Ornamental · Ranunculaceae

Acónito

Aconitum napellus

Espigas azuis altas em forma de capuz que lhe valeram o nome rainha dos venenos, lindas na bordadura e sempre a tratar com cuidado nas mãos.

Luz

Sol pleno

Rega

A cada 3–⁠7 dias

Rusticidade

até -40°C

Tamanho adulto

0,9–⁠1,2 m

Tóxica para gatos, cães, cavalos e mais
Acónito

Visão geral

O acónito rouba a cena discretamente no final do verão, quando caules altos erguem flores em forma de capuz, num azul-arroxeado profundo. Cada flor curva-se como um capuz puxado sobre um rosto, e é exatamente daí que vem o nome. Pertence à família dos ranúnculos e instala-se de bom grado em jardins frescos e húmidos, nas zonas mais frias.

Por trás dessa beleza esconde-se uma das plantas mais venenosas que podes cultivar, e ajuda saber isso desde o início. Todas as partes contêm aconitina, uma toxina de ação rápida que deu origem a nomes antigos como erva-lobeira e rainha dos venenos. Esse perigo é real, por isso pensa bem antes de a plantares onde crianças, animais de estimação ou animais de pasto costumam andar.

A boa notícia é que se trata de uma perene lenta e longeva, que não gosta de ser mudada de lugar e pede muito pouco depois de instalada. Dá-lhe solo rico, húmido e bem drenado, e um pouco de abrigo para esses caules altos, e usa luvas sempre que lhe tocares. Trata-a com respeito e uma touceira volta, fielmente, ano após ano.

Cuidados

A versão resumida: sol pleno a meia-sombra em climas frescos, solo mantido sempre húmido mas nunca encharcado, terra enriquecida com composto, e luvas nas mãos sempre que tocares na planta.

Luz

O acónito está mais feliz em sol pleno, onde os climas se mantêm frescos, e aceita de bom grado um pouco de sombra da tarde onde os verões aquecem. Sombra a mais deixa os caules fracos e a cair, por isso procura dar-lhe boa luz junto com um pouco de abrigo.

Rega

Mantém o solo sempre húmido e nunca o deixes secar por completo, regando a cada 3 a 7 dias durante um período seco. Também não gosta de ficar em água parada, por isso a boa drenagem é mesmo importante. Quando o verão aquece, a humidade constante e um pouco de sombra da tarde mantêm-no contente.

Solo

Instala-o em terra rica, húmida e bem drenada, cheia de matéria orgânica, e ele agradece-te. É pouco exigente quanto ao pH, numa gama larga de 5,5 a 7,5, por isso a maioria dos solos de jardim lhe serve, depois de teres incorporado bastante composto.

Temperatura

Esta é uma planta feita para locais frios, resistente até cerca de -37°C e a chegar perto dos 29°C. O calor a sério é o seu ponto fraco, e é precisamente por isso que um pouco de sombra da tarde vale a pena onde os verões são intensos.

Humidade

O ar normal do exterior serve-lhe bem, por isso não há nenhum número alvo a preocupar-te. O que importa muito mais é uma boa circulação de ar, já que condições paradas e abafadas tentam o oídio a instalar-se nas folhas.

Adubação

Aduba-o na primavera, quando o crescimento novo desperta, incorporando um fertilizante equilibrado ou uma boa camada de composto. Uma única adubação sazonal é tudo o que esta planta tranquila precisa para se dar bem.

Poda

Corta as hastes florais gastas assim que murcham, para arrumar a touceira e por vezes provocar uma segunda floração, e depois corta a folhagem depois de secar no outono. Usa sempre luvas e mantém esses caules cortados e a sua seiva longe da pele.

Mudança de vaso

Uma touceira já instalada prefere ficar em paz, por isso divide-a apenas a cada 4 a 5 anos, e só se estiver demasiado apertada. Uma floração mais fraca, folhas mais pequenas e apertadas, ou uma zona vazia no centro são a forma de te dizer que chegou a altura.

Tamanho e espaçamento

Espera que as plantas atinjam 91 a 122 cm de altura, em touceiras esguias que se espalham apenas 30 a 46 cm. Dá a cada uma um pouco de espaço para que o ar circule livremente e o oídio se mantenha afastado.

Quando plantar

O acónito segue um ritmo de estação fresca, fácil de acompanhar. Semeia a semente tratada a frio no final do inverno, ou divide touceiras já instaladas no início da primavera ou no outono, e repara nas altas espigas azuis a abrir com o calor de julho e agosto.

Hemisfério norte

Semear fev–mar
Plantar mar–abr
Floração jul–ago

Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.

  • Semear: Final do inverno; a semente precisa de estratificação a frio e a germinação é lenta e irregular
  • Plantar: Primavera, depois da geada, ou dividem-se as touceiras estabelecidas no início da primavera ou no outono
  • Colher: Julho a agosto

Rusticidade

Temperatura: até -40°C

Resolução de problemas

A maioria dos problemas do acónito começa em baixo, nas raízes, com solo encharcado, ou entre caules plantados demasiado juntos. A parte tranquilizadora é que apanhar os sinais cedo permite intervir bem antes de perderes uma touceira. Compara o que estás a ver com o que se segue, e usa luvas antes de tocar numa planta em dificuldades.

Grave

Coroa mole e castanha a ceder junto ao solo

Estás a ver podridão da coroa, que se instala quando o solo fica encharcado durante demasiado tempo ou uma touceira fica tão apertada que já não consegue respirar. Não desanimes: calça luvas, levanta as plantas afetadas e resolve a drenagem antes de voltar a plantar seja o que for. As tuas boas divisões firmes vão dar-se bem de volta a um solo mais solto e rico.

Solução:

  • Remove e deita fora as plantas afetadas (usa luvas)
  • Melhora a drenagem e evita regar por cima da folhagem
  • Replanta as divisões saudáveis em solo com melhor drenagem e enriquecido
Grave

Folhas que descaem e amarelecem por mais que regues

Isto é murchidão por verticillium, um fungo no solo que entope o caule por dentro, por isso regar nunca traz a planta de volta. É difícil de aceitar, porque não há cura depois de se instalar. A decisão mais sensata é arrancar e destruir as plantas afetadas, e depois manter qualquer planta vulnerável fora desse local a partir de agora.

Solução:

  • Remove e destrói as plantas afetadas
  • Evita replantar plantas suscetíveis no mesmo solo
  • Mantém o vigor da planta com humidade e nutrição adequadas
Estético

Um véu pálido e poeirento a instalar-se sobre a folhagem

Essa película esbranquiçada é oídio, um fungo que aparece tarde no ano, quando o ar fica húmido e parado. É fácil de resolver: abre um pouco a plantação para o ar circular, arranca as folhas mais afetadas, e evita molhar a folhagem com a mangueira. Parece pior do que é e raramente causa dano real.

Solução:

  • Melhora a circulação de ar desbastando ou espaçando melhor as plantas
  • Remove e deita fora a folhagem gravemente afetada
  • Evita molhar a folhagem ao regar
Estético

Espigas altas a inclinarem-se depois de uma tempestade ou de um dia ventoso

Esses caules altos e bonitos crescem um pouco pesados no topo, por isso um aguaceiro forte ou uma rajada de vento derrubam-nos, e um local sombrio ou demasiado adubado só os torna ainda mais moles. A solução é simples e tolerante: coloca um tutor cedo, antes de começarem a espalhar-se. Instala a planta num local com algum abrigo e ela mantém-se de pé sozinha, na maior parte das vezes.

Solução:

  • Coloca um tutor ou apoio nos caules mais altos
  • Coloca num local com algum abrigo do vento forte

Toxicidade

É mais sensato, tanto para ti como para quem te rodeia, tratar esta planta como perigosa, porque de facto é. Todas as partes contêm aconitina, um veneno que pode matar gatos, cães, cavalos, gado e pessoas, por vezes poucas horas depois de engolir apenas um pouco. A seiva atravessa até a pele, por isso usa luvas sempre que a manuseares e mantém-na bem afastada de animais e crianças.

Tóxica para

Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves · Pessoas

Gatos Grave

Bastam apenas algumas dentadas para se tornar fatal para um gato. Fica atento a salivação intensa, vómitos, fraqueza instável e respiração difícil, além de um coração que acelera ou falha até um colapso repentino. Trata qualquer contacto como uma emergência que exige ida imediata ao veterinário.

Cães Grave

Um cão que mastigue qualquer parte vai salivar, inchar e vomitar rapidamente, e depois enfraquecer e lutar para respirar. A verdadeira preocupação é o coração, onde a toxina baralha o ritmo e pode fazê-lo parar, por isso age depressa.

Cavalos Grave

Um cavalo que paste a planta começa em breve a salivar, a ter cólicas e a tremer com os músculos a estremecer. A respiração torna-se difícil e o batimento cardíaco perde o ritmo, e infelizmente pode seguir-se uma falência cardiopulmonar fatal.

Coelhos Grave

A mesma aconitina que prejudica animais grandes é igualmente mortal num animal pequeno. Mesmo uma única dentada pode provocar salivação, fraqueza e um batimento cardíaco falhado, por isso é mais seguro manter os coelhos bem afastados de todas as partes.

Gado Grave

Bovinos, ovelhas e cabras são todos envenenados pelas folhas e raízes, e há infelizmente registos bem documentados de perdas em rebanhos de pasto. Fica atento a cambaleios, batimento cardíaco lento e respiração com dificuldade, o que demasiadas vezes termina em morte antes de chegar ajuda.

Aves Grave

A aconitina é um veneno para todo o corpo, sem dose inofensiva, e as aves não escapam. Bicar um pouco de folhas, sementes ou raízes pode provocar fraqueza rápida e uma alteração fatal do coração.

Pessoas Cuidado

Nenhuma parte desta planta pertence a um prato. Engolir apenas um pouco traz formigueiro, dormência, vómitos e ritmos cardíacos assustadores, e a seiva pode passar através da pele, por isso usa sempre luvas e nunca a manuseies com as mãos nuas.

Usa luvas sempre que manuseares esta planta, evita o contacto da pele ou da boca com a seiva e os caules cortados, cobre quaisquer cortes ou abrasões abertas, e lava bem as mãos depois. Mantém longe de animais de estimação, gado e crianças.

Números de emergência

Portugal

CIAV (INEM): 800 250 250

Brasil

Disque-Intoxicação: 0800 722 6001

Variedades

A maioria dos acónitos que vais encontrar é a espécie azul selvagem, mas algumas formas com nome próprio mudam a cor. São estas as que mais provavelmente vais encontrar.

Album

Esta forma dá-te espigas de um branco puro em vez do habitual azul-arroxeado profundo.

Carneum

As suas flores abrem num tom suave, entre rosa-pálido e rosado, mais delicado do que o da espécie selvagem.

Bicolor

Cada flor mostra azul e branco lado a lado, e vais frequentemente encontrá-la à venda como Aconitum x cammarum.

Como propagar

Podes multiplicar mais acónito dividindo uma touceira ou semeando, e ambos os métodos pedem apenas um pouco de paciência e um par de luvas do primeiro ao último passo.

DivisãoModerada

Início da primavera ou outono · Muitas vezes lenta a estabelecer-se; pode levar um ano ou mais a instalar-se e a florir bem

Podes levantar e dividir uma touceira já instalada no início da primavera ou no outono, e vale bem o esforço, mas mantém sempre as luvas postas, porque a seiva é perigosa em pele desprotegida. Estas plantas não gostam de ser mudadas e muitas vezes ficam amuadas durante uma estação, por isso dá-lhes um ano ou mais para se instalarem e voltarem a florir bem.

SementeExigente

Semear no final do inverno; a semente beneficia de estratificação a frio · Germinação lenta e irregular ao longo de muitas semanas

Semeia a tua semente no final do inverno, depois de um período de frio, para a acordar da dormência, e tem paciência, já que nasce devagar e de forma irregular ao longo de muitas semanas. Manuseia a semente e as plântulas pequenas com luvas, porque todas as partes já contêm a toxina desde o início.

Mitos

Mito

O acónito só é perigoso se o comeres, por isso manuseá-lo com as mãos nuas não tem problema.

Realidade

A aconitina presente na seiva pode passar diretamente através da pele, por isso mesmo apenas tocar em caules cortados ou na seiva já é um verdadeiro perigo por si só. As autoridades de jardinagem e de controlo de venenos são claras: deves usar luvas e evitar todo o contacto, e ter especial cuidado à volta de qualquer corte aberto.

Mito

Só as raízes e as sementes são venenosas, por isso as folhas e as flores são inofensivas.

Realidade

Todas as partes da planta são tóxicas, desde a casca e as folhas até às flores, frutos, sementes, raízes e caules. As raízes, as sementes e os rebentos jovens é que contêm mais veneno, o que não deixa nada de seguro para tocar ou provar.

Fontes