Planta de interior · Araceae
Costela-de-adão
Monstera deliciosa
Dá-lhe luz indireta e brilhante e algo para trepar, e a costela-de-adão agradece-te com folhas grandes e rendilhadas.
Luz indireta brilhante
A cada 7–14 dias
16–29°C
até -1°C

Visão geral
Se sempre tiveste receio de manter viva uma grande planta de destaque, a costela-de-adão é uma ótima escolha para começar. Vem das florestas tropicais da América Central, onde trepa pelos troncos das árvores, e traz para tua casa esse mesmo ambiente descontraído de selva. Aquelas folhas enormes abrem-se nos furos e fitas que lhe deram o nome, e a planta é notavelmente tolerante para um principiante ainda a encontrar o seu ritmo.
Podes preocupar-te quando uma folha nova nasce lisa e inteira, mas isso é completamente normal e não é culpa tua. Uma costela-de-adão jovem faz simples formas de coração, e só à medida que cresce e se instala em boa luz é que chegam as famosas fenestrações. Pensa-se que esses furos ajudam as folhas a lidar com chuva forte e deixam passar um pouco de luz para as folhas de baixo, o que é bastante inteligente para uma planta que vive sob um dossel florestal sombrio.
Cresce depressa e mantém-se fácil, por isso a maioria dos pequenos deslizes tem solução e podes relaxar ao cuidar dela. Coloca-a num sítio luminoso mas fora do sol direto, dá-lhe um moss pole para se apoiar, e ela pode atingir 1,8 a 3 m de altura em interior. A única coisa a não esquecer é que todas as partes, exceto o fruto maduro, são irritantes, por isso mantém-na fora do alcance de animais de estimação curiosos e crianças pequenas.
Cuidados
A versão resumida: dá-lhe luz indireta e brilhante, um moss pole para trepar, e rega só quando o topo do solo estiver seco. Mantém-na quente e húmida, e aduba-a com suavidade durante a primavera e o verão.
Luz
Instala-a em luz indireta e brilhante, perto de uma janela mas longe do sol forte do meio-dia, que pode queimar as folhas. Aguenta-se bem em luz média e um pouco de sombra, embora um canto verdadeiramente escuro tenda a dar-te folhas pequenas e inteiras, sem rasgos.
Rega
Espera até os primeiros 2,5 cm do solo estarem secos ao toque antes de voltar a regar, o que geralmente equivale a uma rega a cada 7 a 14 dias. Reduz bastante no outono e inverno, à medida que o crescimento abranda. Como ficar em solo encharcado é a forma mais rápida de prejudicar as raízes, é sempre mais seguro pecar por regar de menos.
Solo
Dá-lhe uma mistura rica e bem drenada, com turfa e bastante estrutura arejada, para que a água escoe bem. Um pH entre 5,5 e 7,0 mantém-na confortável, e essa textura solta impede as raízes de ficarem molhadas.
Temperatura
Mantém-na numa gama confortável entre 16°C e 29°C, que é simplesmente o calor de uma casa normal. Não gosta de correntes de ar frias e não sobrevive à geada, por isso afasta-a de janelas frias no inverno.
Humidade
Não esqueças que esta é uma planta de floresta tropical que adora humidade elevada, e o ar seco de interior tende a deixar as pontas das folhas castanhas e quebradiças. Agrupá-la com outras plantas, colocá-la perto de um humidificador, ou pousá-la sobre um tabuleiro com seixos ajudam a elevar a humidade à sua volta.
Adubação
Oferece-lhe um fertilizante líquido equilibrado uma vez por mês, na primavera e no verão, enquanto está em crescimento ativo. Deixa-a descansar no outono e inverno, porque adubar uma planta em repouso só deixa sais a acumularem-se no solo.
Poda
Poda na primavera sempre que quiseres dar-lhe forma ou reduzir o tamanho. As raízes aéreas podem ser guiadas para um moss pole, enterradas no solo, ou cortadas de forma limpa, por isso escolhe o aspeto que mais te agradar.
Mudança de vaso
Muda-a para um vaso maior a cada 1 a 2 anos, na primavera, subindo apenas um tamanho quando as raízes começam a enrolar-se ou a espreitar pelos furos de drenagem. Um crescimento mais lento e água que escorre logo através do solo são outras pistas suaves de que já não cabe na casa que tem.
Tamanho e espaçamento
Em interior pode trepar até 1,8 a 3 m de altura e alargar-se 90 a 250 cm, por isso dá-lhe mesmo espaço para se esticar. Um moss pole robusto mantém todo esse crescimento direito e evita que os caules pesados se partam.
Resolução de problemas
Tenta não te preocupar se algo parecer estranho, porque a maioria dos problemas da costela-de-adão resume-se à rega ou à luz, e a planta avisa-te cedo. Repara no que as folhas estão a fazer, compara com a causa provável abaixo, e normalmente consegues corrigir a situação antes que se espalhe.
Planta murcha com raízes escuras e moles
Uma costela-de-adão que descai mesmo com o solo húmido está a falar-te de podridão radicular, normalmente por rega em excesso ou uma mistura que retém água a mais. Retira-a com cuidado do vaso, corta quaisquer raízes moles e enegrecidas, e instala-a num solo fresco e bem drenado. Rega um pouco menos a partir daí e a planta tem uma boa hipótese de recuperar.
Solução:
- Retira do vaso e apara as raízes apodrecidas
- Replanta numa mistura fresca e drenante
- Reduz a rega
As folhas inferiores a ficarem amarelas
Se algumas das folhas mais velhas e inferiores amarelecerem em conjunto e o solo estiver encharcado, a resposta é quase sempre rega em excesso ou um vaso que drena devagar demais. Deixa o topo do solo secar antes da próxima rega, e verifica se o vaso drena mesmo bem. Uma planta deixada em solo molhado está a caminho da podridão radicular, por isso apanhar isto cedo ajuda muito.
Solução:
- Reduz a frequência de rega
- Deixa o topo do solo secar
- Garante que o vaso drena livremente
Teias finas e folhas salpicadas
Uma teia ténue e um aspeto poeirento e salpicado nas folhas costumam significar ácaros-aranha, que se instalam quando o ar fica quente e seco. Enxagua bem a folhagem, aumenta a humidade para que a planta seja um mau hospedeiro, e recorre a sabão inseticida se persistirem. Espreitar a parte de baixo das folhas costuma apanhá-los bem cedo.
Solução:
- Enxagua a folhagem
- Aumenta a humidade
- Aplica sabão inseticida
Pequenos caroços castanhos e manchas pegajosas ao longo dos caules
Pequenos caroços castanhos fixos aos caules, muitas vezes com uma película pegajosa por baixo, são cochonilhas a alimentarem-se discretamente da seiva. Raspa ou limpa-as, e depois cobre a planta com óleo hortícola para sufocar as que restarem. A maioria chega escondida numa planta nova, por isso vale a pena examinar bem qualquer recém-chegada antes de a juntares às outras.
Solução:
- Limpa a cochonilha
- Aplica óleo hortícola
Caules moles a desviarem-se para o lado em vez de trepar
Na natureza, a costela-de-adão trepa, por isso em interior tende a cair e a espalhar-se quando não tem nada a que se agarrar. Coloca um moss pole ou uma treliça no vaso e guia com cuidado as raízes aéreas até lá. Fazer isto cedo mantém os caules direitos e evita que se partam com o próprio peso.
Solução:
- Adiciona um moss pole ou treliça
- Guia as raízes aéreas para o suporte
Manchas brancas e felpudas ou uma cobertura pegajosa nas folhas
Tufos brancos e algodoados ou um resíduo pegajoso costumam significar que se instalaram cochonilhas-algodão, pulgões ou trips. Limpa bem as folhas e continua com sabão inseticida, repetindo até desaparecerem. Manter qualquer planta nova à parte durante umas semanas e examiná-la bem evita a maioria destes casos, já que é assim que costumam começar.
Solução:
- Limpa as folhas
- Aplica sabão inseticida
As folhas mantêm-se inteiras, sem furos ou rasgos
Por favor, não vejas isto como uma falha, porque há duas explicações simples e a primeira é apenas a juventude. Uma costela-de-adão jovem faz folhas inteiras em forma de coração e só começa a rasgar quando cresce, por isso um pouco de paciência ajuda muito. A outra razão é pouca luz, por isso muda-a para um sítio mais luminoso mas fora do sol direto e oferece-lhe um suporte para trepar, o que ajuda os rasgos a aparecerem mais cedo.
Solução:
- Muda para luz indireta e brilhante
- Deixa a planta amadurecer
- Adiciona um suporte para trepar
Bordas castanhas e quebradiças ao longo das folhas
O ar seco de interior costuma estar por trás disto, e a humidade baixa deixa as bordas quebradiças e castanhas. Sais acumulados do fertilizante podem causar o mesmo aspeto. Aumenta a humidade à volta da planta, e de vez em quando passa o vaso por bastante água simples para lavar esses sais.
Solução:
- Aumenta a humidade
- Lava o solo para eliminar os sais
Toxicidade
Esta é uma planta para colocar com cuidado bem no alto, e depois de o fazeres, podes ficar descansado à volta dela. Todas as partes, exceto o fruto totalmente maduro, contêm cristais insolúveis de oxalato de cálcio que picam a boca e a garganta assim que são mastigados. Uma dentada pode magoar animais de estimação, gado e crianças, e a seiva pode também irritar a pele e os olhos, por isso ajuda lavar as mãos depois de a manuseares.
Tóxica para
Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves · Pessoas
Gatos Moderada
Um gato que morde uma folha sente um ardor rápido e doloroso na boca, depois saliva, esfrega o focinho com as patas, e pode ficar enjoado. A língua e os lábios podem inchar o suficiente para dificultar engolir, por isso mantém-na bem fora de alcance.
Cães Moderada
Pouco depois de mastigar, espera salivação, patas a esfregar a boca, e ânsias de vómito, já que os cristais picam assim que tocam. Pode seguir-se inchaço dos lábios e da língua, por isso é mais seguro mantê-la longe do cão.
Cavalos Moderada
Esses mesmos cristais irritam a boca e o intestino de um cavalo, trazendo salivação intensa e desconforto real. Felizmente, a maioria dos cavalos cospe as folhas amargas antes de comer muito.
Coelhos Moderada
Os cristais afiados de oxalato tornam esta uma dentada pobre e arriscada para um coelho, deixando dor na boca e recusa em comer depois, por isso mantém-na bem fora do alcance.
Gado Moderada
Animais de pasto que mordiscam a folhagem sentem a irritação ardente e a salivação que a acompanham. O sabor forte costuma travá-los logo após essa primeira dentada.
Aves Cuidado
Uma ave de estimação que mastiga as folhas pode sofrer a mesma irritação na boca, por isso é mais sensato tratar a planta como proibida e manter gaiolas e poleiros afastados dela.
Pessoas Cuidado
Mastigar qualquer parte desta planta, à parte o fruto maduro, queima a boca e a garganta, e o fruto verde comporta-se exatamente da mesma forma. Fica descansado que o fruto totalmente maduro é inofensivo de comer, mas mantém a folhagem e qualquer fruto verde bem longe de mãozinhas pequenas.
A seiva pode irritar a pele e os olhos; lava as mãos depois de a manusear
Números de emergência
Portugal
CIAV (INEM): 800 250 250
Brasil
Disque-Intoxicação: 0800 722 6001
Variedades
Assim que te apaixonares pela planta verde simples, talvez queiras conhecer as suas primas variegadas, que aparecem de vez em quando em coleções. Aqui estão as poucas que mais vale a pena conhecer pelo nome.
'Thai Constellation'
Cultivada por cultura de tecidos para que as suas riscas branco-cremosas se mantenham fixas, esta cultivar pinta folhas verde-escuras com manchas semelhantes a constelações e cresce um pouco mais devagar do que a espécie simples.
'Albo-Variegata'
As suas manchas ousadas de branco e creme vêm de uma quimera instável, por isso as marcas variam de folha para folha e a folhagem sai um pouco mais pequena do que a da espécie.
'Variegata'
Um termo geral e simpático para as formas variegadas, com folhagem estampada em folhas que se mantêm um pouco mais pequenas do que as da espécie.
var. borsigiana
Uma forma mais pequena e compacta que os botânicos tratam hoje simplesmente como outro nome para Monstera deliciosa, e não como uma planta à parte.
Como propagar
Uma das alegrias aqui é a facilidade com que uma única planta saudável se torna várias, sem custo nenhum. Dois métodos suaves cobrem praticamente tudo o que vais querer fazer.
Estacas de cauleFácil
Primavera a verão · 4 a 8 semanas até enraizar
As estacas são a forma mais fácil de criar novas plantas, e da primavera ao verão é a janela mais favorável para as retirar. Corta uma secção que tenha pelo menos um nó, de preferência logo abaixo de uma raiz aérea, e depois deixa-a em água ou instala-a numa mistura húmida. Dá-lhe 4 a 8 semanas e novas raízes instalam-se em silêncio.
AlporquiaModerada
Estação de crescimento · 6 a 8 semanas
O alporque pede um pouco mais de paciência, mas resulta lindamente durante a estação de crescimento. Envolve um punhado de esfagno húmido à volta de um nó que tenha uma raiz aérea e mantém-no húmido até as raízes penetrarem no musgo, o que demora cerca de 6 a 8 semanas. Assim que se formarem, corta o pedaço enraizado e planta-o num vaso.
Mitos
A costela-de-adão é um tipo de filodendro.
Aquele antigo nome comercial, filodendro-de-folha-rasgada, ainda se mantém em uso, mas não está de todo certo. A Monstera deliciosa pertence ao género Monstera, e não a Philodendron, ainda que ambos façam parte da família das aráceas e possam parecer quase idênticos à primeira vista.
Borrifar as folhas com água faz com que se rasguem.
Pulverizar a folhagem com água não faz absolutamente nada para trazer aqueles famosos furos, por isso podes deixar essa tarefa de lado. Os rasgos, chamados fenestrações, chegam com a idade e boa luz à medida que a planta amadurece, e não por causa de quanto a borrifas.
As raízes aéreas devem ser sempre cortadas.
Essas raízes grossas que se estendem a partir do caule são perfeitamente saudáveis, e a planta usa-as para trepar. Guia-as para um moss pole ou enterra-as no solo, ou corta-as se preferires, já que removê-las não faz mal nenhum à planta.
O fruto da costela-de-adão é venenoso.
Este receio é meio verdade, e é exatamente por isso que confunde tanta gente. Só o fruto verde irrita a boca, por causa dos cristais de oxalato de cálcio, enquanto o fruto totalmente maduro é seguro e tem sabor a banana e ananás.
Uma planta com mais rasgos tem de ser mais saudável.
Os furos vêm da idade e da luz, não de uma boa adubação. Uma planta bem alimentada mas mantida em pouca luz pode manter as folhas inteiras, por isso julga a sua saúde pelo crescimento geral e pela cor, e não a contar quantos rasgos tem.
Uma costela-de-adão variegada pode ser tratada exatamente como uma verde.
As partes brancas de uma folha variegada não têm clorofila, por isso a planta tem menos recursos para trabalhar. Dá-lhe luz mais forte e conta com um crescimento mais lento, porque simplesmente não consegue produzir energia da mesma forma que uma planta totalmente verde.
Fontes
- ASPCA Animal Poison Control
- NC State Extension Plant Toolbox
- Missouri Botanical Garden Plant Finder
- Wisconsin Horticulture, UW-Madison Extension
- University of Florida IFAS Extension
- Hawaii-Pacific Weed Risk Assessment (CGAPS / Invasive Species Committees)
- Royal Horticultural Society
- Royal Horticultural Society