Ornamental · Cyperaceae

Carriço

Carex

Dá ao carriço um lugar que combine com as suas necessidades e ele oferece-te textura fácil o ano inteiro, prosperando tanto em sol pleno como em sombra profunda, quase sem esforço.

Luz

Sombra parcial

Rega

A cada 3–⁠10 dias

Rusticidade

até -40°C

Tamanho adulto

15–⁠90 cm

Segura para animais
Carriço

Visão geral

Se estás a começar agora, o carriço é uma planta gentil para aprender a jardinar. O género Carex reúne cerca de 2100 espécies, desde pequenas coberturas de solo bem arrumadas com apenas alguns centímetros de altura até touceiras suaves e arqueadas que se erguem uns bons palmos. A maioria dos jardineiros cultiva-o pela folhagem, que surge em verde, dourado, com bordos brancos, e até em tons quentes de bronze e cobre, por isso há sempre um carriço para gostar, seja qual for o teu gosto.

Na verdade só há uma coisa a acertar, e é fácil depois de a conheceres: os carriços variam bastante de espécie para espécie. Alguns querem humidade constante ou mesmo solo francamente encharcado e adaptam-se de bom grado à margem de um lago, enquanto outros instalam-se em sombra seca por baixo de árvores, onde quase mais nada cresce. Escolhe o que combina com o que já tens, e a planta vai ajudar-te a meio caminho.

Depois de instalado, o carriço não pede quase nada, por isso podes descontrair. Cresce devagar, mantém a forma, aceita luz entre sol pleno e sombra total, e afasta a maioria das pragas sem ajuda. Uma limpeza simpática no final do inverno é praticamente todo o cuidado que um ano inteiro exige, e mesmo isso é difícil de fazer mal.

Cuidados

A versão resumida: começa por escolher o carriço certo para o teu local, porque algumas espécies adoram solo encharcado e outras preferem a sombra seca. Acerta nisso, dá-lhe a humidade que gosta e um lugar entre sol pleno e sombra profunda, junta uma limpeza suave por ano, e ele trata praticamente de si próprio.

Luz

O carriço é surpreendentemente flexível quanto à luz, prosperando em toda a gama, de sol pleno a sombra total, embora a maioria se dê melhor em sombra parcial. Só é preciso lembrar que quanto mais ensolarado o local, mais sedenta fica a planta, por isso dá aos carriços cultivados ao sol uma rega mais constante e eles ficarão perfeitamente contentes.

Rega

Este é o único ponto em que a espécie realmente importa, por isso vale a pena parar aqui. Os tipos que adoram humidade, como a Carex elata, oshimensis e morrowii, querem solo constantemente húmido a encharcado, sobretudo ao sol, enquanto os tipos de sombra seca, como a Carex pensylvanica, se contentam com solo seco a medianamente húmido. Rega a cada 3 a 10 dias, conforme a tua planta, e pende antes para menos do que para mais, já que os carriços mostram depressa quando estão demasiado encharcados.

Solo

A maioria dos carriços ornamentais gosta de solo rico e orgânico que retenha humidade, embora os tipos de sombra seca se sintam igualmente bem num solo mais pobre e mais seco, por isso não te preocupes se o teu solo não for perfeito. Procura um pH de 5,5 a 7,0, ligeiramente ácido a neutro, o que cobre praticamente qualquer solo de jardim que possas ter.

Temperatura

O carriço é genuinamente resistente, aguentando temperaturas entre cerca de -7°C e 29°C em todo o género. Essa resistência ao frio é uma grande parte do motivo pelo qual tem lugar em tantos jardins, mantendo as folhas verdes ou persistentes muito depois de as plantas mais sensíveis já terem desistido.

Humidade

Aqui não há nada para medir, já que o ar exterior habitual serve perfeitamente ao carriço. O que realmente importa à planta é a humidade junto às raízes, não a humidade do ar à volta das folhas, por isso concentra a tua atenção aí.

Adubação

O carriço quase não pede adubação, o que é uma preocupação a menos. Uma adubação ligeira na primavera com um fertilizante equilibrado ou de libertação lenta chega perfeitamente, e num solo razoável podes até dispensá-la por completo. Se lhe deres mais do que isso vais ver stress em vez do crescimento mais exuberante que esperavas, por isso vai com calma.

Poda

A poda aqui resume-se a uma limpeza suave por ano. No final do inverno ou início da primavera, penteia ou tosquia as folhas velhas, castanhas e desfiadas para refrescar a touceira. Tem cuidado para nunca cortar os carriços persistentes ou semipersistentes rente ao solo, já que demoram a recuperar de um corte drástico.

Mudança de vaso

As touceiras em vaso ou apinhadas gostam de ser divididas a cada 2 a 3 anos. Fica atento a alguns sinais amigáveis de que chegou a altura: uma zona oca e morta no meio da coroa, raízes a apertar o recipiente, e folhagem que começa a ralear ou a perder o brilho.

Tamanho e espaçamento

Os carriços vão de almofadas baixas e suaves a fontes arqueadas, com 15 a 90 cm de altura e uma largura equivalente. Planta-os aproximadamente à distância da sua largura adulta, mais juntos se quiseres que se fundam numa cobertura de solo, ou um pouco mais afastados se preferires que cada touceira se destaque por si.

Quando plantar

O carriço é uma perene resistente e tolerante ao frio que aguenta invernos tão rigorosos como a zona USDA 3, por isso volta ano após ano. Planta-o na primavera ou no início do outono, sempre que o solo estiver suficientemente macio para trabalhar, e deixa que as folhas se destaquem da primavera ao verão. Aqui não há colheita a que atender, já que a folhagem é a recompensa completa.

Hemisfério norte

Semear fev–abr
Plantar abr–mai
Plantar set–out
Floração abr–jun

Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.

  • Semear: Final do inverno a início da primavera (8 a 10 semanas antes da última geada); a semente de muitas espécies germina devagar e de forma irregular
  • Plantar: Primavera ou início do outono, assim que o solo estiver trabalhável
  • Colher: Primavera a início do verão (a folhagem é o principal atrativo ornamental)

Rusticidade

Temperatura: até -40°C

Resolução de problemas

Felizmente, o carriço tem muito poucos problemas, e quase todos remontam a uma única causa fácil de corrigir: a espécie errada plantada no lugar errado. Vigia com atenção as folhas e a coroa em busca dos primeiros sinais abaixo, e age enquanto o problema ainda é pequeno e fácil de resolver.

Revés

Um carriço recém-plantado rareia ou perde vigor

Podes ficar descansado, porque um tropeço inicial resulta quase sempre de um desajuste entre a espécie e o local, e não de azar ou falta de jeito. Um carriço que adora humidade mas caiu em solo seco, ou um tipo de sombra seca deixado encharcado, vai estagnar e ralear em silêncio. Descobre que espécie tens, muda-a para um local com a humidade e a luz que ela quer, e dá-lhe uma primeira estação paciente para se instalar.

Solução:

  • Identifica a espécie e a gama de humidade e luz que prefere
  • Muda ou replanta num local mais adequado, ou corrige o solo e ajusta a rega
  • Garante humidade constante para as espécies que adoram humidade e são cultivadas ao sol
  • Tem paciência durante uma instalação lenta
Revés

Manchas alaranjadas de ferrugem, folhas manchadas ou coroa mole

Pequenas pústulas alaranjadas ou pontos escuros espalhados pelas lâminas costumam indicar fungos de ferrugem ou manchas foliares, e uma coroa mole e escurecida avisa de podridão num solo que se mantém demasiado encharcado. Solta a touceira para o ar poder circular, direciona a rega para a base em vez de sobre as folhas, e retira tudo o que estiver manchado. Se a coroa parecer mole ao toque, corrige a drenagem e rega menos, a menos que o teu carriço seja mesmo um tipo de zona húmida que gosta de pés molhados.

Solução:

  • Melhora a circulação de ar e evita regar por cima
  • Remove e deita fora a folhagem afetada
  • Corrige a drenagem e reduz a rega se houver podridão da coroa
  • Lava com água ou trata os pulgões, se presentes
Estético

Folhas velhas castanhas e com mau aspeto a acumularem-se na touceira

Não há razão para preocupação, isto é simplesmente o envelhecimento natural da planta, e não uma doença a instalar-se. As folhas exteriores mais velhas ficam castanhas e quebradiças ao longo do inverno, mas a coroa por baixo continua viva e envia lâminas novas na primavera. No final do inverno, penteia a folhagem morta com luvas ou um ancinho, tosquia os tipos caducos, e dá aos persistentes apenas uma arrumação ligeira em vez de um corte rente.

Solução:

  • No final do inverno ou início da primavera, penteia a folhagem morta com luvas ou um ancinho
  • Tosquia os tipos caducos; nos persistentes limita-te a arrumar (não cortes rente)
  • Remove os resíduos para deixar surgir o crescimento novo

Toxicidade

Aqui vai uma nota tranquilizadora para casas com animais de estimação ou crianças pequenas: o carriço não é venenoso. A Carex não consta em lado nenhum da lista de plantas tóxicas da ASPCA, por isso podes cultivá-lo livremente onde os animais andam. As duas únicas coisas a que vale a pena estar atento são os bordos das folhas, que podem ser suficientemente afiados para cortar a pele, e o pólen, que pode incomodar quem é propenso a alergias.

Segura para

Pessoas · Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves

Gatos Segura

O carriço não envenena um gato. Um que mordisque as lâminas pode devolver um pouco mais tarde, já que a folhagem áspera pode irritar o estômago, embora as folhas em si permaneçam totalmente inofensivas.

Cães Segura

Os cães estão igualmente seguros. Na pior das hipóteses, uma dentada deixa-lhes um ligeiro mal-estar estomacal por causa das folhas duras, e nada que se pareça com envenenamento.

Cavalos Segura

Os cavalos também estão seguros, já que a Carex não contém toxinas e cresce em muitas pastagens e prados húmidos onde os cavalos a pastam sem qualquer problema.

Coelhos Segura

Os coelhos podem pastar o carriço sem nada a temer. Para eles, as lâminas não passam de vegetação simples e inofensiva.

Gado Segura

O gado bovino, as cabras e as ovelhas podem pastar o carriço sem qualquer problema. As variedades nativas espalham-se por pastagens e zonas húmidas, e não há registo de envenenarem o gado.

Aves Segura

As aves não têm nada a temer do carriço. Muitas espécies selvagens comem-lhe as sementes, e um bando do quintal pode debicá-lo à vontade.

Pessoas Segura

Também aqui não há qualquer risco de envenenamento para as pessoas. O bordo de uma folha pode ser suficientemente afiado para cortar um dedo, e o pólen pode despoletar alergias nalgumas pessoas, mas nenhuma dessas coisas tem que ver com toxicidade.

Os bordos das folhas e os caules podem ser ligeiramente ásperos ou afiados, e o pólen pode incomodar pessoas propensas a alergias. Animais que mordiscam a folhagem podem vomitar por causa da fibra, ainda que a planta não seja venenosa.

Variedades

Há milhares de carriços por conhecer, o que pode parecer avassalador, por isso aqui ficam alguns que se destacam num jardim doméstico e são fáceis de encontrar. Aprende a reconhecê-los pelo nome, agrupados pelo aspeto que trazem e pelas condições em que se sentem mais felizes.

Carex morrowii 'Ice Dance'

Uma cobertura de solo generosa e expansiva para locais sombrios, com lâminas verde-escuras orladas a branco de forma nítida, avançando por rizomas que se espalham e preenchem o espaço por ti.

Carex morrowii 'Variegata'

Um carriço-do-japão variegado e bem-comportado, cujas folhas verdes têm margens brancas e se mantêm numa touceira arrumada em vez de se espalharem.

Carex oshimensis 'Evergold'

Um persistente compacto cujas lâminas arqueadas exibem uma faixa dourada brilhante ao centro com margens verdes, tornando-o o mais vistoso do grupo.

Carex pensylvanica

O carriço-da-pensilvânia nativo atinge apenas cerca de 20 cm de altura e lida facilmente com sombra seca a média, granjeando o seu lugar como cobertura de solo preferida para sombra seca e uma alternativa gentil ao relvado.

Carex elata 'Aurea'

O carriço-dourado-de-Bowles, que ilumina solo encharcado e margens de lagos com folhagem de um amarelo-dourado brilhante, o único carriço verdadeiramente mais feliz de pé dentro de água.

Carex flagellifera / Carex buchananii

Estes carriços neozelandeses quebram alegremente o hábito do tudo-verde, oferecendo folhagem coriácea, castanho-avermelhada, em tons quentes de bronze e cobre.

Como propagar

Multiplicar o carriço é genuinamente fácil, e um método é muito mais fiável do que o outro, por isso podes começar pela aposta certa. Aqui fica como funciona cada um e a melhor altura para experimentar.

DivisãoFácil

Primavera ou início do outono · Uma estação de crescimento

A divisão é, sem dúvida, a forma mais segura de obter mais carriço, e é fácil até para principiantes. Na primavera ou início do outono, desenterra uma touceira já instalada e separa-a ou corta-a em pedaços, mantendo algumas raízes e um bocado de coroa em cada um. Volta a plantar as divisões e elas fundem-se ao longo de uma única estação de crescimento, sem exigir qualquer habilidade especial.

SementeModerada

Final do inverno à primavera · Uma a duas estações; lenta e irregular

Cultivar a partir de semente é possível mas moroso, por isso guarda esta opção para quando a paciência estiver do teu lado. Espalha a semente do final do inverno até à primavera e conta com uma germinação irregular e prolongada, que pode precisar de uma a duas estações para dar frutos, e lembra-te de que muitas cultivares com nome não saem fiéis à planta-mãe a partir de semente. Quando quiseres uma cobertura de solo depressa, a divisão ou algumas plantas de viveiro vencem sempre a semente.

Mitos

Mito

Os carriços são basicamente gramíneas ornamentais com outro nome.

Realidade

É uma confusão fácil de fazer, já que se parecem, mas os carriços pertencem à sua própria família, as Cyperaceae, e não às gramíneas verdadeiras. O segredo está no caule: rola um caule de carriço entre os dedos e vais sentir arestas sólidas e triangulares, enquanto um caule de gramínea é redondo, oco e nodoso. Essa diferença faz toda a diferença no jardim, porque explica por que motivo tantos carriços prosperam na sombra e em solo húmido ou encharcado onde as gramíneas comuns desistem.

Fontes