Árvore · Sapindaceae
Ácer-vermelho
Acer rubrum
Rápido a crescer e fácil de agradar, o ácer-vermelho dá a quem planta pela primeira vez uma copa de outono em vermelho e laranja.
Sol pleno
A cada 7–14 dias
até -40°C
12–27 m

Visão geral
Se plantar uma árvore te parece um passo grande, o ácer-vermelho é um dos mais suaves para começar. Cresce depressa, sente-se em casa em quase qualquer solo, da argila pesada ao terreno arenoso, e aguenta invernos que deitariam abaixo árvores mais melindrosas, mantendo-se firme mesmo aos -40°C. Faz jus ao nome ao longo de todo o calendário, com flores que abrem em vermelho no fim do inverno, sâmaras vermelhas na primavera, pecíolos avermelhados no verão e um brando incêndio de vermelho e laranja ao chegar o outono.
Não te aflijas por encontrar a drenagem perfeita. Esta é uma árvore adaptável que ignora o terreno encharcado e a cheia ocasional melhor do que a maioria, e é por isso que prospera em pântanos e ao longo de ribeiros com tanta alegria como num quintal arranjado. A única coisa a ter em mente é a madeira, porque o ácer-vermelho conta como um ácer-mole, e o mesmo crescimento ávido que te dá sombra depressa também deixa ramos que podem partir numa tempestade forte. Essa parte é controlável.
Dá-lhe espaço e ele recompensa-te durante décadas. Um ácer-vermelho crescido estica-se bem para lá dos 12 m, com uma copa larga e raízes rasas que se espalham e podem empurrar um passeio para cima ou mossar uma lâmina do corta-relva. Afasta-o de caminhos e acessos desde o início e poupas-te a esse aborrecimento, e a partir daí a árvore pede muito pouco. Os pequenos deslizes do princípio corrigem-se com facilidade.
Cuidados
A versão resumida: o ácer-vermelho fica feliz de sol pleno a meia-sombra, em solo húmido e ligeiramente ácido, com rega constante enquanto é jovem. Quase nunca precisa de adubo, e a maior gentileza que lhe podes dar é um pouco de poda estrutural precoce, para que os seus ramos quebradiços aguentem firmes as tempestades.
Luz
O ácer-vermelho é mais feliz a sol pleno, mas aceita a meia-sombra sem se queixar. Mais sol tende a trazer cor de outono mais rica e uma copa mais cheia, por isso um sítio aberto e luminoso é um belo presente, se o tiveres.
Rega
Esta árvore adora terreno húmido e lida com locais encharcados e a cheia ocasional muito melhor do que a maioria das árvores de sombra, por isso um canto ensopado não é problema. Mantém as árvores jovens e de arruamento regadas nos períodos de seca, e assim que uma árvore está estabelecida torna-se autónoma, aguentando sozinha o solo de médio a húmido.
Solo
Um solo comum e bem drenado serve-lhe bem. Ajusta-se a argila, terra franca e areia, embora o seu coração pertença a terreno húmido e ligeiramente ácido, a pH 4,5 a 6,5. Assim que o solo passa acima de uns pH 6,5, as folhas podem empalidecer à medida que o manganês e o ferro ficam mais difíceis de alcançar, por isso um sítio ligeiramente ácido mantém-no radiante.
Temperatura
Poucas árvores são tão resistentes. O ácer-vermelho mantém-se à vontade num intervalo enorme, de -40°C a 38°C, que cobre as zonas USDA 3 a 9. O frio do inverno quase nunca é o que o incomoda.
Humidade
Não há aqui um valor de humidade com que te preocupares. O ar comum do exterior chega bem, já que o que esta árvore quer mesmo é humidade à volta das raízes, e não no ar.
Adubação
Um ácer-vermelho estabelecido, num solo razoável, raramente precisa de adubo, o que é menos uma tarefa. Se optares por alimentar, escolhe uma mistura equilibrada ou pobre em azoto e mais rica em potássio na primavera. Onde o solo é alcalino, a clorose por manganês pode pedir antes a acidificação do solo ou um tratamento com micronutrientes.
Poda
Poda no fim do verão ou no outono para que a árvore evite a forte perda de seiva da primavera a que os áceres são propensos, retirando à passagem quaisquer ramos mortos, fracos ou cruzados. Como a madeira é quebradiça, aponta os teus cortes iniciais aos ângulos de ramo estreitos e fracos que uma tempestade poderia partir, e assim preparas a árvore para se manter inteira durante anos.
Mudança de vaso
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Tamanho e espaçamento
O ácer-vermelho transforma-se numa árvore grande e generosa, muitas vezes com 12 a 21 m de altura e uma copa a estender-se por 9 a 15 m. Dá-lhe bastante espaço aberto e mantém-no a boa distância de passeios e acessos, já que as suas raízes rasas podem levantar o pavimento com o tempo.
Quando plantar
Como o ácer-vermelho é uma árvore de vida longa, a sua janela de plantação é agradavelmente simples. Coloca as árvores jovens no tempo ameno da primavera ou do outono, e a árvore trata do resto. Depois é ver as flores vermelhas logo no fim do inverno, as sâmaras na primavera e aquela cor tão amada no outono.
Hemisfério norte
Hemisfério sul
Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.
- Plantar: Primavera ou outono
- Colher: Flores vermelhas do fim do inverno ao início da primavera (mais ou menos de janeiro a abril). As sâmaras vermelhas a amarelas amadurecem na primavera, e a folhagem ganha um brilho de vermelho, laranja e amarelo no outono.
Rusticidade
Temperatura: até -40°C
Resolução de problemas
Um ácer-vermelho já assente raramente te dá desgostos, embora valha a pena reconhecer cedo um punhado de problemas. Quase todos se resumem a solo que ficou demasiado alcalino, a um fungo na terra ou à própria madeira mole da árvore. Compara o que estás a ver com as notas abaixo e intervém com calma, antes que uma pequena preocupação se torne numa a sério.
Ramos inteiros a murchar e a morrer de um só lado
Isto aponta para a murchidão de verticílio, um fungo do solo que se infiltra nos canais de água da árvore e mata ramos inteiros à fome. Levanta a casca de um ramo murcho e vais encontrar, muitas vezes, estrias verdes a pretas no borne, além de folhas pequenas e uma quantidade de sementes surpreendentemente grande. Não tem cura, por isso poda e destrói a madeira morta, limpa as ferramentas entre cortes e mantém a árvore bem regada para que ela consiga aguentar.
Solução:
- Poda e destrói (queima ou aterro) os ramos mortos; não os coloques no compostor
- Desinfeta as ferramentas com lixívia a 10 por cento ou álcool a 70 por cento entre cortes
- Rega e fertiliza com um adubo pobre em azoto e mais rico em potássio para apoiar a recuperação
Folhas novas a ficar amarelo-claras entre nervuras verdes
O que estás a ver é clorose por manganês, que surge quando o pH do solo sobe acima de pH 6,5 a 7,0 e prende o ferro e o manganês de que a árvore depende. Calcário, betão e cal a mais junto a alicerces ou pavimento são as causas habituais. Analisa o solo, puxa-o de volta para o ligeiramente ácido com enxofre elementar e junta manganês ou ferro quelatado se o amarelecimento estiver mau. É um contratempo do qual te recuperas.
Solução:
- Analisa e baixa o pH do solo para o ligeiramente ácido com enxofre elementar
- Aplica manganês ou ferro quelatado como tratamento no solo ou nas folhas
- Coloca cobertura morta e melhora a drenagem para reduzir o stress nutricional
Ramos a partir após gelo, neve ou vento
O ácer-vermelho é um ácer-mole de madeira quebradiça, e o seu crescimento rápido enche-o de forquilhas estreitas e fracas que se abrem nas tempestades. Arruma sem demora os ramos partidos e pendentes com cortes limpos, e chama um arborista para tudo o que seja grande ou por cima da tua cabeça. A tua melhor defesa a longo prazo é a poda estrutural precoce, formando um líder forte e ângulos de ramo abertos para que as tempestades futuras encontrem menos onde se agarrar.
Solução:
- Retira sem demora os ramos partidos e pendentes com cortes limpos
- Poda estruturalmente as árvores jovens para favorecer ângulos de ramo fortes e abertos
- Consulta um arborista para ramos grandes ou perigosos
Toxicidade
Para uma casa com gatos e cães, o ácer-vermelho é uma escolha segura, por isso podes descansar nesse ponto. A verdadeira cautela é para os cavalos, e é séria: as folhas murchas ou secas do ácer-vermelho desfazem os glóbulos vermelhos do cavalo e podem ser fatais em poucos dias. Mantém os cavalos bem longe de ramos caídos, folhas raspadas e podas.
Tóxica para
Cavalos · Coelhos · Gado · Aves
Segura para
Pessoas · Gatos · Cães
Cavalos Grave
Este é o caso perigoso. As folhas murchas ou secas do ácer-vermelho desfazem os glóbulos vermelhos do cavalo, e os primeiros sinais são fraqueza, falta de apetite e um ânimo apagado. Fica atento também a gengivas castanhas ou azuladas, urina castanho-avermelhada, cólica e laminite, e chama já um veterinário, porque a morte pode chegar entre 18 horas e 10 dias e as éguas prenhes podem perder as crias.
Coelhos Cuidado
Não há informação segura sobre alimentar coelhos, e a mesma toxina dos glóbulos vermelhos bem poderia prejudicá-los, por isso mantém as folhas e podas de ácer-vermelho fora da coelheira só para garantir.
Gado Cuidado
O melhor é manter vacas, ovelhas, cabras e outros herbívoros longe das folhas de ácer murchas e dos ramos caídos, já que a toxina que faz mal aos cavalos pode chegar a animais aparentados.
Aves Cuidado
Pouco se sabe sobre a reação das aves, por isso é prudente tratar as folhas murchas como um perigo e impedir que aves de capoeira ou de estimação andem a remexer nos restos raspados.
Gatos Nenhuma
Os gatos estão à vontade aqui. A ASPCA coloca o ácer-vermelho na sua lista de plantas não tóxicas, por isso uma trinca curiosa não lhes deve causar mal nenhum.
Cães Nenhuma
Os cães estão bem junto a esta árvore. Ela não tem toxicidade para eles, e mordiscar uma folha ou sâmara caída não vai perturbar o estômago de um cão.
Pessoas Nenhuma
O ácer-vermelho não representa ameaça real para as pessoas. Não é algo que se coma, mas manusear a árvore, as folhas e as sementes é totalmente inofensivo.
Os donos de cavalos têm de manter os animais longe dos áceres-vermelhos e, sobretudo, dos ramos caídos e das folhas raspadas ou murchas, que são a forma mortal. Não despejes podas nem folhas de ácer onde os cavalos lhes cheguem. A árvore praticamente não representa risco de toxicidade para gatos ou cães.
Números de emergência
Portugal
CIAV (INEM): 800 250 250
Brasil
Disque-Intoxicação: 0800 722 6001
Variedades
A maioria dos áceres-vermelhos oferecidos para o jardim são cultivares com nome, escolhidos pela cor de outono de confiança e pela forma cuidada. Estes são os que tens mais probabilidade de encontrar.
October Glory
Adorada pela sua cor de outono fiável, do vermelho ao laranja, que dura semanas e surge tarde na estação.
Red Sunset (Franksred)
Um dos áceres mais plantados de todos, valorizado pela forte cor de outono laranja-avermelhada numa árvore vigorosa e de porte direito e cuidado.
Brandywine
Uma árvore macho sem sementes que se acende em escarlate brilhante no outono, antes de assentar num roxo-avermelhado profundo.
Red Rocket
Uma árvore fina como uma coluna, de cerca de 12 m de altura e apenas uns 5 m de largura, feita à medida para espaços apertados.
Como propagar
O ácer-vermelho nasce com facilidade de semente, embora as plântulas sejam uma aposta incerta no que toca à cor de outono. Para manter o aspeto exato de um cultivar, quem cultiva recorre a estacas ou à enxertia.
SementeFácil
Semeia sâmaras frescas do fim da primavera ao início do verão, à medida que amadurecem. Alguns lotes de semente beneficiam de estratificação a frio. · 1 a 2 estações de crescimento
A semente é o caminho mais descansado. Semeia as sâmaras aladas frescas do fim da primavera ao início do verão, à medida que caem, dá um arrefecimento de estratificação a frio aos lotes mais teimosos e deixa-as uma a duas estações de crescimento para se firmarem. Lembra-te apenas de que as plântulas variam, sobretudo na cor de outono, por isso um cultivar com nome não sai igual por esta via.
Estacas de cauleModerada
Tira estacas herbáceas no início do verão. · Várias semanas a enraizar, depois uma estação ou mais a estabelecer-se.
As estacas herbáceas podem resultar, embora os resultados sejam um pouco imprevisíveis. Tira-as no início do verão e depois tem paciência: as raízes precisam de várias semanas para se formar, e a árvore jovem quer uma estação ou mais antes de estar mesmo assente.
EnxertiaExigente
Faz enxertia de bancada ou de gomo, na estação de repouso ou de crescimento, sobre porta-enxerto de semente. · 1 ou mais estações
A enxertia é o truque que os viveiros usam para manter um cultivar fiel, já que ele nunca sai igual de semente. Faz enxertia de bancada ou de gomo sobre porta-enxerto de semente durante a estação de repouso ou de crescimento, e depois conta com uma estação ou mais para a união pegar e crescer. É um trabalho minucioso, mais próprio para mãos experientes.
Mitos
O ácer-vermelho é arriscado de ter perto de gatos e cães.
A ASPCA lista o ácer-vermelho como não tóxico para ambos os animais. O risco grave e por vezes fatal recai sobre os cavalos que comem folhas murchas ou secas, por isso uma casa com gatos ou cães nada tem mesmo a temer desta árvore.
São só as sementes ou a casca do ácer-vermelho que fazem mal aos cavalos.
O composto nocivo junta-se nas folhas, não nas sementes nem na casca. As folhas caídas, murchas ou secas, são de longe a forma mais perigosa, enquanto as folhas verdes frescas ainda na árvore representam muito menos ameaça.