Planta de interior · Araceae
Singónio
Syngonium podophyllum
Tolerante e rápida a preencher espaço, a singónio trepa ou pende para onde a guiares, desde que tenha luz indireta brilhante.
Luz indireta brilhante
18–27°C
até -1°C
0,9–1,8 m

Visão geral
Se estás a começar em plantas de interior, a singónio é uma escolha simpática para começar. As suas folhas jovens surgem em forma de pequenas pontas de flecha numa planta baixa e frondosa, e é daí que vem o nome. Cresce selvagem desde o México até à América tropical, pertence à família das aráceas, e ganhou fama de ser uma das plantas mais tolerantes que podes trazer para casa. Encontra-se em formas verdes, variegadas e de nervuras rosa, por isso há sempre algo para qualquer canto.
A bela surpresa é como ela cresce com o tempo. Aquela planta jovem e arrumada torna-se gradualmente uma trepadeira, com os talos a alongarem-se e as folhas a abrirem-se em vários folíolos. A forma é decisão tua, e não há escolha errada. Treina-a a subir por uma estaca de musgo, deixa-a cair de um cesto suspenso, ou continua a beliscá-la para obter uma touceira macia e frondosa.
O melhor é que pede muito pouco. Luz indireta brilhante, solo mantido ligeiramente húmido e ar quente mantêm-na satisfeita, e ela perdoa de bom grado uma rega esquecida de vez em quando. A única coisa que vale a pena lembrar é a seiva, que contém cristais de oxalato de cálcio capazes de irritar a boca e a pele, por isso instala a planta onde animais de estimação e crianças pequenas não possam mordiscar as folhas.
Cuidados
A versão resumida: oferece-lhe luz indireta brilhante, mantém o solo ligeiramente húmido mas nunca encharcado, e rodeia-a de ar quente e húmido. Rega menos no inverno, e assim que ela começar a trepar, basta acrescentar uma estaca ou um cesto para a apoiar.
Luz
Dá-lhe luz indireta e brilhante e obterás a melhor cor e o crescimento mais pleno. Vai-se sustentando em luz média e até em luz fraca, por isso não te preocupes se o teu local for algo escuro, mas o sol direto queima as folhas, por isso mantém-na um pouco afastada de uma janela quente.
Rega
Procura manter o solo ligeiramente húmido mas nunca encharcado enquanto cresce, regando de novo assim que a superfície começar a sentir-se seca. Reduz bastante do outono até ao final do inverno, quando a planta abranda e o solo húmido pode rapidamente transformar-se em podridão das raízes.
Solo
Uma mistura de vaso leve e bem drenada, com base de solo, é tudo o que precisa. A boa drenagem é mesmo a parte que importa, já que a água parada junto às raízes é a forma mais certa de perderes esta planta, por isso não te preocupes muito com o resto.
Temperatura
O calor comum de uma divisão convém-lhe lindamente, algures entre 18°C e 27°C. Basta mantê-la longe de correntes de ar frio e peitoris gelados durante o inverno, já que não aguenta a geada.
Humidade
Sendo tropical, adora humidade elevada, idealmente 60% ou mais. Sustenta-se sem se queixar no ar comum de uma casa, mas as folhas ficam com o seu melhor aspeto perto de um humidificador ou numa casa de banho ou cozinha com vapor.
Adubação
Um pouco de alimento durante o crescimento ativo nos meses quentes já ajuda bastante, usando um fertilizante equilibrado para plantas de folhagem. Algumas adubações ao longo da estação de crescimento são suficientes, e podes parar por completo assim que o crescimento abrandar no outono.
Poda
Não tenhas receio de a cortar, porque suporta bem uma poda forte. Belisca e poda para lhe dares a forma que quiseres, seja uma touceira compacta, um cesto pendente, ou uma trepadeira a subir por uma estaca de musgo ou treliça.
Mudança de vaso
Não há necessidade de apressar isto. Só a replantes quando a planta ultrapassar o vaso e as raízes se sentirem apertadas, já que não há um calendário fixo, e podes subir um tamanho sempre que começar a parecer apertada.
Tamanho e espaçamento
No interior cresce até cerca de 91 a 183 cm como trepadeira ou planta pendente, espalhando-se cerca de 30 a 61 cm. Dá-lhe algum espaço para trepar ou algo onde se apoiar, e deixa que algum ar circule pelas folhas.
Resolução de problemas
As singónias são maravilhosamente resistentes, e quase tudo o que corre mal remonta à luz ou à água. Observa as folhas e os talos em busca de sinais precoces, encontra a correspondência abaixo, e normalmente resolves o problema antes de ele se espalhar.
Talos e raízes a ficarem moles e pastosos com podridão
O solo encharcado abre a porta à podridão mole, uma deterioração bacteriana que transforma talos e raízes numa papa. Corta as partes apodrecidas, depois resolve a causa mudando para uma mistura leve e bem drenada e deixando o vaso escoar livremente. Rega menos no outono e no inverno, quando a planta bebe muito menos do que se poderia pensar.
Solução:
- Remove o tecido afetado
- Melhora a drenagem e evita solo encharcado
- Reduz a rega, especialmente do outono até ao final do inverno
Manchas desvanecidas e queimadas a aparecer na folhagem
O excesso de sol direto costuma ser a razão, queimando as folhas e deixando manchas desvanecidas ou secas onde a luz bate com mais força. Muda a planta para um local com luz indireta brilhante ou sombra salpicada, e o crescimento novo voltará a surgir limpo.
Solução:
- Muda a planta do sol direto para um local com luz indireta brilhante ou meia-sombra
Manchas escuras a espalhar-se pelas folhas
Lesões escuras bem definidas costumam significar mancha bacteriana das folhas, que se espalha pela folhagem húmida. Retira delicadamente as folhas marcadas e mantém a água afastada das folhas a partir de agora. Uma boa circulação de ar em torno da planta faz a maior parte do trabalho para travar a doença.
Solução:
- Remove as folhas afetadas
- Evita molhar a folhagem e melhora a circulação de ar
Teias finas, penugem algodoada, ou rebentos pegajosos e retorcidos
Um punhado de pragas comuns são atraídas pelas singónias, e cada uma deixa o seu próprio rasto. Os ácaros-aranha salpicam as folhas e tecem teias finas, as cochonilhas-algodão aparecem como tufos brancos algodoados, os afídeos juntam-se no crescimento novo e tenro, e as cochonilhas agarram-se aos talos como pequenos caroços duros. Assim que notares algum deles, separa a planta, lava as pragas e segue com um tratamento inseticida.
Solução:
- Inspeciona e isola a planta
- Lava as pragas e trata com um controlo inseticida apropriado
Talos esticados a pender com folhas esparsas
Não há nada de errado aqui, isto é simplesmente a tua singónio a crescer. Começa frondosa e compacta, depois instala-se no seu hábito trepador natural à medida que amadurece, por isso os talos alongam-se e começam a pender. Oferece uma estaca de musgo ou treliça para trepar, deixa-a cair de um cesto suspenso, ou belisca os talos para a manteres cheia e arrumada, o que preferires.
Solução:
- Fornece uma estaca de musgo ou treliça para a planta trepar
- Cultiva num cesto suspenso para deixar os talos cascatearem
- Poda ou belisca os talos para manter a planta compacta e frondosa
Toxicidade
É melhor mantê-la no alto e fora de alcance, embora seja fácil de ter em casa com segurança. Todas as partes contêm cristais insolúveis de oxalato de cálcio, e uma única dentada pica a boca de imediato. A seiva também pode incomodar a pele, por isso manuseia as estacas com cuidado e coloca a planta onde animais de estimação e crianças não a possam alcançar.
Tóxica para
Gatos · Cães · Cavalos · Coelhos · Gado · Aves · Pessoas
Gatos Moderada
Um gato que morda uma folha sente a picada quase de imediato. Repara em salivação abundante, patadas na boca, e uma língua e lábios sensíveis e inchados, muitas vezes com vómitos e dificuldade em engolir logo a seguir.
Cães Moderada
Os cães reagem de forma muito semelhante aos gatos. A boca arde ao contacto, por isso repara em salivação, inchaço em torno dos lábios e da língua, vómitos, e relutância em engolir.
Cavalos Moderada
Os cristais irritam a boca e a garganta de um cavalo, provocando salivação, inchaço e dificuldade em engolir. Os cavalos não conseguem vomitar, por isso o problema fica confinado à boca e ao trato digestivo.
Coelhos Tóxico
Mantém a singónio bem afastada de qualquer coelho. Os mesmos cristais de oxalato de cálcio que prejudicam gatos e cães irritam a boca e o trato digestivo sensíveis de um coelho, e simplesmente não é um verde seguro para oferecer.
Gado Tóxico
Os animais de pastoreio que mastigam a folhagem acabam com uma dentada dolorosa de cristais de oxalato, com salivação e inchaço oral como resultado habitual. Veda a planta de qualquer gado que a possa pastar.
Aves Tóxico
A seiva não é mais gentil com as aves. Uma ave de estimação que mordisque as folhas pode sofrer a mesma irritação e inchaço na boca, por isso mantém gaiolas e poleiros afastados da planta.
Pessoas Cuidado
Nenhuma parte desta planta se destina a comer. Uma dentada provoca uma ardência aguda na boca, e a seiva pode deixar a pele irritada, por isso lava as mãos depois de retirares estacas e mantém-na longe de crianças pequenas.
Todas as partes contêm cristais insolúveis de oxalato de cálcio; a seiva pode irritar. A UF/IFAS nota que a seiva tóxica torna o manuseamento mecânico (por exemplo, corte com fio de nylon) desaconselhável ao ar livre
Números de emergência
Portugal
CIAV (INEM): 800 250 250
Brasil
Disque-Intoxicação: 0800 722 6001
Variedades
Ao longo dos anos, os produtores escolheram a singónio pela cor e pelas marcas das folhas, desde um quase branco até ao verde vivo e nervuras rosa profundo. Aqui ficam algumas das cultivares com nome que provavelmente vais encontrar.
'White Butterfly'
As suas folhas branco-esverdeadas são pinceladas com nervuras creme-amareladas e orladas de verde-escuro, tornando-a a mais pálida do grupo.
'Pink Allusion'
Criada na Flórida, apresenta nervuras rosa profundo a percorrer o centro de folhas verde-oliva claras, e esse rosa mantém-se à medida que as folhas envelhecem.
'Robusta'
Uma cultivar com nome, criada no comércio de Syngonium seguindo as diretrizes de produção da UF/IFAS.
'Neon'
Outra escolha comercial listada nas diretrizes de produção da UF/IFAS para Syngonium de interiorismo.
'Lemon Lime'
Uma cultivar de produção das mesmas diretrizes da UF/IFAS, com o nome inspirado na sua cor verde vivo e alegre.
Como propagar
Multiplicar esta planta dificilmente poderia ser mais fácil, e essa é parte da graça. Uma estaca retirada nos meses quentes enraíza quase sozinha, e se quiseres uma planta mais cheia, podes fazer alporquia num talo mais longo com um pouco de paciência.
Estacas de cauleFácil
Da primavera ao verão · Enraíza em algumas semanas
Este é o caminho fácil, e sinceramente a planta quase faz o trabalho por ti. Retira uma estaca de ponta ou de nó na primavera ou verão, desde que tenha um nó, e quaisquer raízes aéreas já presentes no talo dão-lhe um bom avanço. Coloca-a em água ou numa mistura de vaso húmida e ela enraíza dentro de algumas semanas.
AlporquiaModerada
Da primavera ao verão · Várias semanas
A alporquia pede um pouco mais de paciência, mas funciona muito bem, e é o método a que os produtores comerciais recorrem para multiplicar a Syngonium em maior escala. Faz um corte num talo e envolve-o na primavera ou verão, depois dá-lhe várias semanas para formar raízes antes de cortares a nova planta para a libertar.
Mitos
A singónio é apenas mais um tipo de filodendro.
Ambas partilham a família das aráceas, e é aí que começa a confusão, mas a singónio é a Syngonium podophyllum, um género separado do Philodendron. As folhas denunciam-na: as jovens têm a forma de ponta de flecha que dá origem ao nome, depois transformam-se em folhas compostas divididas em 3 a 11 folíolos, algo que os filodendros nunca fazem.
Fontes
- Plants of the World Online, Royal Botanic Gardens Kew
- NC State Extension Gardener Plant Toolbox
- Missouri Botanical Garden Plant Finder
- ASPCA Animal Poison Control
- Atlas of Florida Plants, Institute for Systematic Botany, University of South Florida
- UF/IFAS Plant Directory
- UF/IFAS EDIS (EP244, Cultural Guidelines for Commercial Production of Interiorscape Syngonium)