O símbolo queer da lavanda remonta a mais de cem anos. Na década de 1920, a cor lavanda já estava associada ao amor entre pessoas do mesmo sexo no Ocidente. O tom situa-se entre o rosa e o azul. Isso deu-lhe uma ligação natural a vidas que cruzavam linhas rígidas de género. Se alguma vez viu lavanda num evento de orgulho, estava a olhar para um dos símbolos mais antigos da cultura LGBTQ.
Quando vi pela primeira vez raminhos de lavanda à venda junto a bandeiras arco-íris numa feira de orgulho, tive de descobrir porquê. Um stand mostrava uma cronologia completa da história LGBTQ da lavanda que remontava a mais de 100 anos. Pessoas mais velhas no evento usavam pins de lavanda com orgulho. Contaram-me histórias sobre o que a cor significava para elas em décadas mais difíceis. Esse dia mudou a forma como vejo esta planta simples e as suas raízes profundas na história de toda uma comunidade.
Alguns estudiosos traçam a primeira ligação à poetisa Safo. Ela escreveu sobre amantes coroados de lavanda na ilha de Lesbos, na Grécia antiga. No início do século XX, os círculos literários usavam a cor como código para o amor entre pessoas do mesmo sexo. O termo "casamento lavanda" passou a ser usado para uniões que escondiam a verdadeira identidade de um dos parceiros. Estrelas de cinema e figuras públicas usavam estes arranjos para proteger as suas carreiras. O significado queer da cor lavanda cresceu a partir destes atos silenciosos de sobrevivência.
O susto lavanda da década de 1950 deu ao símbolo uma conotação sombria. Esta campanha decorreu em paralelo com o Medo Vermelho. Visou trabalhadores LGBTQ do governo federal em todo o país. Os funcionários despediram milhares de pessoas com base em quem amavam. Usaram a palavra "lavanda" como rótulo para pessoas que consideravam um risco. Foi um dos capítulos mais cruéis dos direitos civis americanos.
Mas a comunidade transformou essa dor em força. Na minha experiência ao ler sobre esta era, encontram-se histórias de coragem a cada passo. Na década de 1970, ativistas em Boston criaram o rinoceronte lavanda como símbolo de protesto. Escolheram o rinoceronte porque é forte e ataca com força quando provocado. Bandeiras e pins lavanda tornaram-se ferramentas de orgulho, não de vergonha. Pode ver essa transformação em qualquer evento de orgulho hoje. Reapropriar uma cor usada como arma deu-lhe ainda mais peso.
Hoje, a lavanda está presente em toda a cultura LGBTQ. Aparece em faixas de orgulho, jardins queer e camisolas que fazem referência à era Lavender Menace. Artistas colocam a cor em capas de livros e álbuns. Casais do mesmo sexo incorporam-na na decoração dos seus casamentos. Pode cultivar lavanda no seu próprio jardim como forma de homenagear esta rica história. A planta que outrora marcava pessoas agora floresce como sinal de amor e força.
Se quiser saber mais sobre esta história, visite o seu centro LGBTQ local ou procure livros sobre a era do susto lavanda. Vai encontrar uma história de coragem e reapropriação mais profunda do que a maioria das pessoas imagina. Cada flor roxa no seu jardim pode lembrá-lo das pessoas que lutaram para transformar uma marca de vergonha num símbolo de honra. Esse é o verdadeiro poder por trás do símbolo queer da lavanda hoje.
Ler o artigo completo: Guia da Flor de Lavanda: Tipos, Cuidados e Utilizações