O alcance limitado da dispersão por gravidade vem do simples facto de que as sementes pesadas caem diretamente para baixo. Os cientistas chamam a isto barocoria. Sem asas, paraquedas ou outros auxiliares de voo, estas sementes aterram mesmo debaixo da planta-mãe onde enfrentam forte concorrência.
Reparei neste padrão pela primeira vez quando olhei para debaixo do carvalho no meu quintal num outono. As bolotas cobriam o chão numa camada espessa mesmo debaixo dos ramos. Quase nenhuma tinha rolado mais do que alguns centímetros. Podemos ver o mesmo debaixo de qualquer árvore de fruto na nossa zona.
A dispersão de sementes pesadas funciona apenas através da gravidade, talvez com alguma ajuda de declives. A semente cai do ramo e atinge o solo por baixo. Em terreno plano, fica onde cai. Numa encosta, pode rolar um pouco para baixo. De qualquer forma, a semente acaba perto de onde começou.
Este método cria um compromisso que as plantas têm de aceitar. As sementes grandes contêm muita comida para a plantinha no interior. Isto dá às plântulas um início forte na vida com bastante energia armazenada. Mas toda essa comida torna as sementes pesadas e incapazes de viajar para longe de casa.
A aglomeração debaixo das árvores-mãe cria problemas reais para as plantas jovens. As plântulas competem umas com as outras por luz, água e nutrientes. Também lutam com a árvore-mãe que fica com a maior parte dos bons recursos. Muitas sementes nesse monte nunca se tornarão árvores adultas.
Na minha experiência, é por isso que tão poucas plântulas de carvalho sobrevivem debaixo de árvores maduras. Podemos encontrar centenas de bolotas no chão mas apenas um ou dois rebentos na primavera seguinte. O resto é comido por animais, apodrece nas folhas húmidas ou morre por causa da sombra e da competição de raízes.
As plantas que usam barocoria frequentemente precisam de um plano de reserva para ter sucesso. Os esquilos enterram bolotas no quintal e esquecem-se de onde esconderam algumas delas. Os pássaros levam cerejas para poleiros longe da árvore-mãe. Estes animais tornam-se parceiros que movem as sementes pesadas para melhores locais.
O jardim mostra-nos a dispersão por gravidade sempre que a fruta cai das árvores. As maçãs amontoam-se debaixo das macieiras e as nozes formam anéis à volta das suas árvores-mãe. Os pêssegos caem e apodrecem mesmo onde aterram. Cada fruta que cai aumenta o problema de aglomeração que vemos por baixo.
Este limite ajuda-nos a planear melhor as nossas próprias plantações se o conhecermos. Devemos espaçar as árvores de fruto para que as suas zonas de queda não se sobreponham. Apanhar a fruta caída antes que apodreça e atraia pragas. Estar atento a plantas espontâneas a brotar de sementes que os animais levaram para novos locais.
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