Arbusto · Ranunculaceae
Clemátide-doce-de-outono
Clematis terniflora
Nuvens de flores brancas perfumadas chegam todos os finais de verão, numa trepadeira fácil que perdoa quase todos os erros de principiante.
Sol pleno
A cada 5–10 dias
até -34°C
4,6–9,1 m

Visão geral
Se nunca cultivaste uma trepadeira antes, a clemátide-doce-de-outono é um bom sítio para começar. Enrola-se sozinha numa vedação ou arco e cobre-se de pequenas flores brancas com um perfume doce de agosto a setembro, precisamente quando o resto do jardim começa a murchar. Pertence à família dos ranúnculos e é originária do leste asiático, cresce depressa e pode atingir 4,5 a 9 m assim que as raízes se instalam, por isso o manto de flores que obténs compensa mesmo por muito pouco esforço.
A lista de cuidados é curta e tolerante. Dá-lhe sol na parte de cima e raízes frescas e sombreadas em baixo, planta-a num solo comum bem drenado, e ela aguenta invernos até -34°C sem problemas. A única coisa a antecipar é o seu entusiasmo: esta trepadeira liberta semente com muita facilidade, e no leste e centro dos Estados Unidos já saiu dos jardins e afastou plantas nativas, razão pela qual vários estados a classificam agora como invasora. Saber isto de antemão já é metade da batalha.
Nada disto deve afastar um jardineiro iniciante. Corta as flores murchas antes de se transformarem em semente, mantém-na a uma boa distância de zonas florestais, e ela comporta-se bem numa treliça. Se este cuidado extra parecer demasiado agora, a nativa Clematis virginiana oferece o mesmo espetáculo branco e perfumado sem a tendência para se espalhar, por isso há sempre um caminho feliz.
Cuidados
A versão resumida: planta-a a sol pleno com as raízes à sombra e cobertas com cobertura morta, dá-lhe um solo comum bem drenado e humidade constante, poda-a com força no final de cada inverno, e corta as flores murchas antes de granarem para que fique onde a plantaste. Nenhum destes passos é difícil de acertar.
Luz
Dá-lhe sol pleno e terás a floração mais generosa, embora um local com sombra parcial ainda floresça bem. A velha regra das clemátides é simpática: deixa a parte de cima absorver a luz enquanto uma camada de cobertura morta ou uma planta baixa mantém as raízes frescas e à sombra em baixo.
Rega
Procura uma humidade uniforme e moderada, regando cerca de a cada 5 a 10 dias enquanto a planta se instala. Assim que se estabelece, torna-se resistente e despreocupada, lidando sozinha com períodos secos, embora uma zona radicular fresca e coberta com cobertura morta a mantenha sempre no seu melhor.
Solo
Quase qualquer solo bem drenado serve, seja franco, argiloso ou arenoso, por isso raramente é aqui que um principiante erra. Um pH entre 5,5 e 7,5 deixa-a satisfeita.
Temperatura
Esta é verdadeiramente uma trepadeira resistente ao frio, confortável em invernos até -34°C e em verões quentes até 38°C. Essa tolerância fácil é parte do que a faz crescer tão de bom grado em tantas regiões do país.
Humidade
O ar comum do exterior é tudo o que precisa, por isso não há humidade nenhuma a controlar. O que mais importa é uma boa circulação de ar, já que o ar parado e húmido no final da estação é o que permite ao míldio instalar-se nas folhas.
Adubação
Uma aplicação de primavera de fertilizante equilibrado de uso geral já chega para o ano inteiro. Cresce depressa sozinha, por isso não há necessidade de a estimular mais, e ir com calma até ajuda a conter a sua propagação.
Poda
Como as flores nascem em madeira nova, corta toda a trepadeira até cerca de 30 cm no final do inverno ou início da primavera, antes de ela acordar. Igualmente útil, corta as flores murchas antes de granarem, que é a forma mais gentil de manter a sua forte autossementeira sob controlo.
Mudança de vaso
Cultivada em solo, esta trepadeira quase nunca precisa de ser mudada de vaso. Se a mantiveres num vaso, só a mudes para um maior quando as raízes começarem a dar voltas no vaso, a água passar direto sem ficar, ou o crescimento começar a parar.
Tamanho e espaçamento
Conta com uma trepadeira grande, 4,5 a 9 m tanto em altura como em largura, por isso dá-lhe um suporte firme e espaço para se esticar. Deixar espaço entre plantas permite que o ar circule e ajuda a manter afastado o míldio do final da estação.
Quando plantar
Como as flores se formam em madeira nova, todo o ano de jardinagem depende de um corte de primavera feito com confiança. Planta as plantas jovens na primavera ou no outono e, no final do inverno, corta tudo até cerca de 30 cm, e os rebentos novos trarão flores de agosto a setembro. Corta essas flores antes de a semente amadurecer e poupas-te a muita monda mais tarde.
Hemisfério norte
Hemisfério sul
Meses típicos para um clima temperado: comece mais cedo em zonas quentes e mais tarde onde as geadas de primavera persistem.
- Plantar: primavera ou outono
- Colher: agosto a setembro
Rusticidade
Temperatura: até -34°C
Resolução de problemas
A maior parte dos problemas desta trepadeira vem precisamente do quão bem ela cresce, por isso não leves a peito. Fica atento a plântulas a aparecer onde não as plantaste, a algum caule que murcha de um dia para o outro, e a um pouco de míldio quando a estação arrefece. Encontra o teu sintoma abaixo e intervém cedo, que cada um deles é fácil de resolver.
Plântulas a aparecer por todo o lado e trepadeiras a subir por tudo o que alcançam
O que estás a ver é o lado invasivo da planta a manifestar-se. Assim que as flores murcham, libertam nuvens de sementes plumosas levadas pelo vento que germinam bem longe do canteiro, e os caules trepadores de crescimento rápido sobem por cima de tudo o que estiver por perto. Não te preocupes, tem solução: corta as flores murchas antes de as cabeças de semente amadurecerem, arranca com cuidado as plântulas voluntárias enquanto são pequenas, e mantém a trepadeira bem afastada de zonas florestais. Se preferires evitar todo o assunto, a nativa Clematis virginiana é uma alternativa perfumada que vale a pena plantar.
Solução:
- Remove as flores murchas e as cabeças de semente antes de as sementes amadurecerem e se dispersarem
- Arranca ou desenterra prontamente as plântulas e os rebentos indesejados
- Corta com força e ensaca o crescimento com flores ou sementes murchas
- Não plantes perto de zonas florestais ou áreas naturais; considera antes a nativa Clematis virginiana
Um caule murcha de repente, escurece e tomba
Isto é normalmente a murchidão da clemátide, um fungo que desce por um caule a partir da ponta enquanto as raízes continuam vivas e seguras por baixo. Um caule batido ou ferido, ou um período seco junto à base, pode desencadear o mesmo colapso rápido. Não entres em pânico: corta o crescimento afetado até tecido saudável ou até ao nível do solo, ensaca os restos, e mantém as raízes frescas e cobertas com cobertura morta para que novos rebentos possam surgir da base. É reconfortante saber que esta espécie lida com a murchidão melhor do que a maioria das clemátides.
Solução:
- Corta os caules afetados até tecido saudável ou até ao nível do solo
- Remove e elimina o material infetado
- Mantém as raízes frescas, húmidas e cobertas com cobertura morta para apoiar o rebentar a partir da base
Um pó branco macio ou manchas a aparecer nas folhas
À medida que a estação arrefece, as folhas podem apanhar oídio ou alguma mancha foliar, e ambos se instalam quando o ar à volta da planta fica parado. A solução é simples: desbasta os caules apinhados para o ar poder circular, retira as folhas mais afetadas, e rega junto à base em vez de por cima. Um local ensolarado e ventilado evita que volte, por isso raramente se torna um problema duradouro.
Solução:
- Melhora a circulação de ar desbastando e espaçando corretamente
- Remove a folhagem muito afetada
- Evita regar por cima
Toxicidade
Ajuda pensar em cada parte desta planta como algo para admirar, não para provar ou tocar com a pele desprotegida. Toda ela contém ranunculina, que se transforma no irritante protoanemonina assim que uma folha ou caule é mastigado ou esmagado, e a ASPCA classifica a clemátide como tóxica para gatos, cães e cavalos. A boa notícia é que o sabor amargo e acre normalmente faz o animal desistir antes de engolir muito, por isso o envenenamento grave é raro. Calça luvas quando podares, já que a seiva pode irritar a pele desprotegida, e tanto tu como os teus animais ficarão bem.
Tóxica para
Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves · Pessoas
Gatos Leve
Um gato curioso que mastigue as folhas ou caules tende a babar-se, esfregar a boca com a pata e, muitas vezes, vomitar um pouco ou ter fezes moles. Felizmente, o sabor forte e amargo costuma travá-lo bem antes de comer o suficiente para causar dano real.
Cães Leve
Um cão que roa a trepadeira pode babar-se, ficar com a boca irritada e acabar com o estômago perturbado, com algum vómito ou diarreia. A maioria cospe-a imediatamente assim que a seiva acre lhe toca na língua, por isso raramente vai longe.
Cavalos Leve
Um cavalo que paste a folhagem pode ficar a babar-se com a boca irritada e em carne viva, e a seiva pode provocar um mal-estar estomacal do tipo cólica e fezes moles. O sabor amargo normalmente impede o cavalo de comer muito.
Coelhos Leve
A mesma protoanemonina que incomoda gatos e cães provoca bolhas na boca e no aparelho digestivo de um coelho, por isso mantém tanto a trepadeira como os restos de poda bem fora de alcance. O mais seguro é manteres-te fiel aos vegetais que já sabes que convêm ao teu coelho.
Gado Leve
Bovinos, cabras e ovelhas que provem a planta ficam com a boca irritada e o estômago perturbado, embora a seiva amarga normalmente signifique que não comem mais do que uma dentada.
Aves Cuidado
Há poucos registos sobre aves a comer esta trepadeira, mas só a seiva irritante já é razão suficiente para manter aves de capoeira e de estimação afastadas da folhagem e de quaisquer restos de poda frescos.
Pessoas Cuidado
Nenhuma parte desta planta se destina ao consumo, e a seiva pode provocar bolhas na pele desprotegida onde toca. Calça luvas antes de podar e lava as mãos depois, e afasta com delicadeza as crianças de mastigar os caules.
A seiva pode irritar a pele; usa luvas ao podar e lava as mãos depois de a manusear.
Números de emergência
Portugal
CIAV (INEM): 800 250 250
Brasil
Disque-Intoxicação: 0800 722 6001
Variedades
Não há propriamente variedades com nome para comparar aqui, mas antes um pequeno nó de nomes a desembaraçar antes de comprares. Dois pontos simples evitam que tragas para casa a planta errada.
Clematis terniflora (espécie)
Esta espécie não nativa tem folhas compostas com margens dos folíolos lisas e sem dentes, e essa borda lisa é o sinal mais rápido que a distingue da nativa Clematis virginiana, cujos folíolos são dentados.
'Clematis paniculata' (confusão de nomes)
É frequente encontrá-la mal rotulada no viveiro como C. paniculata, C. maximowicziana ou C. dioscoreifolia, por isso não te deixes confundir, já que a verdadeira C. paniculata é uma espécie diferente, originária da Nova Zelândia.
Como propagar
Esta trepadeira já está tão empenhada em multiplicar-se sozinha que o truque está em propagá-la de propósito sem gerar um tapete de plântulas a seguir. Tanto as estacas como o alporque dão uma cópia fiel, enquanto a semente é a técnica a manter sob controlo apertado.
SementeFácil
Depois de a semente amadurecer no outono · 1 a 2 estações
Como esta trepadeira já espalha semente com tanta facilidade, raramente vale a pena semeá-la de propósito. Se deixares um lote de sementes amadurecer no outono, dá à planta jovem 1 a 2 estações para se instalar, embora manter essa semente sob controlo seja, sinceramente, a escolha mais sensata.
Estacas de cauleModerada
Do final da primavera ao verão · 1 a 2 estações
Se quiseres mais plantas sem espalhar semente por aí, as estacas são a forma organizada de o fazer. Tira caules herbáceos ou semilenhosos do final da primavera ao verão, e uma estaca enraizada precisará de cerca de 1 a 2 estações para encorpar e parecer estabelecida.
MergulhiaFácil
Da primavera ao verão · 1 estação
O método mais suave de todos é o alporque, já que os caules enraízam sozinhos onde quer que toquem no solo. Fixa um caule saudável ao solo na primavera ou no verão, e normalmente enraíza e estabelece-se dentro de uma única estação.
Mitos
A clemátide-doce-de-outono e a trepadeira-da-virgem nativa são a mesma planta.
Na verdade são duas espécies distintas que apenas se parecem uma com a outra. A nativa Clematis virginiana tem margens dentadas nos folíolos e mantém-se comportada, enquanto a não nativa Clematis terniflora tem folíolos de margem lisa e autosemeia-se com tanta força que pode dominar um espaço. Escolhe a trepadeira-da-virgem nativa e obténs o mesmo perfume doce sem teres de gerir a invasão.