto do ar, por isso composto extra dá-lhes demasiado e prejudica a colheita de vagens.
Colocar composto a mais nos canteiros é um erro comum na primavera. Não precisa de eliminar o composto para estas culturas. Basta ajustar a quantidade. Para vegetais de raiz, use composto bem maturado que tenha decomposto durante pelo menos seis meses. Espalhe uma camada fina de 2 a 3 cm e misture nos primeiros centímetros de solo. Para ervas aromáticas, dispense o composto no local de plantação e deixe-as crescer em solo nativo com uma ligeira cobertura no máximo uma vez por ano.
Alguns vegetais querem todo o composto que puder dar. Abóboras, pepinos, milho e folhosas como alface e couve são grandes consumidoras. Estas culturas consomem azoto rapidamente e recompensam-no com colheitas maiores. Dou aos meus montes de abóboras uma camada de 10 cm a cada primavera e produzem mais frutos do que a minha família consegue comer. Também comecei uma segunda pilha de composto só para acompanhar o que as minhas culturas mais exigentes precisam a cada estação.
Adapte o composto às necessidades de cada cultura e obterá melhores resultados em toda a linha. As grandes consumidoras recebem a carga completa. As culturas de raiz recebem composto maturado em camadas finas. As ervas aromáticas quase não recebem nada. Cinco minutos de planeamento na altura da plantação fazem uma grande diferença no que colhe durante todo o verão.
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